Mudança climática está causando nascimentos prematuros na Amazônia brasileira

Pra Luke Taylor

Inundações na Amazônia Brasileira em 2015

Fotos do Brasil / LightRocket via Getty Images

Padrões climáticos extremos e inundações exacerbadas pelas mudanças climáticas estão afetando negativamente a saúde dos bebês nascidos na floresta amazônica.

Luke Parry, da Lancaster University, no Reino Unido, e seus colegas compararam os níveis de precipitação com o peso ao nascer e a duração da gravidez de quase 300.000 bebês nascidos entre 2006 e 2017 na Amazônia brasileira. Eles descobriram que bebês em comunidades ribeirinhas tinham maior probabilidade de nascer prematuros (antes das 37 semanas) e de baixo peso após condições climáticas extremas, como enchentes e secas. Baixo peso ao nascer e prematuridade estão associados a resultados negativos de educação, saúde e renda ao longo da vida e nas gerações subsequentes.

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Os bebês nascidos após períodos de chuvas extremas eram em média 183 gramas mais leves do que os nascidos em outras épocas, e a diferença aumentou para 646 gramas nos grupos mais desfavorecidos socioeconomicamente. Essa diferença é maior do que em estudos anteriores que examinaram o impacto de condições meteorológicas extremas em bebês em outros países, como Índia, México e Vietnã. O efeito esteve presente mesmo ao controlar a duração da gravidez; em outras palavras, o menor peso ao nascer não se deveu apenas à prematuridade.

Inundações na Amazônia após condições climáticas extremas significam que mulheres grávidas têm menos acesso a alimentos nutritivos devido às colheitas ruins e têm maior probabilidade de contrair doenças infecciosas transmitidas por mosquitos, que prosperam em condições úmidas. Ambos tendem a contribuir para o baixo peso ao nascer e o nascimento prematuro. A ansiedade e o estresse que se seguem às inundações também podem desempenhar um papel, dizem os pesquisadores.

As grandes enchentes e secas na Amazônia aumentaram tanto em frequência quanto em gravidade nas últimas décadas devido ao aquecimento global – as enchentes na bacia amazônica estão chegando. cinco vezes mais frequente hoje do que há um século. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, visitou o estado do Amazonas na semana passada, quando as cidades foram novamente submersas pela água, deslocando mais de 100.000 pessoas.

“Quando a Amazônia e as mudanças climáticas são discutidas na comunidade científica ou na mídia, geralmente é em relação a como os incêndios contribuem para as emissões de carbono e coisas assim”, diz Parry. “Acho que mostrar que as mudanças climáticas afetam diretamente a saúde e o bem-estar das pessoas vulneráveis ​​na Amazônia é realmente importante como uma mensagem global.”

“Mitigar ainda mais as mudanças climáticas é muito importante, mas ajudar na adaptação da população amazônica, principalmente das comunidades ribeirinhas, é fundamental”, afirma.

Referência da revista: Sustentabilidade da natureza, DOI: 10.1038 / s41893-021-00684-9

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