Naima Bock: Revisão do Álbum de Palmeira Gigante

Naima Bock inicia “Every Morning”, a impressionante terceira música de seu primeiro álbum solo, palmeira giganteem conversa consigo mesma. As linhas de abertura da música vêm como uma chamada e resposta, com um grupo de backing vocals interpretando as dúvidas persistentes dentro da cabeça do cantor, expressando suas perguntas em uma harmonia espetacularmente rica. As respostas de Bock são comparativamente subestimadas. Estamos supondo que estamos no rescaldo de algum tipo de separação, aparentemente iniciada pela própria cantora. Sua responsabilidade pela separação não diminui sua dor, uma aparente contradição que suas falas francas reconhecem sem remorso. “Olá carinho,o coro de vozes começa. “Sim, estou de luto”, responde Bock.

Esta chorando?
Cada manha
É por causa deles?
Assim é
mas você os deixou
Que assim seja

Ao final da troca, a voz de Bock começou a se fundir com as outras. Eles voam juntos quando chegam à linha de saída, com uma soprano no grupo de apoio parecendo particularmente determinada a romper as nuvens. Mesmo depois de repetidas escutas, este momento não é uma surpresa, o súbito aumento da melodia sugerindo uma certa alegria na partida que é misturada tacitamente com a dor da letra. Mais tarde, um refrão de três palavras, apresentando uma versão ligeiramente despojada da mesma melodia ascendente, aprofunda a ambiguidade no coração da música: “Às vezes eu minto”.

Trabalhando em colaboração com o arranjador Joel Burton e mais de 30 instrumentistas, Bock gravou palmeira gigante depois de um período de aposentadoria de fazer música em público, tendo deixado a turbulenta banda pós-punk de Londres Goat Girl em favor de uma vida mais tranquila fora da estrada. Ela continuou a escrever músicas, mas não tinha planos específicos de fazer um álbum até que Burton a convenceu a colaborar. Foi uma união fortuita. As contribuições de Burton para palmeira gigante—um conjunto caleidoscópico de instrumentos orquestrais e eletrônicos— são tão importantes que a dupla considerou criar um novo nome para a banda em vez de lançá-lo como um álbum solo de Bock.

Bock, que é descendente de brasileiros e gregos e viveu no Brasil quando criança, poderia ter lançado um álbum marcante mesmo sem a intervenção de Burton. Sua composição combina observações concisas com reviravoltas melódicas ousadas, transmitindo ideias que as palavras na página apenas sugerem. Ela tem um poder claro como cantora, mas raramente se emociona demais, favorecendo um estilo discreto e vernacular que evoca cantores de bossa nova como Astrud Gilberto e Nara Leão, por um lado, e revivalistas do folk britânico, como Shirley Collins e Bert Jansch, por outro. (Além de apresentar seu próprio material, Bock também é membro do hacks lateraisum coletivo de jovens músicos londrinos cujo objetivo é revitalizar a música tradicional inglesa para uma nova geração, da mesma forma que Collins, Jansch e seus semelhantes fizeram décadas antes deles). É fácil imaginar uma versão palmeira gigante apresentando apenas os vocais e a guitarra de Bock, ou uma banda de folk-rock mais direta, que é bastante emocionante por conta própria.

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