Número de pessoas fora de casa bate recorde na véspera dos feriados 05/05/2020

Número de pessoas fora de casa bate recorde na véspera dos feriados 05/05/2020

Apenas 39,6% dos brasileiros estavam em casa na véspera do feriado de 1º de maio, mostra o IIS (Índice de Isolamento Social) calculado pela In Loco, uma startup brasileira que monitora o movimento de 30 milhões de telefones celulares de dados de geolocalização. Esse é o menor percentual desde 20 de março, o período pré-quarentena na maioria das cidades. É também a primeira vez que o índice está abaixo de 45%.

A adesão nacional ao isolamento social está em declínio há pelo menos cinco semanas, mas nunca houve uma queda tão acentuada no índice.

  • 23/03 a 29/03 – 57,17%
  • 30/03 a 05/04 – 53,27%
  • 06/04 a 12/04 – 52,30%
  • 13/04 a 19/04 – 51,87%
  • 20/04 a 26/04 – 51,55%
  • 27/04 a 02/05 – 49,93%

A média do último mês (de 23 de março a 23 de abril) foi de 53,29%, sendo 51,2% considerando apenas os dias úteis.

Os maiores picos positivos ocorrem nos finais de semana, principalmente aos domingos e feriados. O máximo foi em 22 de março, quando atingiu 69,6%.

Antes dos decretos para conter a disseminação do coronavírus, o IIS era de cerca de 28%.

  • 2/24 a 1/2 – 28,48%
  • 2/3 a 3/8 – 26,27%
  • 09/03 a 15/03 – 29,15%

Em 17 de março, quando foi anunciada a primeira morte no país, a taxa era de 29,9% (terça-feira).

O IIS é medido diariamente, mas leva alguns dias para ser publicado.

Movendo-se em locais públicos

O Google, cujos aplicativos são encontrados na maioria dos celulares brasileiros, usou dados de geolocalização para calcular o movimento em cinco categorias de locais públicos: 29 de março, 11 de abril e 17 de abril (pelo período de 48 meses). -72 horas) em comparação com as primeiras semanas de janeiro e fevereiro (pré-quarentena).

Na categoria “comércio e recreação”, o percentual passou de -71% para -55%, uma diferença de 20 pontos, semelhante aos parques (de -70% a -50%), ou seja, com muito mais pessoas andando . O movimento nas estações de transporte público aumentou de -62% para -51%, embora a presença nos locais de trabalho seja estável (de -34% para -36%).

Nos “supermercados e farmácias”, serviços essenciais, o percentual passou de -35% na primeira medição para -5% e -11% no movimento mais recente, muito mais próximo do normal.

A porcentagem de pessoas na casa passou de + 17% para + 19%, mas o Google não explica por que a queda no tráfego em locais públicos não afeta diretamente a porcentagem de pessoas na casa.

Nossa classificação de isolamento é suficiente?

Não há consenso sobre o número ideal de isolamento social. O chefe do Centro de Contingência na luta contra o coronavírus em São Paulo, o infectologista David Uip, disse que a região metropolitana da capital pode “enfrentar o pico do Everest” se a população não respeitar o índice de isolamento social de 50%. “Isso é sério, não pode haver relaxamento na política de isolamento”, afirmou. “Nós não vamos pagar essa conta amanhã ou mais tarde, isso se reflete nos números em uma semana, duas semanas. Tudo pode ser perdido.”

Segundo pesquisadores brasileiros ouvidos por Inclinação, qualquer número abaixo de 75% é insuficiente para evitar o colapso do sistema de saúde, causado por um aumento nos casos graves de covid-19. Com as UTI superlotadas e a falta de respiradores, o número de mortes deve aumentar drasticamente.

“Dada a realidade dos leitos no país, 75% seria um percentual que indica a proteção do sistema de saúde com alguma liberdade”, diz Askery Canabarro, professor de Física da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e um dos autores. de um artigo que realiza projeções astrofísicas e matemáticas a partir de dados publicados pelo Google.

As projeções foram feitas considerando a demanda por leitos, o número de mortes e infectados em vários cenários de isolamento: os pesquisadores desenvolveram uma fórmula para estimar o número real de infectados, considerando o número de pessoas em estado crítico e mortos. O modelo estratificou ainda mais a população em nove faixas etárias para ver os efeitos de cada uma.

O cálculo mostrou que o isolamento seletivo (para idosos e grupos de risco), por exemplo, seria ineficiente na prevenção do colapso do sistema de saúde. “Com 50% de isolamento social, o cenário é uma das centenas de milhares de mortes no país. Sem intensificar o isolamento, o modelo prevê um colapso na semana de 21 de abril”, afirmou Canabarro. “Como não avaliamos a distribuição de leitos por estado, alguns entraram em colapso antes, outros desde então”.

Para o pesquisador Wladimir Lyra, astrônomo da Universidade Estadual do Novo México (EUA), que também estuda a curva pandêmica, o isolamento social deve ser muito maior. “Pelo menos 70% seriam necessários”, diz ele. Também enfatiza que as falências na área da saúde devem ocorrer em momentos diferentes, dependendo da demanda local.

