Nós realmente queremos uma vacina contra a gripe universal, mas ainda está muito longe – 10/04/2020

Em meio à pandemia de 19-cobras, as agências de saúde brasileiras em breve terão que tomar uma vacina contra a gripe. E, ao mesmo tempo, evite multidões que possam expor o público ao coronavírus. Se isso depende do sucesso da pesquisa apoiada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. EUA (NIH), isso não será repetido. Seu objetivo é criar uma vacina universal contra a gripe, o vírus da gripe.

Este ano, houve avanços significativos nessa direção. No início de maio, por exemplo, os primeiros ensaios clínicos com uma vacina protótipo chamada FLU-v tiveram resultados promissores.

De um modo geral, as vacinas contra a gripe podem prevenir uma cepa específica do vírus, que sofre pequenas alterações de ano para ano. No caso da FLU-v, existem quatro componentes diferentes que podem interagir com uma nova gripe, mesmo que uma das regiões do vírus sofra mutação. Existem outras abordagens em estudo também, mas por causa da covid-19, todas passaram quase despercebidas fora do círculo acadêmico.

Por outro lado, a idéia de uma vacina universal também atraiu pesquisadores que procuravam uma solução para a covid-19, causada pelo vírus SARS-Cov-2. Outros tipos de coronavírus já haviam causado epidemias na Ásia em 2002, com SARS, e no Oriente Médio, em 2012 e 2013, com MERS. No futuro, os coronavírus ainda desconhecidos podem aparecer em novas epidemias.

“Somos todos contra esses animais de estimação”, disse o pesquisador da Universidade de Washington Neil King, que procura vacinas contra o coronavírus desde 2017 e está tentando desenvolver um produto eficiente contra a covid-19, no site da Stat. Para ele, um dia veremos um novo surto causado por vírus semelhantes. “Precisamos de uma vacina universal contra o coronavírus”, disse ele.

Este, no entanto, é um objetivo a longo prazo. “Sem dúvida, sempre buscamos algo universal”, diz Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor e coordenador de um grupo que desenvolve uma vacina brasileira contra a covid-19. “Mas agora não estamos preocupados com isso, há uma necessidade urgente de fazer algo contra o que está circulando agora.”

Mutações de gripe

Embora o termo “universal” faça parte do nome da linha de financiamento do NIH para vacinas contra influenza, Ricardo Palacios, diretor médico de Pesquisa Clínica do Instituto Butantan, explica que esse não é o caso. “Tendemos a evitar esse termo, é uma promessa muito ambiciosa. Usamos vacinas contra influenza de amplo espectro internamente”, diz ele.

Isso significa que a vacina seria coberta por muitas variações de gripe, mas não todas. “Se pudéssemos mudar a vacina e tornar necessário tomá-la a cada três a cinco anos, seria um grande avanço”, diz Palacios.

Mas isso não é fácil. Como todos os vírus, a gripe possui um sistema de replicação imperfeito. Ao se reproduzir, é como se o novo vírus fosse uma cópia ruim, compara o pesquisador do Butantan. No caso da gripe, essas alterações são muito rápidas e as regiões alteradas do vírus são geralmente aquelas que um organismo imunizado reconheceria e neutralizaria.

“O que estamos tentando fazer é ter anticorpos que não estão nessas áreas altamente mutáveis ​​e que também neutralizam vírus”, diz Jorge Kalil, do Incor. Em 2017, durante um período de pesquisa no NIH, Kalil acompanhou algumas reuniões de grupo que discutiram a vacina universal contra influenza. “É necessário, por exemplo, escapar dos anticorpos contra o H1N1 e ligar mais em áreas comuns a todos os vírus”. Um desafio ainda a ser resolvido.

Mas e o coronavírus?

Também é mais complexo no caso dos coronavírus. Ao contrário da gripe, onde as variações de ano para ano são cepas do mesmo vírus, no caso da covid-19, é um vírus de uma espécie diferente daquela que causa doenças como Sars e Mers.

Kalil explica que existem semelhanças entre o vírus que causa SARS, SARS-CoV e covid-19, SARS-CoV-2. “Mas precisamos de mais estudos para entender se os picos se separam, uma proteína importante na conexão com a célula, se é semelhante ou igual nas duas estruturas”, diz ele. “Caso contrário, teríamos que ver anticorpos de outras regiões que poderiam neutralizar os dois vírus, mas esse é um esforço de pesquisa muito mais longo”.

De qualquer forma, muitos dos pesquisadores que se voltaram para o desenvolvimento de uma vacina secreta já haviam trabalhado em iniciativas relacionadas a um dos outros coronavírus.

Mas se a primeira epidemia de SARS ocorreu em 2002, há quase 20 anos, por que eles não inventaram uma vacina pronta para usar como ponto de partida? Ricardo Palacios, do Butantan, faz um paralelo importante. Quando o surto de Ebola atravessou as fronteiras do continente africano e chegou à Europa e aos Estados Unidos, a necessidade de focar a pesquisa em doenças que normalmente são restritas a países do terceiro mundo estava latente.

Uma das conseqüências disso foi a criação, em 2016, do Plano de P&D, um plano estratégico global elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estabelecer, ano após ano, quais as doenças infecciosas mais críticas, tanto do ponto de vista do risco oferecido à população. e a necessidade de pesquisa e desenvolvimento de vacinas e medicamentos específicos.

Desde 2017, os relatórios anuais de pesquisa e desenvolvimento da Blueprint incluem Sars e Mers na lista, além de outras possíveis doenças por coronavírus. Podemos não estar preparados. Mas nós fomos avisados.

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