O que pode dar errado com um satélite lá em cima? Explica o Brasil no MIT – 23/07/2020

O que pode dar errado com um satélite lá em cima? Explica o Brasil no MIT - 23/07/2020

Dos 5.000 satélites que orbitam a Terra, mais de 3.000 não estão mais funcionando e são considerados detritos espaciais, representando um risco para os operadores. Mas o que faz um satélite projetado há anos por cientistas de universidades, instituições e empresas para cometer erros e se transformar em escombros?

Paula do Vale Pereira, aluna de doutorado do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT (Massachusetts Institute of Technology) nos Estados Unidos, explicou os motivos mais frequentes durante um webinar no Innovalab, um evento on-line apoiado por Inclinação que traz os principais líderes na área de tecnologia, ciência e inovação. O brasileiro participa da execução do projeto Demi, um satélite cúbico lançado em 2015 pelo MIT para o espaço.

Segundo ela, os motivos podem variar de falta de preparo a condições ambientais, radiação e colisão com outros detritos espaciais.

Temperaturas extremas

“Quando o satélite olha para a Terra, todo o Sol brilha, o que a aquece. Mas quando está atrás da Terra e sem o brilho do Sol, fica muito, muito frio no vácuo do espaço”, explica ele. . Segundo Pereira, essa variação de temperatura nas extremidades pode quebrar o satélite e isso deve ser levado em consideração ao lançá-lo no espaço.

Radiação

Além disso, com a falta de uma atmosfera capaz de protegê-los, os satélites são atingidos por radiação, que pode danificar componentes eletrônicos, como diodos e transistores.

Falha no painel solar

Segundo ela, outro problema comum é quando o satélite se move usando a energia dos painéis solares conectados a ele. “Se os painéis solares tiverem um problema ou nas antenas [que deveriam se comunicar com o satélite], que lançou, acaba perdendo a comunicação com ele “, explicou.

Queda de detritos

Finalmente, ele mencionou o risco de outro satélite vagando incontrolavelmente na órbita da Terra, atingindo um operador, se houver problemas de comunicação.

“Você tem a estação terrestre que está conversando com o seu satélite. Se eles não estiverem alinhados corretamente ou se eu souber que uma antena não foi implantada no meu satélite, isso pode ser um grande problema, porque você não poderá falar com ele. [e prevenir o choque]”Ele explicou.

Desligar e ligar o satélite pode resolver

Como o modem da Internet em casa, desligar e ligar o satélite novamente pode ser suficiente para resolver alguns dos problemas mencionados acima. Tudo vai depender do nível de dano.

“Se você sofrer um pequeno dano, poderá executar apenas um ciclo de energia, que é um nome sofisticado para desligar e ligar novamente o dispositivo. Às vezes, apenas fazer esse ciclo de energia pode resolver o problema, porque ele estava um pouco desconectado “, Ele diz.

O problema se torna sério quando o componente eletrônico é queimado. Se for muito importante para a operação do satélite, pode ser catastrófico.

Segundo ela, é por isso que o satélite Demi, que ela ajudou a projetar e lançar, possui numerosas redundâncias em seu sistema, que nada mais é do que ter componentes duplicados.

“Ele tem um sistema chamado ‘watchdog’, que é um software criptografado que continua funcionando para garantir que o satélite tenha toda a redundância necessária, com sensores redundantes, e que todos medam a mesma coisa”, explica ele.

Quando o software percebe que um dos componentes está lendo de forma diferente da redundante, é um sinal de que a peça provavelmente está quebrada. “O cão de guarda pode enviar comandos à sonda para reiniciar seu ciclo de energia”, diz o aluno de doutorado do MIT.

Quem pune aqueles que deixam um satélite desperdiçar?

Paula do Vale Pereira, do MIT, explicou que a NASA estabeleceu regras que proíbem empresas e iniciativas de deixar lixo no espaço. “Se ele [o satélite] não está sendo usado ou não é mais útil, deve ser removido de lá “, diz ele.

Quando um satélite está orbitando em órbita baixa, que varia de 400 km a 1.000 km de altitude, e se decompõe, ele deve ter mecanismos para atrair a atmosfera da Terra. Após a reentrada, queima e desintegra-se.

“Quando você tem mais de 1.000 km, é muito difícil levá-lo para a atmosfera da Terra, porque não há mais como arrastá-lo para dentro. Então, o que as pessoas fazem? Dispare no satélite em outra direção, para uma parte da órbita que ninguém está usando “, explica ele. Ainda assim, isso é um problema, ele disse.

“Mesmo que você esteja em uma órbita que ninguém está usando, você está em órbita. (…) Só para você ter uma idéia, a ISS [Estação Espacial Internacional] Está voando a cerca de sete quilômetros por segundo. É muito rápido. Se algo colidir com essa velocidade, haverá muito dano. É por isso que as pessoas estão tão preocupadas com os detritos espaciais e com o rastreamento “, conclui.

Mas, apesar das regras, é difícil punir quem deixa um satélite desperdiçar. Segundo Pereira, isso dependerá do que acontecer depois da falha do satélite, quem pagou pelo satélite, quem coordenou o projeto e quem investiga as causas da falha.

“No nosso caso, o Departamento de Defesa dos EUA está financiando o projeto. Eles sabem que estamos testando novas tecnologias e entendem que somos estudantes aprendendo a fabricar uma espaçonave. Portanto, eles já sabem que há uma chance de falha e que estão bem com isso. isso “, disse ele.

Sobre o satélite Demi

Demi é um acrônimo para “Deformble Mirror Demo Mission” em inglês. É um espelho redutor de ruído nas imagens de exoplanetas, que são planetas que orbitam em torno de outras estrelas que não o Sol. O satélite foi lançado em fevereiro de 2015 para a ISS, mas ainda está esperando para ser lançado na Earth Orbit.

“Ter boas imagens deles é extremamente importante porque existem outras maneiras de dizer que existem exoplanetas, mas não existem outras maneiras de medir e entender a atmosfera ou algumas características de composição dos planetas”, explica Pereira.

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