O universo tem consciência? Quem diz que é um modelo matemático polêmico – 04/05/2020

O universo tem consciência? Quem diz que é um modelo matemático polêmico - 04/05/2020

O universo pode ser consciente. Apesar da frase um tanto poética, quem diz que isso é possível é realmente uma ciência: boa e velha matemática.

Podemos prever com precisão fenômenos naturais simplesmente manipulando números, desde os movimentos dos planetas até a colisão de dois buracos negros a bilhões de anos-luz de distância. Mas como isso é possível? Para explicar, os cientistas estão trabalhando em um modelo controverso chamado Teoria da Informação Integrada (IIT).

Este modelo tenta quantificar e medir a consciência. Quando aplicado a objetos inanimados, como máquinas, partículas subatômicas e o próprio universo, o modelo atinge um resultado intrigante: eles também estão cientes.

“Isso pode ser o começo de uma revolução científica”, disse Johannes Kleiner, matemático do Centro de Filosofia Matemática da Universidade de Munique, Alemanha, à revista New Scientist.

Matemática complexa

A teoria da informação integrada é baseada em um valor chamado “phi”, que representa a interconectividade de uma rede, seja uma região do cérebro, um circuito ou um átomo. Este cálculo reflete o nível de consciência dessa rede. Quanto mais alto o “phi”, mais consciente. O córtex cerebral humano, por exemplo, tem um valor muito alto, pois contém grupos densos de neurônios interconectados.

Quando o neurocientista Giulio Tononi propôs o IIT pela primeira vez, o cálculo do “phi” era quase impossível. Atingir o valor da consciência do cérebro humano levaria mais tempo do que a existência do universo. No entanto, um artigo publicado em fevereiro deste ano pelos criadores da teoria tenta simplificar significativamente o processo.

Suas descobertas parecem sugerir que, se queremos uma descrição precisa da consciência, devemos abandonar nossas crenças e aceitar que todos os tipos de matéria, mesmo os inanimados, podem ser conscientes, talvez até o universo como um todo.

Muitos acadêmicos, no entanto, continuam relutantes em teoria da informação integrada. Não por causa de sua complexidade, mas principalmente por causa das implicações de longo alcance que a idéia de um “universo consciente” pode trazer.

“Acho que a matemática pode nos ajudar a entender a base neural da consciência no cérebro, e talvez até nas máquinas, mas inevitavelmente deixará algo de fora: a qualidade dessa experiência, sentida internamente”, disse Susan Schneider, filósofa e cientista. cognitivo da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, para o New Scientist.

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