Música do Brasil: as melhores peças da música clássica

Quando pensamos em música brasileira, tipicamente samba, bossa nova, tropicalia e outros estilos musicais conceituados jazz vêm imediatamente à mente.

No entanto, a música clássica brasileira é um vasto e incrivelmente rico tesouro a ser descoberto, com sinfonias, concertos, aberturas e outras formas de música clássica.

Este país icônico tem profundas influências multiculturais com música clássica européia temperada com uma miríade de sabores indígenas e africanos. Aqui estão 6 obras brasileiras que todos deveriam conhecer.

Melhor Música Clássica Brasileira

Abertura do Concerto de Camargo Guarnieri (1907-1993)

Aliás, o compositor Camargo Guarnieri (foto principal) foi curiosamente chamado de “Mozart Camargo Guarnieri”. Apesar de se sentir incomodado com esse nome pretensioso dado a ele por seus pais italianos, ele se tornou um dos maiores nomes da música brasileira.

Entre as várias obras que compôs, esta abertura é uma das aberturas mais espirituosas e comoventes que conheço. Foi escrita em estilo neoclássico para uma orquestra clássica de estatura mozartiana, e confere ao timpanista um papel privilegiado. Guarnieri se baseia nessa abertura, criando um primeiro tema ritmicamente forte que contrasta com um segundo tema liricamente sedutor. Uma deliciosa abertura de concerto!

Sonata em Ré “Burro de Madera” para Orquestra de Cordas de Antonio Carlos Gomes (1836-1896)

O repertório brasileiro possui uma infinidade de obras para orquestra de cordas. a Sonata em Réque é uma obra em quatro andamentos, é talvez o melhor deles.

É uma obra extremamente bem construída e cativante que parece de alguma forma relacionada com TchaikovskySerenata para cordas de . O último movimento da Sonata é conhecido como o “burro de madeira”: Gomes constrói efeitos onomatopaicos com as cordas, imitando uma criança brincando com seu burro de madeira, até que aos poucos através dos efeitos “battuto à la corda”, este burro vem à vida e leva o menino a galope! Embora Carlos Gomes tenha sido elogiado principalmente por ser um compositor de ópera, esta obra é uma jóia que vale a pena descobrir.

Sinfonia nº 2 “Uirapuru” de Camargo Guarnieri (1907-1993)

Em 1945, Guarnieri escreveu sua segunda sinfonia, com o subtítulo “Uirapuru”, que foi dedicada a Villa-Lobos em referência ao balé homônimo de Villa-Lobos de 1917. Reza a lenda que Uirapuru era um pássaro amazônico, um deus do amor, que se transformou em um belo homem indígena amazônico e sobre quem as mulheres indígenas amazônicas discutiam.

A sinfonia tem 3 movimentos (I. energético II. terno III. festivo), e cada um tem grande brilho orquestral. Sua linguagem musical lírica e virtuosa lembra shostakovich.

Heitor Villa-Lobos – Bachianas Brasileiras 4 (1887-1959)

bachianas brasileiras é uma série de 9 composições de suítes orquestrais que homenageiam Bach. É importante levar em conta que, no início do século XX, o Bach de Villa-Lobos tinha um estilo “romântico e épico”, retomando o conceito de compositor de Leopold Stokowski.

A suíte Bachianas mais conhecida é a nº 5, embora todas sejam simplesmente incríveis. Meu destaque especial é o nº 4, que foi composto para orquestra sinfônica. É introduzida por um belo prelúdio para cordas, num adagio que evoca Barber. Este Prelúdio é uma canção coletiva impregnada de nostalgia, provavelmente inspirada na ária de Bach na corda sol. Um encontro de pessoas exprime a sua extrema dor existencial mas, para além do sofrimento, canta também a sua esperança e a sua profunda sede de vida.

Mais como isso

Marlos Nobre, Cabala para orquestra (1939 – presente)

Marlos Nobre é um compositor contemporâneo influenciado por seus professores: Alberto Ginastera, Olivier Messiaen, Aaron Copland e Luigi Dallapiccola. Marlos Nobre concebeu sua impressionante Kabbalah como um abertura em duas partes conectadas que representam luz e energia.

A primeira parte é rigorosamente matemática na organização da estrutura micro e macro, enquanto a segunda parte foi composta totalmente livre da intuição como inspiração espontânea. Nobre usa quase toda uma canção dos povos do Xingu e cria um ritmo frenético e denso que ilustra o movimento tribal.

Heitor Villa-Lobos – Selva Amazônica (1887-1959)

Villa-Lobos dizia que sua obra eram cartas para a posteridade, e sua obra Selva amazônica sem dúvida é. A orquestração de Villa-Lobos sempre foi sofisticada, luxuosa e exuberante. Na verdade, Messiaen disse uma vez que turangalila foi inspirada no estilo de orquestração sinfônica de Villa-Lobos.

A música tem um ritmo primitivista e complexo Stravinsky‘s, um profundo lirismo trágico como shostakovichobra e uma personagem épica que lembra Carmina Burana.

A obra foi encomendada por Hollywood para o filme Green Mansions, mas não foi utilizada da forma que pretendia. Então, ele pegou a música e a transformou em uma peça sinfônica. Um dos grandes tesouros desta suite são 4 canções com uma soprano e uma grande orquestra.

Bis…

Orquestrado por Klaus Ogerman com música de Tom Jobim!

… E como bis, porque não explorar a música de Antonio Carlos Jobim (Tom Jobim) com a orquestração de Klaus Ogerman? Muitas das ricas canções harmônicas do pai da Bossa Nova, Tom Jobim, foram orquestradas pelo grande mestre Ogerman.

Imagem principal: Camargo Guarnieri © Arquivos Nacionais do Brasil, Domínio Público, via Wikimedia Commons

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