O que farão os analistas de desempenho do Brasil na Copa do Mundo? Olha tudo que a TV não capta

Um grupo de 10 analistas de desempenho e assistentes técnicos serão os olhos, ouvidos e processadores cerebrais instantâneos do técnico brasileiro Tite no Catar, enquanto a Seleção tenta vencer a Copa do Mundo que venceu pela última vez há 20 anos.

Embora os vídeos e as imagens dos jogos sejam indissociáveis ​​dos melhores times da FIFA, o técnico de suporte brasileiro Thomaz Koerich disse ao Globo.com que quatro membros também estarão presentes pessoalmente nos estádios da FIFA. de olho nos movimentos que a TV não capta ou atrasa.

Koerich enfatizou a análise “in loco” (no local), captada pelo olho humano como crucial para a campanha, assim como os vídeos coletados com drones e guindastes aéreos. “No estádio não perdemos nenhum detalhe do jogo, comportamentos táticos que às vezes a câmera da televisão corta, dando zoom e dando close só em determinado atleta ou mostrando o replay. Não perdemos nenhum detalhe daquele momento”, explicou Koerich.

“In loco”, esses olhos e ouvidos humanos foram capazes de acompanhar a posição dos zagueiros e meio-campistas enquanto o ataque do time finalizava sua jogada, disse ele à Globo. “Conseguimos acompanhar o padrão de movimentação dos zagueiros nessa jogada, enquanto a TV foca nos atacantes, não conseguimos ver os zagueiros. Ou, ao contrário, veja o posicionamento dos atacantes quando o time está defendendo em um bloco baixo, e os atacantes estão fora da imagem da TV. Como está seu posicionamento?

Neymar caminha durante treino no centro esportivo Continassa, em Turim, na Itália, terça-feira, 15 de novembro de 2022. O Brasil vai disputar o Grupo G da Copa do Mundo FIFA de 2022. (AP Photo/Antonio Calanni)

Koerich explicou que, nos estádios, os analistas analisam coisas como a altura da linha defensiva quando o adversário tem a bola e se eles jogam alto ou não. “Se você joga alto ou, você deixa espaço para trás. Estando no estádio, temos essa dimensão, essa visão, não perdemos esse detalhe”, disse.

Se havia algo mais urgente para transmitir a Tite, durante a partida, o quarteto enviou vídeos para Cléber Xavier e Matheus Bachi, auxiliares do banco, portando um tablet. Com a ajuda de um rádio comunicador, eles transmitem as informações ao treinador.

Sentir, observar; não apenas olhando

Os detalhes da Copa do Mundo podem ir diretamente para “sentir o jogo”. Koerich explicou: “Outro problema é o que chamamos de atmosfera do jogo: sentir o jogo, não apenas olhar para o jogo. Assim como a atmosfera, como o jogo se desenrola. Se uma equipe perde ou ganha, qual é a atmosfera e o comportamento quando os resultados são a favor ou contra? Uma série de detalhes que a televisão não consegue transmitir e justifica a importância de estar “in loco”.

“Essas observações serão compartilhadas com toda a comissão técnica da CBF para apresentar suas análises e esse material serviu de base para continuarmos com as análises dessas equipes”, citou o Globo.

Tudo isso além da análise em tempo real que o técnico receberá, e a equipe conta com analistas de desempenho dos clubes de futebol de primeira linha do Brasil. Koerich acrescentou que o primeiro alvo foram as três equipas na fase de grupos, embora todas as 31 sejam eventualmente analisadas.

Explicando a divisão do trabalho, ele disse à Globo que quatro analistas estarão nos estádios para o referido panorama.

“Raony Thadeu, que também é analista do Corinthians, ficará encarregado de filmar as partidas. Com ele também estarão os analistas Bruno Baquete e Thomaz Koerich. Enquanto o primeiro vai selecionar e “cortar” as imagens, o outro vai editar os vídeos. Ao lado deles estará o auxiliar César Sampaio, contribuindo com opiniões sobre a partida”, escreveu o Globo.

O técnico da seleção brasileira, Tite, durante um treino no centro esportivo Continassa, em Turim, Itália, terça-feira, 15 de novembro de 2022. O Brasil vai competir no Grupo G da Copa do Mundo FIFA de 2022. (AP Photo/ Antonio Calanni)

A Globo citou Koerich dizendo que esse era o fluxo tecnológico que já estava sendo usado nas eliminatórias. “No entanto, o fato de não termos um estádio fixo, nem sempre jogamos em casa e a infraestrutura de alguns estádios onde jogamos dificultou o uso dessa ferramenta”, disse Thomaz Koerich à Globo.

Os vídeos que não são tão urgentes de enviar são editados e exibidos aos atletas nos intervalos das partidas, acrescentou. Uma tela e um projetor estão instalados no camarim. “É importante que essas imagens sejam de fácil compreensão para os atletas”, disse Koerich, que destacou que apenas o essencial seja repassado a Tite e seus auxiliares, para não distraí-los. Os quatro analistas discutiram, dialogaram e vazaram os vídeos.

