Mutações do coronavírus: consulte as respostas às perguntas sobre o impacto da vacina, segunda onda e reinfecção | Coronavírus

Mas o que isso significa? As mutações tornam o vírus mais perigoso ou mais resistente às vacinas que estão sendo desenvolvidas contra ele?

Neste relatório, você poderá fazer perguntas sobre essas e outras perguntas sobre mutações:

  1. O que é uma mutação? Como isso acontece? Por quê?
  2. O Sars-CoV-2 sofre mutação com frequência?
  3. As mutações aumentam as chances de reinfecção?
  4. Com as mutações, o vírus se torna mais fácil de transmitir?
  5. As mutações tornam o vírus mais perigoso?
  6. As mutações tornam o vírus resistente às vacinas?
  7. A segunda onda na Europa é causada por uma mutação?
  8. O que se sabe sobre a mutação encontrada no vison na Dinamarca?

1. O que é uma mutação? Como isso acontece? Por quê?

Uma mutação é um mudança que pode ocorrer em qualquer código genético, incluindo o do novo coronavírus.

Ocorre acidental e aleatoriamente, quando o vírus não consegue se replicar (reproduzir) seu próprio genoma.

Como acontece por acaso, essas mudanças não são necessariamente vantajosas para o vírus (o que se denomina “vantagem adaptativa”). Em outras palavras, nem tudo que muda em seu material genético irá beneficiá-lo. Na verdade, pode até afetar sua reprodução.

Uma dessas perdas pode ter ocorrido, por exemplo, com o Sars-CoV-1, da epidemia dos anos 2000. Uma mutação analisado por cientistas de Alemanha Em um estudo de 2018, publicado na revista científica “Nature”, foi demonstrado que ele retardou a replicação do vírus. Em outras palavras, a “versão” modificada foi reproduzida mais lentamente do que a original.

Por outro lado, uma mutação também pode ser benéfico pelo vírus. Pode ajudar, por exemplo, a se espalhar mais rápido. (Veja os detalhes abaixo)

2. Sars-CoV-2 sofre mutação com frequência?

Não. O novo coronavírus muda de forma lento: o genoma Sars-CoV-2 tende a sofrer duas alterações de uma letra a cada mês. (O código genético é “escrito” com quatro letras, que mudam dependendo do tipo de código: DNA ou RNA).

Essa taxa é metade do vírus da família da influenza e um quarto do HIVexplicou a epidemiologista molecular Emma Hodcroft, da Universidade de Basel, na Suíça, em entrevista ao jornal “Nature”.

No caso do vírus HIV, por exemplo, o alto índice de mutações que sofre é um dos motivos pelos quais ainda não foi criada uma vacina. Para o novo coronavírus, o problema é que não sabemos quanto tempo dura a imunidade.

3. As mutações aumentam as chances de reinfecção?

Depende da mutação. Mas a ciência ainda não sabe exatamente quais podem ajudar na reinfecção.

Virologista Eduardo Flores, da Universidade Federal de Santa María (UFSM), no Rio Grande do Sul, explica que esse cenário ainda é “muito teórico”.

“Em teoria, como ele [o vírus] circula na população, quanto mais mutações se acumulam, mais diferente ela se tornará. Então, em teoria, sim. Quanto mais mutações ele faz, mais ele se torna diferente do vírus original, e a probabilidade de reinfecção aumenta. Mas isso é teórico e de fato [é] principalmente quando há mutações nessas proteínas que o sistema imune dá uma resposta imune ”, explica.

“Se você alterar essas proteínas, então, sim, pode haver um risco aumentado de reinfecção. Mas mutações em outras partes do genoma, em teoria, não aumentariam o risco de infecção. Mas isso ainda é muito teórico”, diz ele.

O primeiro caso confirmado de reinfecção no mundo, publicado em revista científica, foi o de um Paciente de Hong Kong. Os cientistas sequenciaram o código genético das duas “versões” do vírus, viram que eram diferentes e concluíram que o vírus havia sido infectado duas vezes.

“Essa detecção de mutações nos vírus que eles reinfectaram não significa necessariamente que foi por causa dessas mutações que ele conseguiu reinfectar”, explica Eduardo Flores, da UFSM.

“Foi simplesmente uma maneira que encontraram de provar, de demonstrar inequivocamente, que o vírus da segunda infecção é um pouco diferente do primeiro. Mas não é que essas mutações tenham algo a ver com a capacidade de reinfectar”, diz ele.

4. Com mutações, o vírus é mais fácil de transmitir?

Como visto no caso de Sars-CoV-1, depende da mutação.

UMA olhe para publicado na última quinta-feira (12) na revista científica “Science” apontou que o Sars-CoV-2 variante D614G replicou aproximadamente 10 vezes mais rápido e era mais infeccioso (mais fácil de transmitir).

Só que ela não é nova.

“Essa mutação D614G, que apareceu na ‘Science’, apareceu na China, acho que em fevereiro, e aos poucos, metade dos casos começou a ter essa mutação. Aqui no Brasil a epidemia já começou com a mutação, então 95% das pessoas já têm essa mutação”Explica Ester Sabino, médica e cientista da Faculdade de Medicina de USP. A equipe de pesquisadores Ele sequenciou, em tempo recorde, o código genético do novo coronavírus quando ele chegou ao Brasil em março (ver vídeo)

Quem são os brasileiros que sequenciaram o genoma do novo coronavírus

Na pesquisa “Science”, os cientistas usaram hamsters como cobaias, que foram infectadas com a versão “original” do vírus ou com a versão mutada. Em seguida, eles foram colocados em gaiolas.

