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Folhapress

Em Recife, o debate entre João Campos e Marília Arraes tem ataques, religião e poucas propostas

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) – Na reta final de uma das mais difíceis eleições da história do Recife, deputados federais e primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), bisneto e neta do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes , respectivamente, eles conduziram um debate com poucas propostas, muitos ataques e confrontos sobre questões religiosas. No primeiro bloco, Marília perguntou a Campos sobre as sete operações da Polícia Federal na Prefeitura de Recife, comandadas por Geraldo Julio (PSB), que investigam desvios de recursos públicos destinados ao combate à pandemia. “Marília insiste em fazer um discurso de ódio. O candidato é João Campos. Sim, vamos comparar o PSB com o PT. Aqui me proponho a comparar a gestão de João da Costa com a de Geraldo Julio, a comparar os nossos mandatos, a nossa vida pública. Ao ser acusado de ter um funcionário fantasma, fiz uma seleção pública para meu gabinete ”, disse Campos. O candidato do PSB declarou que não há nenhum funcionário de seu partido condenado por corrupção. “Em relação ao PT, não está nos dedos das mãos quantos executivos presos há no Brasil”, disse o pessebista. Em resposta, Marília disse que a corrupção estava muito perto da porta de Campos. “A corrupção está bem à sua porta. O CFO do Departamento de Saúde é seu amigo pessoal. Não sou eu que tenho ativos bloqueados pelo tribunal. Você sabe muito bem quem ele é.” Durante o debate, Campos insistiu que Marília precisava se explicar sobre a investigação de improbidade administrativa no Ministério Público de Pernambuco. Ela respondeu que já foi absolvida. Em 2017, à frente do Decasp (Crimes Policiais contra a Administração e Serviços Públicos), a delegada Patrícia Domingos (Pode), que ocupou o quarto lugar nestas eleições, investigou o PT e processou-a por suspeita do crime de peculato. A pedido do Ministério Público, a Justiça encerrou a investigação por falta de provas. Na esfera cível, sobre o mesmo fato, houve cisão para apuração da improbidade administrativa. Com o fim de 2019, o tribunal expediu intimação, nesta terça-feira (24), para que Marília seja notificada. Campos investiu no antipetismo. Ele criticou duramente a gestão do PT no Recife. Ele afirmou que, na época em que o partido governava a capital pernambucana, a cidade estava abandonada, com lixo por toda parte. Em resposta, Marília lembrou que quando o PT comandava a cidade, não era a sigla. Ele disse ainda que o PSB fez parte dos três movimentos do PT, entre eles o deputado do ex-prefeito João da Costa (PT). Ele lembrou também que o PT ocupa o primeiro escalão do governo de Paulo Câmara (PSB), aliado de João Campos. Até outubro, a festa estava sob o comando do secretário de Saneamento do prefeito Geraldo Julio, que também apoia Campos. A candidata do PT acusou a prima de espalhar cartazes apócrifos pela cidade. Ele pediu o direito de resposta, mas não foi concedido. A Justiça Eleitoral foi intimada, mas o autor ainda não foi identificado. Campos disse que a candidatura de Marília estava a cargo da direção do PT em São Paulo e falou em “figurões do partido”. “Não me mandam e nunca me dão cabresto. Ao contrário do João Campos, todo mundo sabe que ele nem tem experiência para dirigir uma cidade”, disse. Muito do confronto entre os dois foi dominado por questões religiosas. Marília disse que o PSB atacou sua fé ao dizer que era contra a Bíblia. “Ganhamos 15 ações na Justiça contra o PSB pelas mentiras veiculadas na televisão. Agradeço a Deus que minha filha não tenha idade para entender esses ataques, mas a verdade vai vencer”, disse a candidata. O candidato do PSB respondeu que nunca atacou a fé de ninguém. “Fizemos um discurso que ela fez. Quem queria pegar a Bíblia (da Prefeitura) e brigar com ela era ela”. O candidato do PT afirmou que a Justiça Eleitoral teve a propaganda sobre a Bíblia retirada do ar por entender que ele era um mentiroso. Em sua resposta, Campos destacou que o TRE-PE (Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco) inverteu a situação. No último quarteirão, Marília disse que quando começou sua vida pública, sua prima ainda estava na escola. Em resposta, o candidato do PSB afirmou que o discurso foi tendencioso. “Qual é o problema de ser jovem?”, Perguntou ele. Em declarações finais, o PT lembrou que as suas posições fortes não são arrogantes. “Do meu partido, eu sou o novo. Não é arrogância. É firmeza.” Ele deu a entender que é vítima de ataques sexistas. “Não é fácil ver uma mulher firme em suas atitudes. Se ela entra pedindo licença, ninguém a abre, não. O momento ruim para o PSB acabou. O futuro está conosco”, disse. Campos encerrou o debate declarando que se sentia pronto para ser prefeito do Recife. “A jornada que me trouxe aqui foi de muita luta e desafio.” Ele disse que o sentimento de mudança é sempre natural nas pessoas. “Todo mundo sempre quer mudar. Mas é preciso seguir em frente, olhar para o futuro com otimismo.” O candidato do PSB pediu que as pessoas não parassem de votar.

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