O caso PC Siqueira envolve outros crimes além da suposta pedofilia

Tecfront

Crédito: Reprodução / YouTube / maspoxavida

O que acontece quando o cancelamento da moda, impulsionado pela cultura de exposto, atinge um eoutuber Conhecido por suas fortes opiniões e relatos de depressão e suicídio, ele envolve sérias alegações de pornografia infantil, levanta questões sobre se o conteúdo vazado é verdadeiro ou falso e reabre o tribunal da Internet?

O caso envolvendo um vídeo e áudios supostamente vazou do youtuber PC Siqueira, no qual ele comentou que havia recebido fotos de uma garota nua com menos de seis anos, enviada pela mãe do garoto, reúne todos os elementos acima e acabou mobilizando ao redes sociais.

O Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou que é fazendo pesquisa o caso, que não impediu que milhares de usuários de redes sociais processassem a reclamação, analisando as evidências e julgando o caso. O problema está longe de ser simples e envolve a possível ocorrência de um crime grave. Embora a mídia investigativa oficial não tenha comentado, vale a pena dar um passo atrás e refletir sobre o que aconteceu nos últimos dias e o que aprendemos até agora.

1. Cancelamentos e “expostos” transformaram as redes sociais no declínio dos ídolos

O caso do PC Siqueira é o encontro de dois rios que correm livremente nas redes: a água turva, que esconde, esconde e bloqueia a pessoa cancelada, e a água limpa, que mostra quem quer ver o que vive na fundo. . Ou seria o contrário? Será que as campanhas para cancelar uma celebridade, que tanto querem relegá-la às sombras, acabam chamando mais atenção? A cultura do “exposto”, ao trazer tantas histórias sérias e relatos corajosos, não obscurece o debate ao incentivar o repúdio no mesmo volume de casos muito diferentes?

É difícil admitir que as coisas são complexas quando todos queremos soluções fáceis. De certa forma, a cultura do cancelamento é outro produto da barulhenta transformação da mídia social em tribunais improvisados. Tudo pode acontecer em algumas horas após a cobrança. Reunidas na sessão plenária, centenas ou milhares decidem que a celebridade seja expulsa de seus respectivos afetos e, para torná-las públicas e oficiais, levante a hashtag #fulanoisoverparty. A justiça pode ser cruel.

A cultura “exposta”, por outro lado, tem uma história recente mais sóbria. Emergindo da mesma árvore que nos deu movimentos importantes como #metoo, a série de postagens que expõem casos de abuso veio em um bom momento para lembrar que esse não é o caso. Os objetivos podem ser mais ou menos anônimos, mas algo diferente acontece quando a história envolve uma celebridade e vem com áudios vazados e “impressões”.

Aqui a história se transforma em um romance, uma série de clímax repleta de ação ou reviravoltas dramáticas. Primeiro veio o vídeo de uma conversa que supostamente envolveu o youtuber. Ele era culpado. Ele postou no Instagram apontando inconsistências no vídeo. Agora ele era inocente. Então os áudios chegaram e tudo ficou mais complicado.

Com uma parte da população trancada em casa e viciada na série, não é difícil entender como a pessoa sai da Netflix, entra nas redes sociais e começa a tratar os casos que se desenrolam ali como se fosse outro episódio de sua série de drama favorita. . Só que do outro lado da tela não há mais atores interpretando ladrões de bancos espanhóis ou vikings com um penteado moderno. Estamos falando de pessoas reais e consequências.

2. Está ficando mais fácil criar e acreditar em vídeos e áudios falsos

Mas o vídeo mostra uma conversa envolvendo o YouTuber e os áudios em que ele confessa que o crime é realmente verdadeiro? Enquanto alguns usuários das mídias sociais tomaram esses elementos como evidência indiscutível, outra parte se tornou um detetive virtual e buscou a possibilidade de manipular as evidências.

O que não falta na internet são Formulários para simular uma troca de mensagens. Existem aplicativos que imitam o Whatsapp, Instagram e Messenger. Eles são frequentemente anunciados como uma maneira de fazer uma brincadeira com seus amigos ou parodiar. Neles, escolha o nome do destinatário, insira uma foto e, dentro do ambiente do aplicativo, comece a escrever suas mensagens e as do destinatário pretendido.

Em seguida, basta imprimir ou gravar um vídeo na tela do telefone celular e separar as mensagens trocadas com alguém que não tem idéia do que aconteceu. O produto desses aplicativos pode servir tanto para fins humorísticos quanto para distorcer uma comunicação que pode afetar a honra e os direitos de outras pessoas. Alguns já apareceram casos policiais no Brasil, onde surgiu a montagem das conversas do WhatsApp.

