Números de casos e mortes alertam sobre a segunda onda de covid-19 no Brasil

postado em 18/11/2020 06:00

(crédito: Minervino Júnior / CB / DA Press)

Um ano após o primeiro caso registrado de covid-19, parte do mundo enfrenta uma segunda onda da pandemia. No Brasil, a doença, que estava em aparente fase de declínio –– após um longo período de estagnação em níveis elevados ––, com o fechamento dos números da semana 46 o sinal de alerta soou novamente. Os dados indicam que algumas regiões do país sofrem com novos surtos e, portanto, não se descarta a recorrência do covid-19, principalmente porque as medidas de proteção individual estão sendo abandonadas, assim como o isolamento social hoje praticamente não existe.

Apenas as atualizações de ontem mostram aumentos gerais. Isso porque voltou ao patamar de mais de 30 mil casos positivos e 600 mortes pela doença. Em 24 horas, 35.294 diagnósticos de covid-19 e 685 mortes foram confirmados. Com isso, o país acumulou 5.911.758 casos e 166.699 vidas perdidas desde o início da pandemia, podendo fechar a semana epidemiológica 47 com dados acumulados indicando aumento dos números.

Apenas entre as semanas 45 e 46, houve um aumento de mais de 65% nas infecções, de 117.956 novos registros semanais para 195.398. O aumento nas mortes foi de 42%, quando o acúmulo de mortes em sete dias saltou de 2.385 para 3.389. No entanto, a demora na atualização dos dados, devido à tentativa de invasão dos sistemas do Ministério da Saúde, pode ser uma explicação para as grandes divergências entre um fechamento e outro. Mesmo assim, ao comparar a semana 44 com a 46, os aumentos são de 26% em relação aos casos e de 13,7% em relação aos óbitos.

“A interrupção da inserção de registros no Sivep-Influenza entre as semanas 45 e 46 pode afetar a qualidade do estimador de casos recentes em alguns locais. Como o sistema é recalibrado semanalmente, qualquer perda de qualidade deve ser reduzida gradativamente nas próximas semanas ”, avalia o coordenador do Infogripe e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marcelo Gomes.

No balanço mais recente do Infogripe, ao final da semana 46, a pesquisadora afirma que já é possível ter algumas percepções de crescimento, analisando os números por localidade. “Quando olhamos cada região do país, vemos que várias capitais retomaram o crescimento nos casos graves, monitorados pelos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).”

Oito capitais mostram sinais de crescimento na tendência de longo prazo e outras duas no curto prazo. Belo Horizonte, Goiânia, Distrito Federal e Vitória, embora mostrem sinais de crescimento no boletim, pela primeira vez desde o início do outono, também registraram esse sinal na tendência de curto prazo na semana 45. São Paulo, novamente, tem um um sinal de estabilidade nas tendências, mas indica que houve aumento nas semanas anteriores.

“A análise da curva do caso sugere que a situação oscila em torno de um valor estável”, observa Gomes. Porto Alegre voltou a registrar uma possível interrupção da trajetória de queda, em linha com o que foi relatado pelas unidades de saúde. Manaus, que vinha ganhando destaque devido à retomada do crescimento em agosto, agora dá um moderado sinal de queda. No entanto, é importante observar que o sinal está caindo lentamente e ainda é insuficiente para retornar ao nível observado em julho ”.

Com a retomada, a média móvel de infecções e óbitos está aumentando. Segundo análise do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), morrem em média 557 pessoas por dia, e há aumentos diários de 30.393 casos. Em 24 de setembro, a média móvel era comparável a agora, quando as atualizações eram em torno de 28.902 registros diários. Posteriormente, a tendência foi de queda, com ligeira alta no final de outubro. No entanto, desde a segunda semana de novembro, as taxas continuaram subindo, assim como as mortes, cuja média móvel voltou a subir em 11 de novembro.

SP ultrapassa 40 mil mortes

No Brasil, das 27 unidades da Federação, 24 registraram cifras de mais de 1.000 mortes pelo novo coronavírus. São Paulo é o estado que lidera o ranking e já tem mais de 40 mil mortes por covid-19 – são 40.749 vítimas. Em seguida, vêm Rio de Janeiro (21.474) e Minas Gerais (9.531). Logo abaixo estão Ceará (9.448), Pernambuco (8.854), Bahia (7.989), Pará (6.838), Rio Grande do Sul (6.314), Goiás (6.071), Paraná (5.758), Amazonas (4.723), Maranhão (4.195) , Espírito Santo (4.037), Mato Grosso (4.001), Distrito Federal (3.837), Santa Catarina (3.370), Paraíba (3.216), Rio Grande do Norte (2.643), Piauí (2.541), Alagoas (2.301), Sergipe ( 2.263), Mato Grosso do Sul (1.697), Rondônia (1.508), Tocantins (1.141). Apenas três estados registram menos de mil mortes por covid-19 cada: Amapá (782), Acre (709) e Roraima (709).

