O Ministério da Saúde tem 2 milhões de testes rápidos em estoque sem previsão de distribuição

por Taís Seibt

O Ministério da Saúde tem cerca de 2 milhões de testes rápidos para Covid-19 em estoque e diz que “não é possível estabelecer um cronograma com a previsão de entrega”, segundo documentos obtidos pelo órgão. Fique por dentro por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Dos cerca de 10 milhões de testes rápidos recebidos pelo ministério desde o início da pandemia, nenhum foi adquirido pelo governo. Todos foram doados por empresas.

Conforme resposta enviada pela Secretaria de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde por meio do e-SIC do governo federalForam 10 milhões de testes sorológicos doados pelas empresas Vale do Rio Doce, Itaú, Bradesco e Santander. Destes, até o momento, cerca de 8 milhões de testes rápidos foram distribuídos no país.

A maior parte dos testes rápidos foi para o Sudeste, que recebeu 3,3 milhões de testes rápidos, seguido pelo Nordeste, com pouco mais de 2 milhões de testes sorológicos para novos anticorpos contra o coronavírus lançados pelo governo federal. “Cada caixa do produto tem 20 testes, acompanhados de solução tampão e pipetas”, informou o MS.

Segundo informações do MS, a última remessa da doação do teste rápido continha 2 milhões de exames. Cada caixa do novo lote possui 40 testes, acompanhados de solução diluente e pipetas.

“Ainda não há possibilidade de estabelecer um cronograma de distribuição devido à disponibilidade de parte desse estoque para a realização de inquéritos sorológicos que estão sob gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) na área de estratégia de Testes Diagnósticos. Paracare ”, afirma a agência.

Os testes são “satisfatórios” de acordo com MS

Testar a grande população é uma das principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o controle da nova pandemia do coronavírus. Os testes rápidos, como são chamados os testes sorológicos, indicam a presença de anticorpos contra o vírus, com resultados em 20 minutos, embora haja controvérsia entre os cientistas sobre a confiabilidade desse tipo de teste.

Na resposta via LAI, o governo declarou que “os dois exames foram analisados ​​pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fiocruz e obtiveram pareceres satisfatórios”.

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De acordo com o documento, se aplicados da forma correta e no prazo correto, os testes rápidos em lote já enviados aos estados e municípios, pela fabricante Guangzhou Wondfo Biotech, têm sensibilidade de 86,43% e especificidade de 99, 57%; o lote ainda em estoque, da Qingdao Hightop Biotech, tem uma sensibilidade de 94,14% e uma especificidade de 93,91%.

Sensibilidade e especificidade são termos técnicos usados ​​para classificar a precisão do teste. Quanto maior essa porcentagem, menor a chance dos chamados “falsos positivos”, quando pessoas sem anticorpos testam positivo, ou de “falsos negativos” quando pessoas com anticorpos testam negativo.

Testes de laboratório em estoque

No final de junho, também com base nos dados obtidos através da LAI, a agência Fique por dentro já havia descoberto que o governo de Jair Bolsonaro mantinha mais de 5 milhões de testes para o novo coronavírus em estoque.

Na ocasião, o Ministério da Saúde informou que havia distribuído apenas 3,2 milhões de exames do tipo RT-PCR, que é o exame laboratorial de diagnóstico da Covid-19, de um total de 8,8 milhões adquiridos. Em 15 de agosto, o painel de teste relatou distribuição de 5,4 milhões de testes RT-PCR, mas nenhum dado de inventário.

Os testes rápidos não são úteis para diagnosticar o vírus em tempo real, mas são úteis para estudos epidemiológicos de transmissão na população. Os testes moleculares (RT-PCR) detectam a presença do vírus no material genético do paciente por meio de análises laboratoriais. Este é o teste que confirma se o paciente tinha Covid-19 no momento do teste.

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