O medo da segunda onda de cobiça perturba os mercados globais; No Brasil, Bolsa cai 3% e dólar vai a R $ 5,79 – Economia

Em um dia marcado pela instabilidade na mercados internacionais, acompanhando a segunda onda de COVID-19 dentro Europa e nos Estados Unidos, dólar continua em alta, apesar de um leilão do Banco Central, e a Bolsa de Valores brasileira está em forte queda. A moeda americana subiu 1,9% pela manhã, cotada a R $ 5,79 – foi a primeira vez em cinco meses que o dólar ultrapassou os R $ 5,75.

Pouco depois das 10h, o Banco Central realizou leilão de moeda norte-americana e a cotação desacelerou para o patamar de R $ 5,73. Às 12h36, o dólar à vista subia 0,87%, para R $ 5,7316.

Ao mesmo tempo, o Bolsa de Valores de São Paulo, uma B3, registrou um aumento de 3,65% e o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, foi de 96.032,67 pontos. Este é o nível mais baixo do índice desde o início do mês; no dia 9, atingiu 95.000 pontos.

Na terça-feira, 27, o dólar já havia registrado recuperação, fechando o dia a R $ 5,68, após o presidente da Câmera, Rodrigo Maia, criticam a obstrução de projetos de interesse econômico pela própria base aliada do governo. O episódio também causou uma queda no Ibovespa, que estava abaixo de 100.000 pontos.

Nesta quarta-feira, a partir das 18h, o Copom anuncie sua decisão sobre a taxa básica de juros, o Selic, que está em seu nível mais baixo, de 2% ao ano. A expectativa geral é manter esse patamar, o mercado aguarda realmente o comunicado do Copom, de olho numa possível mudança de tom, dado o aumento das expectativas inflacionárias, além da piora da percepção fiscal.

Preocupação com o coronavírus

Os mercados financeiros ao redor do mundo desaceleraram na quarta-feira em meio a uma onda de aversão ao risco gerada por temores de que a reativação do COVID-19 na Europa e nos Estados Unidos também contamine o processo de recuperação econômica nessas regiões. O índice de volatilidade VIX, termômetro do medo dos mercados, atingiu 40 pontos, patamar que não era visto desde junho.

Em Frankfurt, a Bolsa de Valores caiu quase 4,5% nesta tarde, em resposta à informação de que a chanceler alemã, Angela Merkel, chegou a um acordo para iniciar um bloqueio. O índice London FTSE 100 caiu 3,35% e o Paris CAC 40 caiu 4,16%.

Em Nova York, o Dow Jones caiu 3,17%, o S&P 500 caiu 3,07% e o Nasdaq caiu 3,17%. As ações da Boeing caíram 3,72% depois que a gigante da aviação informou que teve prejuízo de US $ 466 milhões no terceiro trimestre de 2020. Entre outras empresas que divulgaram balanço na quarta-feira, a Fiat Chrysler teve queda do 3,06% Mastercard, 6,50%.

Nesse ambiente, o dólar ganha força, enquanto as matérias-primas caminham na direção oposta: o petróleo caiu quase 5%.

“O dia é de total aversão ao risco e nem mesmo as empresas que reportaram resultados positivos escapam desse movimento”, disse Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos. “Além do externo, temos que considerar o ambiente político e econômico do Brasil, com uma agenda bastante complexa e um quadro fiscal apertado”, acrescentou o profissional.

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