Nem coroa nem influenzaz: qual foi o primeiro vírus conhecido pelo homem? – 04/06/2020

Nem coroa nem influenzaz: qual foi o primeiro vírus conhecido pelo homem? - 04/06/2020

Pergunta de Malu Dias, de São Paulo (SP) Deseja enviar uma pergunta também? Clique aqui

Amado e colocado em quarentena, Malu – o primeiro vírus conhecido não estava em morcegos ou infectados com um frio – apareceu em uma planta que foi queimada popularmente para fins recreativos. Sim, foi na fumaça que o primeiro vírus catalogado em humanos, o “vírus do mosaico do tabaco” (TMV), apareceu há 122 anos.

Quem deu origem à descoberta foi o biólogo holandês Martinus Beijerinck, considerado um dos pais da virologia. Embora seu estudo remonta a 1898, ele seguiu os passos de outros cientistas para chegar lá: a primeira pista apareceu 12 anos antes, em 1886, quando o alemão Adolf Mayer descreveu uma doença transmissível entre as plantas de tabaco.

Mais tarde, em 1892, o russo Dmitri Ivanovsky observou que não foram as bactérias que espalharam a doença, mas organismos ainda menores. Ele chegou a essa conclusão depois de amassar folhas de tabaco infectadas e passar o suco verde resultante pelos filtros de Chamberland, tecnologia de ponta da época inventada pelo microbiologista francês Charles Chamberland, colega de laboratório de Louis Pasteur. Se os agentes infecciosos fossem bacterianos, seriam bloqueados na filtração, o que não ocorria. O líquido saiu do outro lado sem bactérias, mas não houve desintoxicação – ele ainda estava infectado.

Repetindo a filtragem de Ivanovsky, Beijerinck observou que o agente infeccioso podia se reproduzir e se multiplicar dentro das células das plantas de tabaco. A partir dessa observação, Beijerinck usou o termo “vírus” para descrever que o agente infeccioso do tabaco não era bacteriano; no entanto, a palavra vírus, que significa “veneno” no grego original, já havia sido usada para descrever agentes infecciosos (não observados ou identificados na época) em 1728.

Ok, Beijerinck selou que havia um agente além de uma bactéria por trás da doença e a chamou de vírus, mas o pai do menino não entendeu completamente a natureza do filho. Como os vírus podem ser até 100 vezes menores que as bactérias, era impossível vê-los sob microscópios de luz. Beijerinck assumiu que os vírus se comportavam como um líquido, usando a expressão “contagium vivum fluidum” (algo como “fluido de contaminação vivo” em latim) para descrever o TMV.

Mas a fluência de Beijerinck foi frustrada 50 anos depois por um futuro vencedor do Prêmio Nobel e Pulitzer (um precursor de Bob Dylan). O bioquímico e virologista americano Wendell Stanley cristalizou o TMV e estabeleceu que os vírus eram, de fato, partículas. Mas o próprio Stanley também não tinha um conhecimento completo dos vírus, pois acreditava que eram proteínas puras; Mais tarde, descobriu-se que também há RNA e até lipídios (gorduras) na estrutura viral.

Desde então, o TMV tem sido um modelo essencial para o campo do conhecimento que ele ajudou a encontrar: virologia. Pouco a pouco, cientistas de várias especialidades o observaram e, a partir daí, começaram a entender melhor o funcionamento dessas estruturas que nem sequer podem ser consideradas, a rigor, como formas de vida, mas isso é assunto para outra publicação.

Depois de muitos, muitos tijolos de conhecimento acumulados nos últimos cem anos, temos uma sólida e cada vez maior compreensão de quem eles são, onde vivem e quais vírus se alimentam. Já existem cerca de 5.000 espécies identificadas, embora existam milhões delas por aí.

E não faltam informações sobre como é sua estrutura físico-química, como elas se espalham e até como podem controlar essa propagação. Isso não impede que uma nova variedade, de um tipo de vírus já conhecido (o coronavírus, neste caso, seja conhecido em animais desde a década de 1930 e em humanos desde a década de 1960), para nos desafiar como espécie.

Uma parte importante desse desafio está sendo cumprida pelos incansáveis ​​construtores de conhecimento civil: de acordo com uma pesquisa de Sabine Righetti e Estêvão Gamba, “No final de março, pesquisadores de todo o mundo publicaram 642 estudos, um a cada três horas.“sobre o novo coronavírus, nas palavras de Righetti.

Que toda essa informação se torna viral e afeta a vida das pessoas com mais eficiência do que a covid-19. Viva a ciência. Fique em casa.

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