Multiplicam-se investigações brasileiras sobre altas taxas para shows de música sertaneja – Billboard

RIO DE JANEIRO (AP) – Um mês depois que um comentário improvisado sobre a tatuagem no bumbum de Anitta desencadeou investigações em todo o país sobre shows de música com financiamento público no Brasil, o número de cidades sob escrutínio mais que dobrou e agora envolve estrelas da música sertaneja brasileira.

Na terça-feira, promotores estaduais estavam examinando ativamente contratos de shows em 70 cidades em cinco estados onde funcionários públicos são suspeitos de concordar em pagar taxas inflacionadas para atrair artistas musicais para suas cidades este ano.

A grande maioria dos shows envolve artistas da cena sertaneja, a versão brasileira da música sertaneja, incluindo Gusttavo Lima.Zezé de Camargo e LucianoWesley Safadão, marrom e marrom, Simone e SimariaS Z Net.

As investigações começaram após Zé Neto, da dupla Zé Neto e Cristianoele insultou a tatuagem no bumbum de Anitta e criticou uma lei federal brasileira de incentivo fiscal chamada Rouanet, que visa incentivar atividades culturais no país.

As reações nas redes sociais, inicialmente dos seguidores de Anitta, viraram a questão, expondo a relação entre o dinheiro público local e a fonte de renda de muitos artistas sertanejos, incluindo Zé Neto. Até agora, o número de cidades onde autoridades foram investigadas, ou onde shows foram temporariamente suspensos ou cancelados por autoridades municipais, é de 81. A lista agora inclui mais 41 cidades em Mato Grosso, estado do interior que faz fronteira com a Amazônia selva.

No Rio Grande do Sul, o Ministério Público acabou arquivando uma investigação sobre um show na cidade de Bom Jesus, alegando não ter encontrado irregularidades na contratação de Simone & Simaria por R$ 380 mil.

Em Iguatu, cidade do Ceará, o promotor diz que o prefeito desviou recursos relacionados aos shows deste mês com Gusttavo Lima e Zezé di Camargo & Luciano. O prefeito enfrenta acusações de desviar mais de 1 milhão de reais (US$ 193.000) destinados à construção de um porto e um templo religioso para custear eventos musicais, segundo Fabio Ottonio procurador distrital.

A pesquisa criou uma nuvem sobre o sertanejo, o gênero musical mais popular do Brasil, cujo apelo cresceu nos últimos anos além do coração do país para incluir suas maiores cidades.

Lima, uma das estrelas da música mais bem paga do Brasil em qualquer gênero, há muito critica o uso de dinheiro público – embora não negue que tenha aceitado altas taxas de cidades pequenas – e disse que as investigações o estavam mirando injustamente. “Tudo o que ele faz respeita a lei”, diz porta-voz de Lima Painel publicitário. “Sua taxa é x, então você cobra x. Ele paga seus impostos e emite suas faturas.”

Wesley Safadão, o segundo artista mais citado nos contratos em análise, cumprirá o que as autoridades locais decidirem sobre a contratação, diz um porta-voz. “Safadão e sua equipe são contratados para cumprir seu papel e farão tudo de acordo com a lei”, afirma o representante.

O escrutínio sobre taxas exorbitantes usando fundos públicos ocorre enquanto o Brasil se prepara para eleições contenciosas em outubro, que colocarão o atual presidente de extrema-direita uns contra os outros. Jair Bolsonaro -que muitos dos artistas sertanejos apoiam- contra o ex-presidente da esquerda Luiz Inácio Lula da SilvaQuem lidera as pesquisas?

Enquanto os funcionários públicos dizem Painel publicitário que ainda é cedo para denunciar qualquer artista sertanejo envolvido nos contratos suspeitos, grandes artistas como Lima, o mais citado por valores extravagantes por show, podem ser obrigados a reembolsar até 20% da renda auferida por um show recentemente ou será temporariamente proibido de se apresentar novamente, diz Renato Toledopesquisador de direito administrativo da Universidade de São Paulo.

Independentemente da lei de Rouanet, programas de música com financiamento público podem estar vinculados a um controverso modelo de financiamento do Congresso chamado Emenda Pix, criado pelo governo Bolsonaro, que permite que representantes eleitos solicitem dinheiro do governo federal e doem para cidades com pouca ou nenhuma responsabilidade.

Essa falta de transparência, explica Toledo, permite que as cidades façam uso liberal do dinheiro federal na contratação de músicos influentes, que poderiam ajudar a apoiar a reeleição de Bolsonaro em troca de taxas de alta performance.

‘Campanhas políticas disfarçadas’

Com o aumento da pressão pública, os promotores de Mato Grosso aumentaram o número de cidades sob investigação de 24 para 65, depois que o jornal Folha de São Paulo revelou que o estado gastou mais de 16 milhões de reais (3 milhões de dólares) em shows financiados pelos contribuintes em 2022. A cidade que mais gasta é Coalinho, que destinou R$ 1,2 milhão para 15 shows em sua maioria rurais, incluindo um com Maiara e Maraisamas também shows gospel, enquanto 40% de seus cidadãos vivem com um salário mínimo de 1.212 reais por mês (234 dólares).

Embora os promotores tenham investigado programas com financiamento público antes, o Procurador-Geral do Estado de Mato Grosso, José Antonio PereiraEle diz que esse tipo de pesquisa exige atenção especial em anos eleitorais.

“Estamos em um ano eleitoral polarizado, então esses programas podem facilmente ser campanhas políticas disfarçadas”, diz Pereira. Painel publicitário. Enquanto os honorários dos artistas “estão naturalmente alinhados com a fama, é preciso levar em conta a capacidade financeira da cidade e o que é melhor para ela… )?”

Prefeitos de cidades pequenas enfrentam consequências potenciais, diz Pereira, como ter que devolver o dinheiro usado para o programa ou ser forçado a deixar o cargo se o programa for politicamente motivado. (Nos casos em que os promotores descobrem suspeitas de corrupção, como suborno, eles podem prender prefeitos.)

A onda de investigações já está surtindo efeito. O Maranhão agora exige que seus municípios declarem os critérios usados ​​para definir o valor de um contrato antes de reservar shows sem licitação. E no dia 13 de junho, um deputado mato-grossense apresentou um projeto de lei federal que obrigaria os prefeitos a informar o Ministério Público sobre os shows pelo menos 15 dias antes do evento, para que os advogados possam analisá-los por possíveis irregularidades.

“Se isso fizer as autoridades pensarem duas vezes antes de decidir como alocar os recursos públicos”, diz Toledo, então o ataque machista à tatuagem no bumbum de Anitta terá inspirado ações concretas para ajudar a fortalecer as instituições democráticas brasileiras.

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