Mourão apresenta objetivo de redução do desmatamento na Amazônia

BRASILIA – No dia seguinte ao que o presidente Jair Bolsonaro declarou que diplomatas estrangeiros não vão encontrar “nada pegando fogo ou um hectare de floresta devastada” na Amazônia, foi a vez do vice-presidente Hamilton Mourão admitir que o governo federal ainda tem muito a fazer e apresentar na verdade, em medidas para proteger o meio ambiente.

“O governo está agindo. Agora, precisa apresentar melhores resultados. Isso é uma realidade”, declarou Mourão, após reunião realizada nesta sexta-feira, 23, no Itamaraty, onde recebeu os embaixadores que assinaram a carta da Aliança em setembro. as Declarações de Amsterdã, composta pela Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido, além da Bélgica, que não faz parte do grupo.

O vice-presidente Hamilton Mourão fala em entrevista no Itamaraty, em Brasília 15/07/2020 REUTERS / Adriano Machado

Foto: Reuters

O chanceler Ernesto Araújo e a ministra Tereza Cristina da Agricultura participaram do encontro para apresentar as medidas que o governo tem tomado para combater o desmatamento na Amazônia. Na conversa, diz Mourão, os países não fizeram pedidos específicos. Houve apenas uma exposição de informações por parte do governo.

“Eles não pediram nada. Apenas mostramos o que estamos fazendo. Qual é a visão? Como há tão pouco publicado sobre isso, parece que todo mundo está no governo de braços cruzados, em relação ao que está acontecendo lá”, disse. Mourão, referindo-se à devastação da floresta.

O vice-presidente, que comanda o Conselho Nacional da Amazônia, comando militar que atua na selva, disse que o Brasil persegue a meta de reduzir o desmatamento atual para menos da metade da área degradada até 2023, chegando a quase 4.000 km². “Seriam os melhores números que tivemos na última década. Temos que fazer o impossível para que isso aconteça”, disse ele.

Uma viagem com os embaixadores a áreas do Pará e do Amazonas está agendada entre os dias 4 e 6 de novembro, com sobrevôos em regiões protegidas e desmatadas. Na carta enviada a Hamilton Mourão em setembro, os oito países europeus indicaram que o aumento do desmatamento no Brasil dificulta a compra de produtos brasileiros pelo consumidor.

“Enquanto os esforços europeus buscam cadeias de abastecimento não vinculadas ao desmatamento, a atual tendência crescente de desmatamento no Brasil torna cada vez mais difícil para empresas e investidores cumprir seus critérios ambientais, sociais e de governança”, disseram em esse momento.

O número de focos de incêndios registrados na Amazônia este ano superou todas as ocorrências nos 12 meses de 2019. Embora ainda faltem 70 dias para o final do ano, o bioma já sofreu, entre 1º de janeiro e esta quinta-feira, 22 , com 89.604 focos, ante os 89.176 observados no ano passado, segundo registros do Programa Inpe Queimadas. Nos 22 dias de outubro, o número total de focos de incêndio, de 13.574, já é 73% superior ao observado nos 31 dias do mesmo mês do ano passado. É também a taxa mais alta para outubro desde 2017.

Os incêndios já avançam pela floresta, assim como pelo Pantanal, há alguns meses. Em setembro, a Amazônia já havia registrado 60% a mais de focos do que no mesmo mês de 2019, fechando como o segundo pior setembro da década.

No Pantanal, o número total de queimadas neste ano é mais que o dobro do observado em todo o bioma no ano passado, de longe o pior cenário desde que os registros começaram em 1998. E o Cerrado também começou a queimar mais agora em Outubro. , já superando os surtos de 31 de outubro de 2019 em 52%.

Veja também:

As mortes imaculadas de quem luta pelo meio ambiente no Brasil e no mundo

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