O que a OMS fez especificamente na luta contra a pandemia de covid-19?

Para onde o mundo vai

Sede da Organização Mundial da Saúde em Genebra (Yann Forget /Wikimedia Commons)

Durante esta pandemia de covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apareceu com enorme frequência em nossa vida cotidiana, tanto nas notícias quanto nos memes espalhados em grupos sociais em WhatsApp. A OMS aparece como uma autoridade na recomendação sobre tratamentos y protocolos de teste. A OMS também fornece diretrizes para o uso adequado dos dados de evidência ou desenhar políticas públicas baseadas em dados epidemiológicos. O chanceler Ernesto Araújo chegou, aparentemente, atribuir à OMS um papel em um plano de dominação mundial seguindo as linhas sugeridas por Slavoj Zizek. Na “cúpula do trovão” epistêmica que transformou a cultura moderna, a OMS agora parece ser um braço de um governo mundial, um grande fantoche que interfere na soberania nacional, agora parece ser o campeão inquestionável da ciência, a única fonte de conhecimento. Para escapar desses pólos e entender melhor o papel da OMS, vale a pena examinar o que fez nesta pandemia.

Uma das responsabilidades da OMS é controlar os riscos à saúde e divulgar notas para as autoridades de saúde em todo o mundo. Por exemplo, a OMS mantém um canal de alerta de emergência para preparar respostas Foi por meio deste canal, por exemplo, que a OMS divulgou a primeira notificação de um novo tipo de pneumonia relatada pelo escritório chinês em 31 de dezembro de 2019. Isso nota pública, publicado em 5 de janeiro, relata um surto de pneumonia com 44 pacientes, 11 em estado grave. A nota também informa que as autoridades locais fecharam um mercado em conexão com esse surto, mas que as equipes chinesas não encontraram transmissão de pessoa para pessoa.

Naquela época, o agente – SARS-CoV-2 – ainda era desconhecido. Somente em 12 de janeiro a OMS publicou uma nota pública revelando existência de SARS-CoV-2 e alertando que a sequência genética estava disponível para o desenvolvimento de testes de diagnóstico. Finalmente, em 22 de janeiro, a OMS informou que havia enviado uma delegação a Wuhan e que este delegação encontrou evidências sólidas de transmissão humana, o que levou a um monitoramento epidemiológico mais intenso e, finalmente, à declaração de que a covid-19 é uma pandemia.

A outra responsabilidade da OMS é fornecer recomendações aos países membros sobre como responder a crises de saúde nessa escala. O relatório de missão A OMS para a China, entre 16 e 24 de fevereiro, contém uma série de recomendações para responder a uma crise secreta de 19. Com base na resposta chinesa à epidemia, a OMS recomendou que as ferramentas mais apropriadas para o controle seriam medidas “não farmacológicas”, como programas de higiene pública, distância social, identificação e quarentena de pessoas infectadas, uma vez que os candidatos a medicamentos identificados precisariam de mais estudos. Mesmo como parte dessa missão, A OMS também mantém um documento atualizado continuamente com recomendações estratégicas para os países controlarem a doença.

Além das recomendações de políticas, a OMS também tem um papel muito importante na coordenação de técnicos em campo. Por exemplo, a OMS lançou, em janeiro, O protocolo RT-PCR em tempo real para o teste covid-19 usado no hospital alemão Charité. Isto o protocolo acabou sendo usado em quase todos os países do mundo, mesmo no Brasil. Curiosamente, os Estados Unidos desenvolveram seu próprio protocolo através do CDC e é possível que esse processo causou o déficit do teste no país durante o mês de fevereiro.

A OMS também está coordenando esforços coletivos na busca de tratamentos através de Estudo de “solidariedade”. Este estudo utiliza a maior escala possível pela coordenação internacional para testar vários medicamentos simultaneamente e determinar estatisticamente quais medicamentos funcionam e quais não. Através deste estudo, descobriremos rapidamente a eficácia real de medicamentos como cloroquina, remdesivir ou interferon beta 1a. A OMS também fornece um protocolo de conduta médica, muito importante para o tratamento em países onde as autoridades de saúde não podem criar seu próprio protocolo.

Mas nem tudo são flores e a OMS, como agência global multilateral, também precisa lidar com problemas políticos que surgem de problemas internacionais que escapam ao problema de saúde. O jornal britânico The Guardian informou, por exemplo, que em 22 de fevereiro, a OMS organizou uma reunião interna descobrir como responder à descoberta de que o covid-19 era transmissível por humanos. O problema é que havia incerteza sobre a intensidade de contato necessária para a transmissão. Hoje sabemos que o covid-19 é incrivelmente contagioso, mas na época suspeitava-se que a transmissão estivesse limitada a ambientes fechados. A OMS levou uma semana e as notícias da transmissão da comunidade em vários centros para mudar sua recomendação.

Ainda não é possível saber quanta indecisão é devida a uma possível pressão política, mas o que se sabe é que o comitê formado pela China, EUA. EUA, Tailândia, Rússia, França, Coréia do Sul, Canadá, Japão, Holanda, Austrália, Senegal, Cingapura, Arábia Saudita, Suécia e Nova Zelândia foram divididos ao meio. Fora isso, a ausência de Taiwan nesse grupo é notável, já que Taiwan foi um dos primeiros países a denunciar a covid-19.

A política interna também pode ser a fonte do controverso 14 de janeiro Tweet [veja acima] dizendo que não há evidência clara da transmissão de covid-19 de humano para humano. Afinal, no mesmo dia, OMS declarou Em uma conferência de imprensa, houve sinais de transmissão dentro das famílias, incluindo comentários sobre a possibilidade de um “super espalhador”.

A OMS também conta com a boa fé dos países membros para criar respostas. No caso da covid-19, relatórios de que China não era transparente nas notificações e a falta de informações de qualidade impede uma resposta mais adequada da OMS.

Embora esses eventos sejam apenas erros sem malícia, afinal, a covid-19 é uma crise complexa do tipo que causa erros, a verdade é que, para as entidades multilaterais do mundo, pressões políticas são contingências inevitáveis isso deve ser evitado. Em vista do autoritarismo notório da China, é altamente provável que as concessões da OMS a esse governo sejam o preço a pagar pela colaboração. Um mundo em que a OMS tem acesso à China é melhor do que um mundo em que a China é uma ótima Coréia do Norte. Mesmo com os acertos, a resposta geral à covid-19 é muito melhor devido à ação da OMS na disseminação de protocolos e relatórios e na coordenação de estudos técnicos.

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