Nos arredores de São Paulo, o retorno à escola gera incerteza – 2/8/2020 – Cotidiano

Em Carapicuíba, Grande São Paulo, a manicure Karina Nascimento de Carvalho, 29 anos, vê com preocupação a idéia de de volta às aulas no início de setembro, entre os casos Covid-19. “Se é difícil para nós, adultos, manter o isolamento, você pode imaginar uma criança?”, Ele pergunta.

A mãe de Rodrigo, de 9 anos, que está na quarta série de uma escola pública da cidade, entende que ficar em casa agora é a coisa mais segura, pois Rodrigo tem problemas respiratórios, como rinite e asma.

“Eles não querem usar uma máscara o tempo todo na escola, quando vão comer, vão compartilhar com o colega de classe, além de compartilhar o lápis e a borracha. Eles ainda são muito jovens, não têm noção de perigo”, diz a mãe.

O sentimento de Karina não é um consenso entre as mães da periferia de São Paulo, mas indica as dificuldades de se voltar cara a cara.

Em geral, todas as mães estão preocupadas com o processo e os riscos da transmissão do Covid-19. Por outro lado, a necessidade de trabalhar e não tem ninguém para deixar as crianças com Houve um problema durante a parada.

Karina trabalha no regime MEI (Micro Individual Empreendedor), fazendo unhas em um salão de beleza em um shopping center localizado em Alphaville, um rico distrito financeiro de Barueri, cidade vizinha da Grande São Paulo.

Ele voltou ao trabalho na segunda semana de julho e sua mãe, Lucimar, 52, está cuidando de Rodrigo, no entanto, a avó nem sempre pode ficar com o filho, pois ela precisa ir a consultas médicas.

Além disso, Karina diz que seu filho acha difícil fazer atividades escolares em casa. “Acho que o ensino pode durar mais, mas a vida não. É mais fácil aprender depois do que perder as pessoas de quem gostamos”, diz ele.

Em Sacomã, no sul de São Paulo, Karina Ramos de Lucena, 31 anos, vive uma situação diferente. Há quatro meses, ela mudou de rotina na recepção de uma escola particular em Vila Prudente, leste de São Paulo, para ficar em casa em tempo integral com seu filho Giovanni, de 3 anos, com quem mora no bairro Jardim Santa Tereza.

Demitida da escola, Karina espera ser contratada novamente quando as aulas retornarem, o que significa que a menina também deve retornar à escola.

Giovanni é aluno de berçário público desde que ela tinha sete meses e Karina tem medo de perder o lugar que levou seis meses para sair.

“Sou a favor de voltar à escola, digo por mim mesmo, que preciso trabalhar e não tenho ajuda para cuidar disso”, diz a mãe. “Vou precisar mandá-lo para a escola, porque a única maneira de apoiá-lo é voltar ao trabalho.”

No entanto, a recepcionista acredita que há uma necessidade de menos alunos por turma. “Eles precisam fazer um plano como nas férias, para que apenas as crianças cujos pais realmente trabalham vão para a escola”.

No estado de São Paulo, O prognóstico para o retorno à sala de aula das aulas os estados público e privado estão no dia 8 de setembro, o que depende do progresso feito para flexibilizar a quarentena, o Plano de São Paulo. O plano divide as cidades em cores com base no número de casos Covid-19 e leitos hospitalares disponíveis para definir se as lojas e estabelecimentos podem ser abertos.

Inicialmente, a retomada das aulas seria possível se todo o estado permanecesse por 28 dias na fase amarela de reabertura. No entanto, nesta semana, o governo recalibrou o plano com novas regras. Se 80% da população estiver nessa fase durante o período estabelecido, as aulas poderão ser retomadas pessoalmente.

Dentro do plano de volta às aulas, são fornecidos alguns critérios de segurança. Na primeira etapa, cada escola só poderá trabalhar com até 35% da capacidade total da sala de aula, com exceção da educação infantil.

Alunos e funcionários devem obedecer a uma distância de 1,5 m, os intervalos e intervalos devem ser em classes alternativas e o EPI deve ser distribuído aos professores e funcionários, além do uso obrigatório de máscaras.

A opinião na casa dos desempregados Dayana Alcântara da Silva Araujo, 24, se o retorno às aulas presenciais este ano é obrigatório é unânime: seria melhor se as três crianças perdessem o ano.

“Meus filhos não voltam, eu prefiro que fiquem em casa, é um risco, a menos que corram. E se eles disserem que se não o fizerem, perderão o ano, tudo bem, eles perderão. Prefiro que sejam saudáveis ​​em casa”, diz ele. .

Dayana é mãe de Leonardo, 9 anos, José Alejandro, 5 e Antonio, 1. Ela mora com os filhos e o marido no bairro Jardim São Bento Novo, em Capão Redondo, no extremo sul da cidade. Todas as crianças estudam nas escolas municipais.

Mesmo com menos alunos por turma, ele diz que não acha que as crianças possam atender aos protocolos de saúde. “Não vai funcionar, porque os funcionários não estarão presentes o tempo todo para monitorar as crianças. Mesmo que elas paguem uma taxa por quarto, ainda há muitas.”

Dayana atualmente cuida de seus filhos enquanto faz tarefas domésticas, pois perdeu o emprego no início da pandemia. “A pandemia foi muito ruim para nós financeiramente. Se meu marido não estivesse trabalhando, ele teria que pedir ajuda aos familiares.”

No nível municipal, a proposta de retorno às aulas presenciais foi aprovada na primeira votação na câmara na última quarta-feira (29) e passará por uma segunda rodada na casa na próxima semana antes de ser sancionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) .

O texto não estabelece uma data de retorno e fornece, entre outras diretrizes, que os pais podem escolher se seus filhos vão à escola ou não, que os alunos têm aprovação automática no ano letivo de 2020 e que uma parcela dos estudantes tem educação. a tempo completo. .

Além disso, autoriza a compra de vagas em instituições privadas de ensino e a contratação emergencial de profissionais, o que gerou críticas entre a oposição, parte da população e profissionais da educação pública.

Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada em 26 de julho, para 76% dos brasileiros, as escolas devem permanecer fechadas pelos próximos dois meses devido à pandemia. É o que pensa Aparecida da Conceição Rodrigues, 40, que mora na Cidade Tiradentes, no lado leste da cidade. Ela e o marido compartilham a opinião de que a filha de 11 anos, Sara, só voltará à escola no ano que vem.

Aluna de uma escola pública municipal, a jovem está no sexto ano e, embora não esteja muito motivada com as aulas on-line, se possível, ficará em casa. “Não gostaríamos de enviar pedidos, é muito difícil controlar essas crianças na escola”, diz Aparecida.

Proprietários de um bar e uma mercearia, o casal de microempresários manteve seus negócios fechados por quase dois meses, quando a renda da família chegou a zero. “No começo foi um choque, fiquei com muito medo, mas voltaremos pouco a pouco”.

Com seu retorno ao trabalho, mas não às aulas, Sara fica com os pais na escola. Aparecida, no entanto, aponta outra solução para famílias que, diferentemente dela, não têm com quem deixar seus filhos. “Certamente, a volta opcional seria uma boa opção”.

Na última terça-feira (29), o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendou aos sistemas educacionais de todo o país flexibilizar o controle da frequência escolar e garantir aos pais a decisão de voltar à escola. O documento ainda não foi aprovado pelo Ministério da Educação.

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