Não exagere! Misturar lixívia com sabão ou outro produto é perigoso – 16/05/2020

Não exagere! Misturar lixívia com sabão ou outro produto é perigoso - 16/05/2020

“Você está esterilizando TUDO o que entra em sua casa?”, Perguntou Titi Müller no Twitter. TODOS. Alimentos, recipientes, chão, mãos, bolsas … Essa rotina de limpeza e desinfecção que transformou nossos dias em quarentena não é fácil. Mas acalme-se: o cuidado é importante, o excesso é perigoso.

Água com sabão e álcool ajudam bastante na prevenção do coronavírus, mas é o alvejante que funciona melhor quando se trata de limpar ou desinfetar o excesso de alimentos. Só porque é uma substância muito poderosa, deve ser administrada com mais cuidado e não pode ser misturada com outra coisa senão a água.

Se você desejar duplicar os cuidados para evitar a contaminação, não tente misturar água sanitária com outros produtos, pois isso pode fazer com que a substância libere vapores tóxicos. Um exemplo é a cloramina, resultado que pode resultar da mistura de hipoclorito de sódio com amônia (NH3) presente em alguns produtos de limpeza ou, até mesmo, em outros compostos que possuem nitrogênio.

O que o alvejante faz?

É a diluição de um sal (NaClO, hipoclorito de sódio) na água, ou seja, apesar de ser chamado de cloro, na verdade é hipoclorito, um derivado do cloro. “Embora seja uma solução diluída, o alvejante, como é vendido ao consumidor, permanece muito agressivo e não deve ser usado puro”, diz Antonio Florencio, doutor em química na Universidade Federal Fluminense (UFF).

O que fazer então? Coloque mais água. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, ao fazer isso, você não está “enfraquecendo” a substância, mas alterando algumas características dela. Diluído em água, o hipoclorito de sódio sofre hidrólise e, portanto, chega o ácido hipocloroso (HClO), uma substância anti-séptica e um poderoso oxidante.

Em contato com as estruturas dos microrganismos, o alto fator de pH do alvejante afeta o funcionamento das proteínas e enzimas que eles usam para sobreviver.

O que o sabão faz?

Sabão, sabonetes e detergentes têm duas funções. A primeira é a de um emulsificante, ou seja, eles ajudam a ligar moléculas de água e gordura, que normalmente não se ligariam. O segundo é a remoção mecânica, que faz com que sujeira e microorganismos saiam de suas mãos, por exemplo, junto com a água.

As moléculas de sabão têm duas “dicas”: uma hidrofílica, capaz de aderir às moléculas de água, e a outra hidrofóbica, que liga as moléculas de óleo, graxa e sujeira. A função emulsificante faz com que o sabão adira à proteção do coronavírus, feito de graxa, quebrando-o. Depois de lavadas, essas pontes de moléculas de água e detritos de vírus e sujeira são transportadas pelo ralo.

“No caso de coronavírus ou outros vírus, como gripeHá uma camada de gordura chamada envelope, cuja função é proteger o microorganismo do meio ambiente. Esta camada é dissolvida com álcool ou detergente. Quando isso ocorre, o vírus fica completamente inativo, não pode mais infectar ninguém “, explica Laura de Freitas, doutora em Biociências e Biotecnologia na Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Existem vírus que não possuem esse envelope gordo, mas ainda são removidos com sabão. “Mas por outro mecanismo, que é a interação com as proteínas que compõem esses microorganismos”, diz o especialista.

A ação do sabão nos vírus é geralmente imediata, mas a eficiência depende da concentração de germes em locais como as mãos. Para garantir a limpeza em toda a área, é recomendável lavar as mãos devagar e com cuidado.

O que o álcool faz?

O álcool também dissolve lipídios (gorduras) que envolvem vírus e bactérias e também interfere nas proteínas germinativas, gerando um efeito semelhante ao da coagulação. A diferença é que normalmente não enxaguamos após o uso, portanto não há remoção mecânica da sujeira.

Mas é importante saber que nem todo álcool é eficiente. “Etanol [que todo mundo compra no supermercado para usar no dia a dia] é eficiente, mas somente se for usado em concentrações entre 60% e 80% “, explica o especialista”. No caso de álcool com uma concentração próxima de 70% [a do álcool gel]Leva 30 segundos a um minuto para que o vírus se torne inutilizável. No caso de limpeza das mãos, é tempo suficiente para passar o produto e esperar que ele evapore. “

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Imagem: UOL Art

Para a concentração de álcool, observe a embalagem. As informações são geralmente escritas assim: 46º INPM. A sigla refere-se ao Instituto Nacional de Pesos e Medidas e o número indica a proporção da mistura entre água e álcool no produto (46% de álcool puro e 54% de água).

Encontrar álcool líquido com uma concentração entre 60% e 80% para venda não é uma tarefa muito simples, especialmente durante a pandemia. Não tente alterar a concentração de álcool, etanol ou qualquer outro tipo de álcool sozinho, pois isso pode tornar a substância ineficiente ou prejudicar a saúde.

Nesse caso, a recomendação é usar sabão, que é a maneira mais eficaz e barata de combater o vírus.

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