Um brasileiro infecta outras 110 pessoas

A análise da taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus deu uma impressão do controle do covid-19, com indícios de diminuição do contágio. mas isso não é verdade. A pesquisa mais recente do Imperial College London colocou o Brasil em um patamar de crescimento. O Rt é de 1,10, ou seja, cada grupo de 100 pessoas tem potencial para transmitir o vírus covid-19 a outras 110 pessoas saudáveis.

Na semana anterior, o índice era de 0,68, o que reforça que utilizar o indicador de forma generalizada e desconexa, e sem considerar outros fatores como capacidade hospitalar, letalidade, susceptibilidade, entre outros, pode gerar uma análise superficial e pouco profundo, como enfatizar os especialistas.

“Na verdade, o que temos é uma média entre municípios com taxas muito baixas, de 0,1 ou 0,2, por exemplo, e outros municípios com taxas altas, de 1,5 e acima. Quando você olha o Brasil inteiro, você vê essa média, o que, na verdade, dá uma falsa impressão. Com isso, alguns municípios podem acabar negligenciando esses aspectos, o que explica uma nova explosão de casos. Temos uma epidemia muito mais descentralizada e heterogênea, com diferentes epidemias ocorrendo em diferentes locais e em diferentes momentos ”, alerta o infectologista do Hospital Sírio-Libanês Alexandre Cunha.

Outra observação é que Rt está longe de ser estático e aumenta exponencialmente de semana para semana. Isso já acontecia, por exemplo, na Espanha, França, Alemanha e Itália. Agora, o Brasil retorna à lista de países com a doença em níveis de transmissão não controlada.

“O que acontece é que, em comparação com o Brasil, outros locais estão separados por dois ou três meses do pico da epidemia. Portanto, a segunda onda também veio antes. Com a liberação das atividades, maior contato com as pessoas, afrouxamento do isolamento e distância, cria-se uma segunda onda. Se ainda não é uma realidade óbvia aqui, provavelmente é por aquele período, mas é bem possível que aconteça ”, avalia Cunha. (BL e MEC)

A reação ao primeiro caso foi um mês depois.

O primeiro caso covid-19 do mundo ocorreu em 17 de novembro do ano passado na China, de acordo com uma investigação do South China Morning Post de Hong Kong, com base em dados do governo de Pequim. O alerta só foi dado em dezembro. No dia 15 daquele mês, o número total de infecções era de 27, mas cinco dias depois, já havia 60 infectados. Foi em janeiro de 2020 que a China decretou o bloqueio. As medidas mais rígidas na Europa começaram em março, período em que o Brasil ainda registrava sua primeira morte pela doença. Atualmente, pelo menos 14 países voltaram a adotar medidas de isolamento mais restritivas para conter as consequências de uma segunda onda e evitar o colapso dos sistemas de saúde.

Notas de saúde da vacina Pfizer

Uma semana após a divulgação dos resultados positivos sobre a eficácia da vacina contra o covid-19 produzida pela farmacêutica americana Pfizer, o Ministério da Saúde recebeu ontem executivos da empresa americana para discutir a possibilidade de compra e fornecimento do imunizador. A carteira vai se reunir nesta semana com as farmacêuticas Janssen, da Johnson & Johnson; com o Instituto Gamaleya, responsável pela vacina russa Sputinik V; e com a indiana Bharat Biotech, produtora do Covaxin – que, segundo o ministério, possui vacinas em estágio avançado de desenvolvimento.

Por meio de nota, o folder explicou que o objetivo do encontro com a Pfizer “é conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório”. Uma das barreiras para a incorporação da vacina Pfizer ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) é a técnica sofisticada, com a qual o Brasil não tem proximidade.

A tecnologia baseada em RNA de covid-19 requer que o material permaneça armazenado em locais com temperaturas extremamente baixas. Por isso, o ministério continua estudando como seria a distribuição do produto e outros pontos-chave para a incorporação da vacina, que foi a primeira a ter 90% de confirmação em testes de massa.

A previsão dada no folder para o primeiro embarque de vacinas contra o novo coronavírus que estará disponível no país é para o primeiro semestre de 2021. O primeiro lote de imunizantes deve incluir o grupo de risco para a doença, a ser definido pelo aspectos epidemiológicos da eficácia e da vacina a ser utilizada. O ministério também promete, e em breve, a apresentação do plano de imunização da população contra o covid-19.

Acordos

Até o momento, o país mantém dois acordos em andamento para ter acesso às vacinas. Um deles é o compromisso de compra e transferência da CoronaVac, parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac. Além disso, o governo federal, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), já fechou contrato para receber as doses e obter a abrangente tecnologia de vacinas desenvolvida pela Universidade de Oxford em conjunto com o laboratório AstraZeneca.

Outra forma de obter o suprimento de uma futura vacina contra o novo coronavírus é por meio do Covax Facility, iniciativa da Organização Mundial de Saúde para distribuição de imunizantes licenciados, da qual o Brasil faz parte.

O país participa do teste de quatro vacinas diferentes: Pfizer, Janssen, Sinovac-Butantan e AstraZeneca-Oxford. Apesar de fazer parte dos estudos de fase 3 da vacina Pfizer, o imunizante ficou fora do radar do ministério porque o país não tem um acordo direto para comprar o produto e a vacina não faz parte do portfólio de imunizações do Covax Facility. .

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