O que vem a seguir para as operações da Samarco no Brasil à medida que as negociações sobre a dívida desmoronam

As negociações entre credores e controladores da produtora brasileira de pelotas de minério de ferro Samarco Mineração chegaram a um impasse sobre a reestruturação de R$ 50 bilhões (US$ 10,8 bilhões) em dívidas e é cada vez mais provável que a empresa tenha uma nova administração.

Uma joint venture 50:50 entre Vale e BHP, a Samarco entrou com pedido de recuperação judicial no ano passado para evitar o pagamento antecipado a alguns detentores de títulos e preservar seu fluxo de caixa e avançar para a produção plena.

A empresa apresentou quatro propostas de reestruturação desde então, com a mais recente sendo rejeitada nesta semana, disse um porta-voz da empresa à BNamericas. A Samarco busca um corte de 75% de sua dívida, que foi rejeitada pelos credores.

“Muitos detentores de títulos são atualmente formados por fundos abutres que compraram títulos da Samarco após o rompimento da barragem de rejeitos, já com um valor de face muito baixo. Esses fundos são especializados em grandes disputas legais e não acho que eles aceitarão um acordo que ultrapasse 50% no máximo”, disse um executivo que já participou de negociações entre empresas e credores, mas não está envolvido agora, disse à BNamericas em condição de anonimato.

Com várias rejeições, os credores agora planejam nomear um novo executivo para assumir o controle da empresa, como a lei de falências do Brasil permite se os acordos de reestruturação da dívida não forem alcançados.

Os credores estão tentando nomear Tito Martins, ex-executivo da Vale que foi CEO da Nexa Resources até o final do ano passado. Os credores da empresa querem que a Samarco retome a produção plena mais rápido do que o planejado pela atual administração, pois permitirá à empresa quitar suas dívidas existentes mais rapidamente.

“A retomada total da produção da Samarco tem um desafio adicional, porque as licenças ambientais para aumentar a produção no Brasil são atualmente muito rígidas. Onde a Samarco tem produção, é necessário um alto nível de processamento, e com mais processamento necessário, mais resíduos e difícil ter uma produção que atenda aos padrões ambientais atuais”, acrescentou a fonte.

A Samarco Mineração planeja voltar à plena capacidade de produção até 2028. A produção no ano passado foi de 7,87Mt, ou apenas 26% de sua capacidade de 30Mt/a.

O pedido de recuperação judicial ocorreu quando a Samarco interrompeu as operações do final de 2015 a dezembro de 2020 devido ao rompimento de sua barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, que destruiu duas aldeias, matou 19 pessoas e causou danos ambientais gerais.

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