No Dia da Independência, o presidente do Brasil planeja exibir seus laços militares: NPR

O presidente Bolsonaro está pedindo a seus apoiadores que saiam às ruas no Dia da Independência. Isso pode ser um precursor de mais ataques verbais às instituições democráticas antes das eleições do próximo mês.



PARA MARTINEZ, ANFITRIÃO:

É o dia da independência do Brasil, e o presidente de extrema direita do país, Jair Bolsonaro, planeja usar a celebração de hoje para exibir seus laços estreitos com as forças armadas. Isso ocorre em meio à crescente preocupação de que Bolsonaro se recuse a deixar o cargo se perder a eleição presidencial do próximo mês. Para mais, estamos acompanhados de John Otis, que cobre o Brasil para a NPR. John, o que deve acontecer hoje?

JOHN OTIS, BYLINE: Sim. Bem, primeiro, Bolsonaro planeja participar de uma parada militar em Brasília, que é a capital, e esse é um evento anual bastante normal, mas depois ele fará algo realmente fora do comum. Ele voará para o Rio de Janeiro, onde fará um discurso na icônica praia de Copacabana, e esse evento contará com uma flotilha naval, um show aéreo com paraquedistas saltando de aviões e também canhões que dispararão uma salva de 21 tiros .

MARTINEZ: Então parece uma festa na praia de uma campanha militarizada.

OTIS: Sim, quero dizer, é… o que realmente é, é meio que um golpe de campanha de última hora. Todas as pesquisas no Brasil mostram Bolsonaro atrás de seu rival de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, que é ex-presidente. Então, Bolsonaro está tentando fazer algo realmente dramático para virar a mesa e reiniciar sua campanha. Você pode compará-lo ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, usando o Monte Rushmore como pano de fundo para o 4 de julho para sua campanha de reeleição de 2020. Bolsonaro também está ocupado promovendo o evento de hoje em comerciais de TV como este. .

(SOUNDBITE DE GRAVAÇÃO ARQUIVADO)

PRESIDENTE JAIR BOLSONARO: (Falando português).

OTIS: Agora, nele, você está incitando os brasileiros a lotar a praia de Copacabana hoje para ter essa grande demonstração de força.

MARTINEZ: Então, por que o evento causou tanta polêmica no Brasil?

OTIS: Bem, principalmente porque Bolsonaro tem sido muito tímido sobre se ele realmente deixaria o cargo se perdesse nas eleições de 2 de outubro, e os sinais não são muito bons. Ele argumentou que as pesquisas estão erradas, que o sistema de votação eletrônica do Brasil está cheio de fraudes e que os militares deveriam supervisionar a contagem de votos. Agora, se Bolsonaro perder e se Bolsonaro tentar se agarrar ao poder, ele provavelmente contaria com o apoio militar. Bolsonaro é, como você deve se lembrar, um ex-capitão do exército. Seu governo está cheio de ex-militares. E afirmou várias vezes que só Deus pode me tirar da presidência. Portanto, se Bolsonaro conseguir atrair multidões hoje na praia de Copacabana, os militares podem interpretar isso como um aumento do apoio popular para que o presidente permaneça no poder mesmo que perca.

MARTINEZ: Mas então os militares brasileiros realmente apoiariam um movimento extremo de Bolsonaro?

OTIS: Bem, quero dizer, essa é a grande questão. É provável que ele obtenha o apoio de alguns oficiais militares, mas é mais duvidoso que todos os altos escalões concordem com um golpe completo. As autoridades agora no Brasil estão em alerta máximo para qualquer tipo de ataque à democracia brasileira. Recentemente, eles invadiram as casas de vários empresários brasileiros que, em mensagens de texto, pareciam estar apoiando um golpe militar. Mas, dito tudo isso, lembre-se também que o Brasil tem uma longa história de golpes militares, e foi governado por uma ditadura militar em 1985.

MARTINEZ: John Otis cobre o Brasil para a NPR. João, como sempre, obrigado.

OTIS: Obrigado por me receber.

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