Na primeira rodada de notícias falsas sobre PL, as mídias sociais têm uma vitória inesperada – 26/06/2020

Na primeira rodada de notícias falsas sobre PL, as mídias sociais têm uma vitória inesperada - 26/06/2020

A votação no Senado sobre “notícias falsas sobre PL” tinha tudo para ser 7 x 1 contra mídias sociais e aplicativos de mensagens. Mas o que se viu foi uma vitória inesperada para as plataformas no primeiro dia de votação da lei que se tornou o inimigo número 1 de toda entidade, empresa ou especialista envolvido com a internet no Brasil.

A mudança ocorreu em pelo menos três dos pontos mais controversos do PL 2630. Com a votação adiada, há mais tempo para as empresas de tecnologia secarem ainda mais o texto ou … para os senadores incluirem ainda mais surpresas.

Requisitos e contratempos

Desde a sua criação, o projeto passou por uma metamorfose até se tornar uma série de ações judiciais que as mídias sociais devem adotar para identificar os suspeitos de má conduta. Esse recurso ainda está lá, mas:

  • Com a sessão já iniciada, o relator do assunto, senador Angelo Coronel (PSD-BA), apresentou um novo relatório. Ao contrário do primeiro texto …
  • … O documento traz pontos que agradam as plataformas. São coisas como …
  • … A eliminação do requisito de que eles tenham um banco de dados no Brasil …
  • … A obrigação de registrar as mensagens encaminhadas pelo WhatsApp foi mantida, mas apenas para aquelas que chegam a mil pessoas. E isso é ótimo, porque era tão sério que o WhatsApp chamou a sugestão de tornozeleira eletrônica. Mas…
  • … Também existem contratempos que os cidadãos devem comemorar, como não precisar mostrar ID ou CPF para criar um perfil em uma rede. Só que…
  • … Os políticos também ficaram felizes, pois a multa de até R $ 1 milhão também foi reduzida para candidatos presos, distribuindo propaganda ridicularizando os oponentes.

O ônibus PL

As “notícias falsas sobre PL” tiveram três encarnações. A princípio, deu às mídias sociais o poder de decidir o que deveria ser removido por serem notícias falsas. No segundo, ele começou a se concentrar no dinheiro fornecido pelas operações de desinformação. No último, trouxe requisitos ao criar contas nas redes sociais e rastrear mensagens.

Nesse contexto de reviravoltas alucinantes, o fato de uma de suas novas versões ter mantido o conteúdo da versão anterior minimamente é algo para comemorar.

Como as novas mudanças têm o potencial de economizar milhões de dólares para as mídias sociais, afinal, o custo de armazenar dados para todos os brasileiros dentro do país não seria barato, tornando-o uma festa no Vale do Silício.

Mais discussões estão chegando

Nesse empurrão entre plataformas e senadores, ainda restava algo para nós, cidadãos simples, reivindicar a vitória. Não é necessário fornecer documentos de identidade para empresas com superpotências, que já possuem muitos de nossos dados.

Tão grande que você quase esquece por um minuto os pontos restantes de grande preocupação. É aí que as postagens só podem ser removidas após um processo de moderação, que envolve o direito de defesa. Enquanto isso, eles permanecem no ar, apesar de seu conteúdo.

E prepare-se! Para a próxima terça-feira (30), Angelo Coronel incluiu um novo fator de discórdia: a obrigação das redes e aplicativos sociais de pagar jornalistas e empresas de mídia pelo uso de seu conteúdo. Em outros países, como a França, esse requisito levou dois anos para ser discutido e foi descrito em uma lei completa. Aqui, teremos cinco dias de discussão e este é apenas um dos artigos da proposta. É um teste cardíaco ou não?

* Este conteúdo foi publicado inicialmente no boletim semanal da Inclinação enviado nesta sexta-feira (24). Para receber outros boletins gratuitos, Clique aqui.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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