O serviço de reconhecimento facial gratuito gera um alerta de que pode ser usado para o assédio moral 15/06/2020

O serviço de reconhecimento facial gratuito gera um alerta de que pode ser usado para o assédio moral 15/06/2020

O PimEyes se descreve como uma ferramenta para ajudar a identificar o uso indevido das imagens, mas os ativistas temem que a plataforma possa ser usada para assédio.

Os ativistas criticaram uma ferramenta gratuita de reconhecimento facial que permite que as pessoas encontrem fotos suas ou de outras pessoas na Internet pelo direito à privacidade.

O PimEyes se descreve como uma ferramenta de privacidade, criada para ajudar a evitar o uso indevido de imagens.

Mas a Big Brother Watch, uma ONG britânica que promove campanhas de privacidade e direitos civis, disse que a nova ferramenta pode “permitir a vigilância do Estado, o monitoramento comercial e até promover o assédio moral e o assédio em uma escala anteriormente inimaginável”.

O aumento no serviço ocorre ao mesmo tempo em que a Amazon decidiu parar de usar as ferramentas de reconhecimento facial por um ano.

O site polonês PimEyes foi criado em 2017 como um projeto pessoal e de lazer, mas acabou sendo vendido no ano passado. Atualmente, possui 6 mil usuários registrados.

Ele chamou a atenção após um artigo sobre a ferramenta, publicado no Medium.

O site permite que as pessoas enviem qualquer imagem gratuitamente e depois digitalizem na Internet, pelo menos sites acessíveis ao público, como Tumblr, agências de notícias e blogs, atrás das páginas que usavam essa imagem.

Silkie Carlo, diretora do Big Brother Watch, disse à BBC: “Ver esta poderosa tecnologia de vigilância comercializada para indivíduos é assustadora. Ela está pronta para começar e coloca mulheres e crianças em risco sem precedentes”.

Em resposta, o site PimEyes disse: “Nossa política de privacidade impede que as pessoas usem nossa ferramenta neste caso. Todas as ferramentas podem ser usadas incorretamente”.

A empresa disse à BBC que não usa imagens tiradas das mídias sociais, embora a BBC, ao testar a ferramenta, tenha encontrado fotos de repórteres postados no Facebook e no Twitter.

“Se você encontrar rostos postados apenas no Facebook, significa que alguém os postou em outro lugar. Nós rastreamos apenas sites que estão de acordo com suas regras de rastreamento”, disse a empresa em nota.

O uso de imagens de mídia social causou problemas para a empresa de reconhecimento facial ClearviewAI.

A empresa coletou mais de três bilhões de fotos do Facebook, Twitter e YouTube. Esse material foi disponibilizado ao FBI, ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e a outras 600 agências de aplicação da lei em todo o mundo para identificar suspeitos.

As três empresas de mídia social pediram à ClearviewAI para interromper o procedimento.

O PimEyes oferece um serviço premium que permite que as pessoas enviem até 25 imagens de pessoas diferentes e recebam alertas sempre que novas fotos são carregadas online. Atualmente, possui 350 usuários ativos desse serviço.

A BBC disse ao PimEyes que a premissa do site é ajudar as pessoas a “lutar por sua própria privacidade online”, pesquisando perfis falsos, imagens vazadas e uso não autorizado de fotos.

A empresa reconheceu que seus dados são usados ​​para alimentar o Paliscope, software criado por uma empresa sueca amplamente usada por várias forças policiais e outras forças de segurança em investigações criminais.

Mas o PimEye removeu do site uma referência às buscas feitas na dark web por policiais.

Segundo o PimEye, as imagens carregadas no site “nunca são salvas ou indexadas”. Em vez disso, diz que faz uma “impressão digital” de um rosto, usando seus principais recursos, que são criptografados e armazenados temporariamente em seus servidores.

Serviço proibido pela Amazon

A tecnologia de reconhecimento facial tornou-se cada vez mais controversa à medida que mais forças policiais ao redor do mundo adotam as ferramentas.

Vários estudos questionam a precisão da tecnologia, sugerindo que ela funciona particularmente mal na identificação de pessoas negras.

Após protestos contra o assassinato de George Floyd e pedidos de reforma da polícia, IBM e Amazon deixaram de usar a tecnologia de reconhecimento facial.

No caso da Amazon, o uso policial do seu software de reconhecimento Rekognition foi suspenso por um ano para permitir que o governo dos Estados Unidos decida como deseja que a tecnologia seja usada no futuro.

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