O presidente do Banco Central do Brasil diz que tem como meta inflação abaixo de 4%

(Bloomberg) — O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, disse que os formuladores de políticas estão visando a inflação abaixo de 4% no próximo ano como parte de seus esforços para aproximá-la da meta de 3,25%.

“Para nós, em torno da meta significa menos de 4%”, disse ele em entrevista coletiva online na quinta-feira, esclarecendo a linguagem usada na declaração que acompanhou a decisão da taxa de juros da semana passada. “Se for 4%, então entendemos que temos que agir. Não temos um número exato. Faz parte de uma estratégia.”

Choques persistentes de preços forçaram os legisladores brasileiros a estender um ciclo de aperto que adicionou 11,25 pontos percentuais aos custos de empréstimos em pouco mais de um ano. Ainda assim, a inflação anual permaneceu acima de 10% desde setembro, devido ao consumo mais firme e ao aumento dos custos globais das commodities. Os banqueiros centrais disseram esperar que seus aumentos de juros tenham um efeito mais forte sobre a economia a partir do segundo semestre deste ano.

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A maioria dos analistas espera que os preços ao consumidor subam 8,5% este ano e 4,7% no próximo, acima das respectivas metas de 3,5% e 3,25%. Na semana passada, a petrolífera estatal Petróleo Brasileiro SA, conhecida como Petrobras, elevou os preços da gasolina e do diesel, levando a revisões para cima nas estimativas de inflação do final do ano.

Os conselheiros estão focados na meta do próximo ano, disse Campos Neto, acrescentando que 2024 ainda não foi considerado em seu horizonte político.

mais alto por mais tempo

O banco central do Brasil elevou as taxas para 13,25% em 15 de junho e sinalizou outra alta de 50 pontos base ou menos em agosto. Muitos economistas estão apostando que os custos dos empréstimos podem chegar a 14% e permanecer em dois dígitos no próximo ano.

A estratégia dos formuladores de políticas é manter o índice Selic de referência em um nível mais alto por mais tempo para garantir que a inflação retorne à meta, disse o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo, na mesma entrevista coletiva.

O alto custo de vida se tornou um grande obstáculo para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro em outubro. Perdendo nas pesquisas, ele prometeu investigar a Petrobras e propôs medidas para reduzir os impostos sobre os combustíveis. Agora ele está pensando em levantar dinheiro para os pobres.

Os formuladores de políticas disseram que os cortes nos impostos sobre os combustíveis provavelmente reduzirão a inflação este ano e a impulsionarão em 2023, mas não levarão em consideração o impacto de tais medidas em suas projeções até que entrem em vigor.

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Na quinta-feira, o banco central também elevou sua estimativa de crescimento econômico em 2022 para 1,7%, de 1% anteriormente, citando um primeiro trimestre mais forte do que o esperado, incluindo um impulso das exportações e do consumo das famílias.

©2022 Bloomberg LP

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