Embora a transmissão instintiva de vídeos de conversas nos leve a acreditar no que estamos vendo, vale a pena manter uma suspeita saudável sobre a veracidade desses “testes” neste momento em que vídeo e áudio podem ser facilmente manipulados. Isso se torna ainda mais difícil no Brasil, quando estamos acostumados a ver vazamentos nas conversas de outras pessoas enquanto as atividades de investigação sobre elas ainda estão em andamento. Autorizada ou não pelo Judiciário, a disseminação sucessiva de áudios e impressões de mensagens nos viciaram nessa maneira peculiar de contar a história de um suposto ilegal.

Portanto, se a impressão vazou, é porque está comprovada. E essa certeza é ainda mais convencida quando a vítima é alguém que está do lado oposto do espectro político-ideológico. Esse círculo parece se fechar quando é mais fácil criar conteúdo manipulado e, no outro extremo da linha, há pessoas que acreditam cada vez mais facilmente nele.

3. A exploração sexual de crianças é um crime e pode envolver o YouTuber e a mãe da criança.

Se as autoridades confirmarem, o comportamento de seu tubérculo é sério. Algumas pessoas levantaram a questão nas redes de que o episódio poderia ser revelado porque não havia contato físico com a criança. Este não é o caso. Se você teve ou não contato com a criança, se o conteúdo foi enviado com frequência ou não, se a foto foi compartilhada ou não e para que fins é importante calibrar a frase.

O artigo 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente pune de três a seis anos de prisão e uma multa a quem “oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive através de de um sistema de computador ou registro telemático, fotográfico, de vídeo ou outro registro que contenha uma cena de sexo explícita ou pornográfica que envolva uma criança ou adolescente “.

O Artigo 241-B, por outro lado, pune um a quatro anos de prisão e uma multa a quem “adquire, possui ou armazena, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha uma cena de sexo explícito ou pornográfico envolvendo uma criança ou adolescente “.

Se o conteúdo das mensagens for verdadeiro, não há apenas o armazenamento da foto, mas também a sua divulgação a terceiros. Esse comportamento agrava a situação do youtuber e da mãe da criança.

4. Instigar o suicídio também é um crime.

Ainda é paradoxal que muitos dos juízes de mídia social que já condenaram o youtuber pelo crime de pornografia infantil sejam os mesmos que fizeram publicações para incentivar o suicídio do “condenado”. Vale lembrar que induzir ou instigar alguém a cometer suicídio também é crime (artigo 122 do Código Penal), com pena de prisão de seis meses a dois anos.

Essa penalidade “é dobrada se a conduta for realizada através da rede de computadores, da rede social ou for transmitida em tempo real” (§ 4) ou aumentar “pela metade se o agente for um líder ou grupo ou coordenador de rede virtual “(§ 5).

Nas redes que têm pesquisas grotescas sobre se o youtuber deve cometer suicídio ou não aos comentários que zombam de sua história de depressão. Já falamos aqui na Tecfront sobre como o suicídio e as mídias sociais são um tópico pouco compreendido. Embora não encontremos um sinal de tristeza nas redes, elas estão sendo assumidas por manifestações mais guturais, como amor, ódio e aparência de felicidade.

O caso do PC Siqueira também é paradoxal porque, por um lado, possui todos os ingredientes que compõem esse caldo cultural que forma as redes sociais em 2020, com cancelamentos “expostos”, celebridades e perguntas sobre saúde mental. No entanto, olhando por trás do espelho, o caso não oferece as respostas rápidas que os processos na Internet exigem, frustrando aqueles que querem respostas simples para problemas complexos.

Quando os áudios vazaram e a repercussão do caso parecia escapar a qualquer controle, o youtuber publicou uma imagem com uma carta do cantor e compositor Leonard Cohen que diz: “você quer mais escuro, matamos a chama” (você quer a escuridão / apagamos a vela). “Você quer mais sombrio” também é o nome do último álbum do cantor, lançado 19 dias antes de sua morte.

Enquanto esperamos por uma visão mais clara dos eventos, sempre podemos recorrer à outra carta do brilhante Leonard Cohen, que envia exatamente a mensagem oposta dizendo que “tudo está quebrado, é assim que a luz entra” é assim que a luz entra )

Você reconhecerá as rachaduras e identificará o que a luz revela que não apenas essa história, mas também nossa própria experiência em mídia social, pode ser esclarecida ainda mais.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

"Estudioso incurável da TV. Solucionador profissional de problemas. Desbravador de bacon. Não foi possível digitar com luvas de boxe."

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