O lugar de Pelé no Panteão confirmado enquanto o filme da Netflix mergulha em sua glória na Copa do Mundo de 1970

Não pode haver muita gente famosa ainda viva cuja história de vida, aos olhos dos documentaristas que a relatam, termine realmente há mais de meio século.

No entanto, é o que acontece com o homem nascido Edson Arantes do Nascimento em outubro de 1940.

No final de um novo filme da Netflix chamado, simplesmente, Pelé, há uma referência fugaz ao seu tempo com o New York Cosmos em meados da década de 1970, mas fora isso a narrativa comovente começa e termina na Cidade do México, em 1970, quando o Brasil Ganhou. a Copa do Mundo pela terceira vez.

A Pitch Productions produziu um filme para a Netflix sobre o lendário jogador de futebol brasileiro Pelé.

A memória da final, e daquela gloriosa vitória de 4 a 1 sobre a Itália, ainda leva Pelé, de 80 anos, a lágrimas quase incontroláveis, principalmente de felicidade, mas também porque lembra do jogo como uma forma de redenção pessoal poderosa. Seu companheiro de equipe Rivellino lembra de Pelé no vestiário após o jogo, gritando três vezes “Não estou morto!”

“Ainda me dá arrepios”, diz Rivellino.

Da Pitch Productions, a equipe que fez documentários aclamados sobre Kenny Dalglish, Andy Murray e Dan Carter, Pelé é o primeiro filme biográfico que o grande homem licenciou para si mesmo. Ele teve problemas de saúde bem documentados e aparece no filme em uma cadeira de rodas, mas em uma entrevista franca, acompanhada por imagens maravilhosas, sua memória parece mais nítida do que nunca.

O filme explora o papel do ex-atacante na vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1970 sobre a Itália no México.

O filme explora o papel do ex-atacante na vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1970 sobre a Itália no México.

Não que ele aplique muito em sua vida pessoal. Ele admite que é muito jovem para embarcar no primeiro de seus três casamentos, em 1966, e uma frase descartável – “Eu tive alguns casos, alguns dos quais resultaram em filhos” – sugere uma lata de vermes que ele não tem . ansioso para abrir.

Mas este não é um filme como o brilhante Diego Maradona de Asif Kapadia (2019). Pelé nunca foi atacado por esse tipo de demônio. Por outro lado, não é apenas um filme sobre futebol. Em vez disso, explica a conexão inextricável entre Pelé e a identidade nacional do Brasil.

A derrota do Brasil para o seu pequeno vizinho Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950 deixou o país traumatizado. Foi considerada a manifestação perfeita do “complexo mestiço” dos brasileiros: a tendência coletiva de falar mal de si e de seu país enquanto elogia a grandeza dos outros.

Ouvindo aquele jogo no rádio, Pelé, de nove anos, um humilde engraxate, mas já um prodígio do futebol, prometeu ao pai que um dia ajudaria o Brasil a vencer a Copa do Mundo. Apenas oito anos depois, em Estocolmo, ele fez exatamente isso. Era a primeira vez que ele saía do Brasil e ele era tão estrangeiro na Suécia quanto era nele. Lembre-se de que as crianças tocaram seu rosto para ver se o pigmento foi apagado.

Ele marcou dois gols na final de 1958, que encerrou Brasil 5 Suécia 2 e é mais uma partida que ainda tem o poder de fazer chorar. É também outro jogo que transcendeu o futebol. No Brasil, os historiadores atribuem a Pelé, e apenas a Pelé, o fim, de uma vez por todas, do debilitante complexo mestiço. Tornou-se o símbolo máximo da “emancipação” do Brasil.

Pelé ficou inconsolável quando o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e jurou nunca mais disputar o torneio, antes de dar meia-volta quatro anos depois.

Pelé ficou inconsolável quando o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e jurou nunca mais disputar o torneio, antes de dar meia-volta quatro anos depois.

Haveria mais traumas por vir, tanto para o país, com o golpe militar de 1964 e a posterior ditadura de direita, quanto para o próprio Pelé. Ele havia sido expulso do torneio quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo de 1962.

Na Inglaterra, em 1966, ele foi atacado de forma ainda mais hedionda, e não foi o único. De acordo com o médico da equipe Hilton Gosling, mais jogadores se machucaram em oito dias do que nos oito anos anteriores. Aguardado em casa pela conquista do troféu Jules Rimet pela terceira vez consecutiva, o Brasil saiu na fase preliminar. Mais uma vez, uma nação lamentou, e para Pelé, ‘foi o momento mais triste da minha vida’. Ele prometeu que nunca mais jogaria na Copa do Mundo.

Felizmente, mudou de ideia e, aos 29 anos, deu início ao torneio de 1970, confundindo todos os que o haviam declarado passado, daí a explosão emocional de que Rivellino tanto se lembra.

Pelé e seus companheiros brasileiros comemoram com a Copa do Mundo após vencer o torneio em 1970

Pelé e seus companheiros brasileiros comemoram com a Copa do Mundo após vencer o torneio em 1970

Em parte devido ao advento da televisão em cores, o México 70 produziu o que para muitos de nós são as imagens mais vívidas de Pelé: a imagem dele abraçando Bobby Moore após a derrota da Inglaterra por 1 a 0, seu passe pesou perfeitamente o caminho de Carlos Alberto em a final e, claro, a alegria depois, conquistando o troféu.

É uma ironia daquele torneio e de toda a brilhante carreira de Pelé, no entanto, que as passagens de ação tantas vezes usadas para ilustrar seu gênio o apresentem. predefinição para marcar: a defesa de Gordon Banks, o chute do círculo central contra a Tchecoslováquia, que na semifinal derrubou o goleiro uruguaio e desviou por pouco.

Mas este filme fascinante nos lembra que ele realmente acertou o alvo 1.283 vezes em 1.367 jogos. Também pode fazer você reavaliar a estatura de um homem que nos últimos anos parece ter escorregado na lista, atrás de Messi, Ronaldo e Maradona, quando as pessoas fazem a pergunta irresistível: quem foi o melhor jogador de todos os tempos?

Pelé está disponível na Netflix a partir da próxima terça-feira

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About the Author: Ivete Machado

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