Os tradicionais Vídeos também fazem parte da rotina de treinos da equipe, utilizados para correção da técnica e da comissão técnica para o desenvolvimento de estratégias. “Além disso, os vídeos são preparados e exibidos antes dos treinos táticos e das bolas paradas. Não é incomum Tite ser visto usando um notebook ou mesmo um monitor de TV em campo”, escreveu a Globo.

Antes das partidas, os atletas recebem vídeos curtos, específicos para suas posições. “Um lateral-esquerdo, por exemplo, receberá um pequeno vídeo com as características do lateral-direito adversário, que provavelmente é um confronto que ele terá durante o jogo. Após o jogo, a comissão técnica filtrou os aspectos positivos e as correções feitas e essas imagens são repassadas pelo professor Tite em reunião com todos os atletas no dia seguinte”, explicou Koerich.

Raony filma com a câmera tática, com imagem aberta, que inclui os 22 jogadores. Do lado de Raony, com dois computadores conectados a esta câmera, estão Bruno e Koerich, que cuida de esquetes de fácil compreensão. “Ele já separa algumas imagens que podem ser usadas no intervalo e me manda. Eu desenho no meu computador para que seja o mais didático possível para que os atletas entendam essas informações, pensando que no intervalo o treinador tem pouco tempo”, explicou.

Mais três profissionais, Lucas Oliveira, analista de desempenho do Palmeiras, Fernando Lázaro, auxiliar técnico do Corinthians, e o técnico Ricardo Gomes, completam esse time. “Eles ficarão encarregados de assistir aos jogos dos nossos futuros e prováveis ​​adversários “in loco” no estádio, elaborando relatórios e principalmente um filtro de imagem com os padrões de movimentação daquela equipe. Essa é a base do nosso trabalho, mostrar à comissão técnica, que depois será repassada aos atletas, imagens de como aquela equipe joga, quais são os pontos fortes e fracos que devemos explorar”, disse à Globo.

Questionado se todas as 31 equipes são revisadas, Koerich disse: “Em geral, todas as equipes acabam sendo revisadas em algum momento. Por exemplo, recentemente enfrentamos quatro seleções que estarão na Copa: Gana, Tunísia, Coreia do Sul e Japão. Uma das partidas que estudamos antes de enfrentar a Tunísia foi contra o Irã, outro time que também estará na Copa. Quanto às seleções europeias, fizemos um plano de acompanhá-las de perto, “in loco”, para ter um maior patrimônio de em formação. Alemanha, Portugal, Espanha, Inglaterraalém das equipes que estarão no nosso grupo”.

Para estudar a Holanda, a seleção brasileira assistiu à partida contra o País de Gales, outro time que estará na Copa.

A Globo destacou que Camarões foi o único adversário do Brasil na primeira fase que não foi observado presencialmente. Questionado se isso poderia desempenhar um papel, Koerich disse: “Não, acho que esse fato não torna a equipe de Camarões imprevisível. Durante uma Copa do Mundo, dificilmente qualquer seleção muda seus padrões de movimento. Como eles serão nossos terceiros rivais, teremos como referência todos os jogos anteriores e mais duas partidas da Copa. Mesmo os jogos da Copa serão uma referência muito mais confiável do que aqueles amistosos”.

Catar é mais fácil para as equipes devido a menos viagens

Na Rússia, há quatro anos, analistas de clubes brasileiros ajudaram a CBF produzindo relatórios sobre os outros times. “O projeto de 2018 foi muito legal. Não só os clubes da Série A participaram, com exceção do Flamengo, que não quis participar do projeto, mas também utilizamos ex-alunos do curso de análise de desempenho da CBF Academy para apoiar os clubes do projeto. Foi bem completo. Para esta Copa estamos tentando ser mais instintivos e objetivos, atacando os times mais tradicionais”.

A gig dos analistas corre a todo vapor: “Treinos, vídeos separados para a conferência, o jogo em si, o retorno das partidas preparando material para dar feedback aos atletas no dia seguinte, já começando os vídeos estratégicos do próximo adversário”.

Koerich destacou que o grande diferencial do Catar foi a ausência de voos longos entre as sedes, que serão apenas entre o hotel e o estádio. “Só não ter que voar para os jogos otimiza nosso trabalho, que é bastante desgastante. Quanto mais descansados ​​estivermos, mais produtivos seremos. O diferencial é também a presença do Lucas, do Fernando e do Ricardo no nosso dia a dia, hospedados no mesmo hotel, assim temos acesso imediato a informações, além de tê-los por perto para atender qualquer demanda extra que por vezes surgir”.

A análise ‘fora da bola’ é um departamento inteiro para as seleções da Copa do Mundo. E depende do que os analistas percebem além do que é veiculado.

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