Por outro lado, um estúdio que faz muito mais projeção modesto Ele diz que é necessário um índice de cerca de 40%. Professores da USP, Universidade de Brasília, Instituto Butantan e Fiocruz cruzaram dados sobre a mobilidade de pessoas em São Paulo e Rio de Janeiro, com a velocidade de transmissão do vírus.

“Claramente encontramos 40% como paradigma”, diz o infectologista Júlio Croda, que fazia parte da equipe do Ministério da Saúde e agora está colaborando com o centro de contingência para combater o coronavírus de SP. “Nós já nivelamos a curva [de transmissão do vírus]”ele disse ao jornal Folha de S.Paulo.” Os dados reforçam que, se persistirmos no isolamento atual, talvez não precisemos de medidas mais restritivas. Não precisamos radicalizar, e a economia de alguma forma sobreviverá. “

No entanto, o médico argumenta que qualquer relaxamento nos níveis atuais de restrição fará com que a transmissão da covid-19 cresça novamente.

Em vários estados, o sistema já entrou em colapso ou está muito próximo do fracasso, como no Ceará, Amazonas e Pernambuco.

Imagens aéreas mostram que o isolamento na área principal de SP caiu

Como o IIS In Loco é medido?

O In Loco possui sua própria tecnologia que extrai (bot) automaticamente os dados públicos gerados pelos telefones celulares das pessoas, que normalmente são usados ​​para direcionar a publicidade. Chama-se Advertising ID, um número único que identifica constantemente os interesses dos usuários que navegam em serviços de plataforma como Google e Facebook. Serve para exibir anúncios personalizados ou personalizados (ou “anúncios com base em interesses”), que geram receita para aplicativos.

Entre seus clientes, existem bancos e grandes varejistas, que usam essa tecnologia em seus aplicativos para detectar possíveis transações suspeitas e evitar fraudes.

Dependendo do início, esse identificador também serve para detectar se um telefone celular permanece por longos períodos em um determinado local. Ele envia o endereço e o identificador de publicidade do smartphone para os servidores da empresa, possibilitando estabelecer a relação entre quem está “estacionado” e quem está se movendo. Portanto, a empresa conseguiu estabelecer um sistema de monitoramento diário, utilizado pela cidade do Recife. Eles têm acesso ao identificador de 30 milhões de celulares brasileiros, o que corresponde a uma parte da população estimada do Brasil, que hoje é de 211 milhões, segundo o IBGE.

De onde vêm os dados de geolocalização?

Seu telefone possui um GPS (Sistema de Posicionamento Global) incorporado, que troca constantemente informações com um satélite para determinar sua localização geográfica. Isso geralmente é para coisas como: ajudar você a saber onde está no mapa, qual caminho seguir quando estiver perdido, se virar à esquerda ou até onde chegar a um destino, onde está o telefone perdido / roubado ou O que O nome do estabelecimento que você está prestes a colocar na descrição de uma foto no Instagram.

Empresas como o Google, dono do Google Maps, Waze e Google Fotos e Facebook, dono do WhatsApp e Instagram e Apple armazenam suas jornadas no rastreamento de históricos ou lugares visitados. Com esse tipo de informação, você pode saber se um telefone celular fica no mesmo local todas as noites (que seria sua casa) e se muda para outro (provavelmente seu emprego) todos os dias.

O índice de isolamento social, nesse caso, mede isso: o celular passou o dia em um raio muito próximo ao local considerado sua casa? Insira as estatísticas do grupo que respeitou a quarentena. Caso contrário, vai para o índice daqueles que saíram de casa.

Em geral, você deve ativar a função de localização geográfica: alguns aplicativos solicitam autorização para enviar dados, outros não. Quando isso acontece, eles se tornam públicos, mas há uma grande discussão sobre consentimento e o direito à privacidade em jogo.

Como esses dados serão usados?

Alguns dos dados de empresas como Google, Facebook e Apple são abertos ao público e podem ser verificados por qualquer pessoa, incluindo pesquisadores e cientistas. Alguns dados da In Loco estão no site da empresa e também estão disponíveis, mas detalhes sobre bairros e informações mais específicas não são divulgados publicamente. Possui associação com cerca de 20 estados e fornece dados cartográficos e estatísticos que atingem o nível do bairro, mas de forma anônima.

Existe uma maneira diferente de monitorar as multidões, através da triangulação entre diferentes antenas às quais os telefones celulares estão conectados na estrada. As operadoras Algar, Claro, Oi, Tim e Vivo já prometeram enviar dados sobre a localização de 222,2 milhões de linhas ao Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Comunicação (MCTIC): as cinco empresas representam 97,8% dos 227,1 milhões de acessos móveis no Brasil. Com esses dados, é possível criar mapas de calor que indicam uma concentração maior ou menor de dispositivos em uma determinada área.

Esse monitoramento ainda não é realizado em nível nacional, conforme decidido pelo Presidente. Jair Bolsonaro, mas acontece no estado de São Paulo, por exemplo, em associação com Claro, TIM, Oi e Vivo. Os dados não são divulgados publicamente, estão disponíveis apenas nos centros de controle. Eles monitoram cidades com mais de 200.000 habitantes; Há planos de estendê-lo a municípios com mais de 30.000 habitantes.

E aqui a discussão é sobre a possibilidade de individualizar os dados, o que poderia indicar que cada pessoa está conectada. Isso atingiria outro nível de falta de privacidade.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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