Não intimide Riad, dizem colunistas sauditas ao governo Biden

DUBAI (Reuters) – A soberania da Arábia Saudita é uma linha vermelha, disseram colunistas sauditas no domingo, intensificando a retórica em defesa do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman depois que um relatório da inteligência dos EUA o implicou no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

O príncipe Mohammed, o governante de fato da potência aliada dos EUA no Golfo, negou qualquer envolvimento no assassinato de Khashoggi em 2018 no consulado saudita em Istambul.

O governo dos EUA impôs sanções na sexta-feira a alguns dos envolvidos, mas perdoou o príncipe. Washington divulgou um relatório de inteligência dizendo que o príncipe herdeiro aprovou uma operação para capturar ou matar Khashoggi.

“Os Estados Unidos não têm o direito de intimidar um aliado regional estratégico e não é de seu interesse permitir que diferenças internas prejudiquem seus interesses regionais e os de seus parceiros”, escreveu Khaled al-Malik no jornal local Al Jazirah.

A decisão do presidente Joe Biden de divulgar o relatório retido por seu antecessor republicano Donald Trump, que tinha fortes laços com o príncipe Mohammed, traz consigo uma reorientação da posição de Washington sobre como lidar com o reino, seu histórico de direitos humanos e suas lucrativas compras de armas. .

Malik disse que a Arábia Saudita, que tem contado com os Estados Unidos para sua defesa mesmo durante a primeira Guerra do Golfo e depois dos ataques de 2019 à sua enorme infraestrutura de petróleo, pode procurar armas na China e na Rússia.

“Mas o reino prefere os Estados Unidos por causa de seus laços históricos e estratégicos e seus objetivos comuns”, disse ele, referindo-se ao Irã.

Biden, que ordenou uma revisão das vendas de armas sauditas, disse que seu governo faria um anúncio na Arábia Saudita na segunda-feira.

Abdullah al-Otaibi, escrevendo no jornal londrino Asharq al-Awsat, de propriedade da Arábia Saudita, disse que o reino, o mais antigo aliado árabe de Washington, “não é uma república das bananas que pode ser abalada por ameaças”.

O governo saudita repetiu declarações anteriores de que o assassinato de Khashoggi foi um crime hediondo cometido por um grupo rebelde, pelo qual um tribunal saudita prendeu oito pessoas no ano passado.

“Queremos fortalecer laços profundos (com os Estados Unidos), mas não às custas de nossa soberania. Nosso judiciário e nossas decisões são uma linha vermelha”, escreveu Fahim al-Hamid no jornal Okaz.

Desde que o relatório dos Estados Unidos foi publicado, muitos sauditas inundaram o Twitter com a hashtag “Somos todos Mohammed bin Salman.”

A principal autoridade religiosa da Arábia Saudita emitiu uma declaração no domingo rejeitando o relatório como “falso e inaceitável”. O chefe da polícia moral do reino twittou que era um dever do Islã defender o reino e seus líderes.

(Reportagem de Ghaida Ghantous; Edição de Frances Kerry)

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