O presidente brasileiro Jair Bolsonaro inicia sua campanha de reeleição: NPR

O presidente Bolsonaro é um populista de extrema direita que gosta de se colocar no mesmo molde do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Bolsonaro enfrenta um duro desafio nas eleições de outubro.



LEILA FADEL, ANFITRIÃO:

Agora para o Brasil, onde a campanha presidencial do país está esquentando.

(SOUNDBITE DE GRAVAÇÃO ARQUIVADO)

PRESIDENTE JAIR BOLSONARO: (Falando português).

(APLAUSOS)

FADEL: Esse é o som do presidente Jair Bolsonaro quando iniciou ontem sua campanha para a reeleição. Bolsonaro é um populista de extrema direita que gosta de se colocar no mesmo molde do ex-presidente Donald Trump. Muitas vezes franco e anti-establishment, ele muitas vezes foi apelidado de Trump tropical. Mas ele enfrenta um duro desafio na eleição de outubro de um ex-presidente de esquerda. Para nos contar mais, John Otis da NPR se junta a nós do Rio de Janeiro. Olá Juan.

JOHN OTIS, BYLINE: Olá. É bom estar aqui.

FADEL: Então, João, você esteve ontem no lançamento da campanha do presidente Bolsonaro. Como foi?

OTIS: Bem, foi realizado em um estádio esportivo ao lado do lendário estádio de futebol do Maracanã, no Rio. E assim como os fãs de futebol, os fãs de Bolsonaro estão realmente muito entusiasmados, como você ouviu no clipe. Muitos vieram vestidos de azul e verde, as cores azul e verde da bandeira brasileira, que Bolsonaro se apropriou como símbolo de sua campanha. Na verdade, alguns estavam envoltos em bandeiras brasileiras. E durante seu discurso, Bolsonaro falou muito sobre patriotismo e religião e valores familiares. E ele também falou sobre sua oposição ao aborto, direitos dos gays e o quanto ele odeia os esquerdistas. Vamos ouvir.

(SOUNDBITE DE GRAVAÇÃO ARQUIVADO)

BOLSONARO: (Falando português).

(APLAUSOS)

OTIS: Agora, Bolsonaro está dizendo aqui que seu trabalho como presidente valeu a pena porque, no cargo, conseguiu impedir que os comunistas tomassem o Brasil. E, você sabe, eu estava me referindo a como os líderes de esquerda agora governam grande parte da América Latina. E o próprio Bolsonaro enfrenta um desafio muito difícil da esquerda. Seu principal rival na corrida é Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é da oposição, do Partido dos Trabalhadores, e também foi presidente por dois mandatos.

FADEL: Fale mais sobre Lula. Quero dizer, este é um homem, ele estava na prisão não muito tempo atrás.

OTIS: Sim. Isso mesmo. Lula se tornou um herói para muitos brasileiros por reduzir a pobreza durante sua presidência. Isso durou de 2003 a 2010. Mas depois de deixar o cargo, ele foi pego em uma investigação de corrupção e foi condenado a 12 anos de prisão. Então, na última reviravolta, a Suprema Corte em 2019 ordenou sua libertação. Eles não disseram que ele era inocente, mas citaram erros processuais. Então agora Lula está correndo para recuperar seu antigo emprego. Estive com ele na campanha eleitoral no norte do Brasil na semana passada. Ele está subindo lá. Agora ele tem 76 anos e depende principalmente da nostalgia. Ele está basicamente dizendo: seu argumento de campanha é que eu fui um bom presidente há duas décadas, então devo ser eleito novamente.

FADEL: Agora, as pesquisas atuais mostram Bolsonaro atrás de Lula por dois dígitos. Por quê?

OTIS: É principalmente um problema com a economia. Está lento agora. E a inflação e o desemprego estão aumentando. E agora parte disso tem a ver com a pandemia de COVID-19, que, segundo seus críticos, Bolsonaro piorou muito. Ele descartou a doença como nada mais do que um resfriado comum ou gripe. E colocou em dúvida se as pessoas deveriam ou não se preocupar em se vacinar. E tragicamente, o Brasil acabou com o segundo maior número de mortes por COVID no mundo depois dos Estados Unidos. Quase 700.000 brasileiros morreram de COVID.

A grande questão agora é se Bolsonaro aceitaria a derrota, se, de fato, ele perdesse para Lula, ou se tentaria sacar o que seria algum tipo de grande mentira brasileira. Ele passou vários dos últimos meses lançando dúvidas sobre o sistema de votação eletrônica do Brasil, embora funcione bem por décadas. Bolsonaro também é ex-capitão do Exército e sugeriu que os militares supervisionassem a contagem de votos e deu a entender que, bem, talvez os militares possam até intervir se não gostarem do resultado. Agora os brasileiros levam tudo isso muito a sério porque este é um país que tem uma história de golpes militares e uma história de líderes autoritários.

FADEL: John Otis da NPR do Rio de Janeiro. Obrigado João.

Otis: Muito obrigado.

(SOUNDBITE “OUTLIER” DO BONOBO)

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