No dia seguinte, 8 hamsters saudáveis ​​(não infectados) foram colocados em gaiolas ao lado dos animais infectados com cada vírus. Havia uma divisão entre eles, então eles não podiam se tocar, mas havia circulação de ar entre as gaiolas.

As duas “versões” do vírus foram transmitidas por via aérea, mas a velocidade era diferente:

  • No caso do vírus original, dois dias após a exposição dos hamsters saudáveis, nenhum foi infectado. Quatro dias depois do show, todos estavam lá.
  • No caso do vírus mutante, no entanto, dois dias após a exposição, 5 dos 8 hamsters já estavam contaminados.

“Vimos que o vírus mutante se transmite melhor pelo ar do que o vírus [original], o que pode explicar por que esse vírus é dominante em humanos “, explicou o virologista Yoshihiro Kawaoka, pesquisador da Universidade de Wisconsin em Madison, Estados Unidos, e um dos autores do estudo. A equipe de Wisconsin trabalhou em estreita colaboração com cientistas da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, também nos Estados Unidos.

Ester Sabino, da USP, explica que o fato de a variante D614G se espalhar mais rápido o tornou mais dominante. Em outras palavras: apareça mais que os outros.

“Ganhe dias de vantagem na transmissão”, explica Sabino.

5. As mutações tornam o vírus mais perigoso?

Não necessariamente. Por acontecerem por acaso, as mutações não funcionam necessariamente “a favor” do vírus. E no caso de Sars-CoV-2, Não há nenhuma indicação, até agora, de que as mutações que sofreu o tornaram mais perigoso. no sentido de causar uma doença pior.

Nenhum caso dá variante D614G, por exemplo, pesquisadores não eles viram sintomas respiratórios piores em hamsters e camundongos infectados com ele em comparação com o vírus “pai”.

De acordo com Ester Sabino, ainda não existe uma variante do Sars-CoV-2 conhecida pela ciência que esteja causando sintomas piores do que outros nas pessoas.

6. As mutações tornam o vírus resistente às vacinas?

Como funcionam as vacinas?

Como funcionam as vacinas?

De novo, não necessariamente. No caso do D614G, por exemplo, os cientistas notaram que os anticorpos o neutralizaram de forma semelhante ao vírus original.

“Esses dados também sugerem que abordagens atuais de vacinas direcionadas contra o vírus selvagem [original] deve ser eficaz contra as cepas D614G “, afirmam os pesquisadores do estudo.

Uma vacina é projetada para induzir o corpo a produzir anticorpos contra o invasor. No caso dos vírus, para cumprir essa missão, o imunizador pode ter o vírus completo (mas inativado ou atenuado), seus fragmentos ou proteínas, ou informação genética.

Com isso, o corpo pode montar uma defesa e, se entrar em contato com o vírus “real”, pode se defender contra ele.

7. A segunda onda na Europa é devido a uma mutação?

No final de outubro, cientistas de vários institutos e universidades da Suíça e da Espanha afirmaram ter identificado uma nova variante do novo coronavírus na Europa, mas não sabiam dizer se o aumento de casos não continentes estava relacionado a isso.

Nesta quarta-feira (18), o vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Guia), Jarbas Barbosa, afirmou que Não é verdade que a segunda onda de casos na Europa está relacionada a uma mutação não coronavírus.

“As condições da Europa em relação à segunda vaga são as mesmas que tínhamos antes, foi a abertura da economia, a convivência das pessoas em espaços fechados, o verão, as viagens, todos nós sabemos muito bem”, disse Barbosa.

8. O que se sabe sobre a mutação encontrada no vison na Dinamarca?

Em 5 de novembro, as autoridades dinamarquesas relataram 12 casos de Covid-19 em humanos, causados ​​por uma variante única do novo coronavírus que não havia sido documentada antes. A mutação estava associada aos visons, animais que são criados em grande número no país para a fabricação de casacos de pele.

Visons são vistos em gaiolas em uma fazenda em Næstved, no centro-oeste da Dinamarca, nesta sexta-feira (6). – Foto: Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / AFP

Testes de laboratório na Dinamarca indicaram que essa mutação pode ter reduzido a resposta do vírus aos anticorpos neutralizantes. Mas as descobertas são preliminares e mais estudos estão em andamento para confirmá-las.

Desde junho, 214 casos de Covid-19 foram identificados no país com variantes Sars-CoV-2 associadas a visons cultivados, incluindo 12 casos com a variante única.

As autoridades dinamarquesas decidiram, depois de detectar a variante, sacrificar os 12 milhões de visons no país, temendo que a mutação tornasse uma vacina contra o coronavírus ineficaz.

Ester Sabino alerta, porém, que um único estudo não é suficiente para concluir que a versão modificada do vírus será resistente a uma vacina.

“Às vezes vemos algo em vitro [em laboratório] e preciso de mais dados. A ciência geralmente nunca será baseada em um único estudo. Provavelmente vai [um estudo] em animal. Acho que esse seria o melhor estudo para realmente mostrar que a vacina não funciona para esse vírus ”, explica o cientista.

Um segundo estudo, conduzido por pesquisadores na Holanda: que também ordenou o abate de visons em junho – mostrou uma mutação na proteína do vírus que se liga ao receptor humano. Mas a mutação não continuou a se espalhar e não foi vista desde então, disse um dos autores do estudo em uma entrevista ao jornal “Science” na semana passada.

“De qualquer forma, não é bom que outro animal, outra espécie, se infecte, porque outras mutações podem começar a aparecer naquele animal, ou esse vírus pode se recombinar com outros vírus que estão na natureza”, diz Ester Sabino.

VÍDEOS: veja o que há de novo na vacina contra o coronavírus

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