O Brasil, afetado pela Covid, sediará a Copa América de futebol

O Brasil interveio na segunda-feira para sediar a próxima partida de futebol da Copa América, apesar de sofrer uma das piores crises de coronavírus do mundo e enfrentar uma terceira onda iminente da doença.

O anúncio foi feito após a retirada dos ex-co-anfitriões Argentina e Colômbia. Buenos Aires citou um número crescente de casos de Covid-19 e Bogotá apontou os protestos que atingiram a Colômbia.

A competição, que já foi adiada uma vez no ano passado, começará nas próximas semanas.

“O torneio mais antigo de seleções do mundo vai vibrar todo o continente”, tuitou a Conmebol, federação sul-americana de futebol, agradecendo ao presidente Jair Bolsonaro pelo “apoio imediato” à competição.

A América Latina e o Caribe tem sido uma das regiões mais afetadas pela Covid-19 no mundo, com mais de 1 milhão de pessoas sucumbindo à doença e dezenas de milhões a mais afetadas pelas consequências econômicas. A região é responsável por 30 por cento de todas as mortes globais por causa da pandemia.

Só no Brasil, morreram mais de 460.000 cidadãos, a segunda maior do mundo em números absolutos, depois dos Estados Unidos. Em números per capita, a nação ocupa a oitava posição.

A decisão do Brasil de sediar o torneio levou ao ridículo e ao desprezo de especialistas e políticos, com muitos sugerindo que isso iria piorar a disseminação do coronavírus e comparando-o às Olimpíadas de Tóquio, que estão causando consternação no Japão.

“O Bolsonaro está falando sério? Em meio à pandemia, a chegada da terceira onda, o risco de falta de leitos e suprimentos e com vacinas lentas? Inacreditável ”, disse Gleisi Hoffmann, presidente do opositor Partido dos Trabalhadores.

Paulo Câmara, governador do estado de Pernambuco, disse que o estado não vai permitir a realização de jogos lá.

Apesar de ter sofrido uma segunda onda brutal há apenas alguns meses, cientistas e médicos do maior país da América Latina já deram o alarme sobre um novo pico potencial após o declínio no número de casos estagnados. A média de sete dias de novos casos por dia voltou a ficar acima de 61.000 no domingo, ante 56.000 um mês atrás.

Enquanto isso, a vizinha Argentina está no meio de uma segunda onda.

“Com tantos casos, não poderíamos avançar com a organização de um campeonato como este”, disse Santiago Cafiero, chefe da Casa Civil do governo argentino. “Tínhamos prometido organizá-lo, tentamos cumprir a nossa promessa, mas a realidade epidemiológica nos impediu.”

Cerca de 70 por cento dos argentinos são contra a realização do torneio no país, segundo pesquisa da Poliarquia.

Na Colômbia, o presidente Iván Duque pediu à Conmebol que adiasse o torneio até novembro devido aos contínuos protestos contra seu governo. Alguns dos jogos seriam disputados na cidade de Cali, que se tornou o epicentro dos protestos.

A Conmebol recusou e disse que iria procurar um local alternativo.

O local da Copa América é geralmente decidido em ordem alfabética, embora tenha havido muitas mudanças no formato do torneio em seus 105 anos de história. O torneio foi organizado pela última vez e vencido pelo Brasil em 2019.

Informações adicionais de Carolina Pulice

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