Ode à alegria e Sérgio Mendes

Chance. É uma palavra que surge repetidas vezes para Sergio Mendes, enquanto o renomado maestro brasileiro tenta explicar como um menino da periferia do Rio de Janeiro, sofrendo de uma doença óssea incapacitante que quase lhe custou uma perna, pôde crescer. para se tornar um dos músicos mais celebrados internacionalmente em seu país.

A maioria dos fãs de Mendes, o tecladista pioneiro que ajudou a trazer a bossa nova para o mainstream americano na década de 1960, atribui sua influente carreira de 60 anos ao trabalho árduo incansável e uma riqueza de talento natural.

Mas não Mendes. Serendipidade, insiste o modesto músico. Acidentes felizes.

“Essa é a palavra que uso, porque minha vida foi assim”, disse Mendes, de 81 anos, lembrando sua sorte de estar entre os primeiros brasileiros a receber penicilina (seu pai era médico; curou sua doença óssea ) ou tocar no Carnegie Hall e gravar com Cannonball Adderley no início de sua carreira. “Serendipidade, essa é a história da minha vida.”

John Scheinfeld, no entanto, vê um pouco mais na história do que isso. Ele é o cineasta por trás de documentários como “Os EUA vs. John Lennon” e “Quem é Harry Nilsson (e por que todo mundo está falando sobre ele)?”, juntamente com uma série de outros projetos de filmes centrados em lendas americanas. Coltrane, Brian Wilson e Frank Sinatra.

Seu último trabalho é “Sergio Mendes: Na Chave da Alegria”, que traça a vida e os tempos do luminar da música mundial desde sua infância no Brasil até seu avanço pop como líder da banda Brasil ’66 e seu último ressurgimento como pop ícone. e influência em alguns dos compositores mais famosos do século XXI.

O filme estreia em Sonoma em 7 de julho, com exibição às 18h15 no Teatro Sebastiani.

“Sergio é um músico de primeira. Ele arranja, produz, é um tecladista incrível”, disse Scheinfeld. “Ele tem seu próprio estilo: você pode dizer a diferença entre ele e os outros.”

Scheinfeld descreve Mendes como um “pioneiro” na maneira como combinou os estilos de samba e bossa nova de seu Brasil natal com pop e jazz americanos para “realmente chamar a atenção das pessoas nos Estados Unidos” em meados dos anos 2000. 1960.

Produzido por Herb Alpert, Mendes e Brasil ’66 estouraram em 1966 com seu single de estreia, “Más que nada”, que alcançou o top 50 nos EUA. Nos quatro anos seguintes, Mendes e a banda desfrutaram de um sucesso ainda maior. apresentando covers de funk latino de padrões dos anos 60 como “Fool on the Hill”, “Scarborough Fair” e “The Look of Love”.

“O som é tão fresco e atemporal”, acrescentou Scheinfeld, apontando para os muitos músicos contemporâneos que citam Mendes como uma grande influência. “Fale com eles. Isso é uma coisa muito rara.”

Muito de “Key of Joy” é dedicado à marca de Mendes em músicos como John Legend, Common, Quincy Jones e will.i.am, que aparecem no filme. (Assim como os fãs de não-música como Pelé e Harrison Ford.)

Uma das memórias favoritas de Mendes, outro momento fortuito, é o momento em que will.i.am ligou friamente para a lenda da bossa em sua casa para se apresentar e sugerir que eles colaborassem em um álbum. De acordo com o filme, o fundador do Black Eyed Peas trouxe todos os seus álbuns de Sergio Mendes para a porta da frente e disse: “Eu ouço seus discos desde os 14 anos, conheço todas as músicas que você gravou!”

Sua colaboração resultou no álbum de 2006, “Timeless”, que contou com convidados como Stevie Wonder, Erykah Badu, John Legend, Q-Tip, Justin Timberlake e India.Arie, entre outros. Uma nova versão de “Mas Que Nada”, gravada para o álbum com o Black Eyed Peas, alcançou o 6º lugar na parada de singles dos EUA.

E Mendes não acabou. Ele recebeu sua terceira indicação ao Grammy em 2011 por seu álbum “Bom Tempo” e uma indicação ao Oscar 2012 de Melhor Canção Original por “Real in Rio” da trilha sonora de “Rio”.

Mesmo com sua carreira musical entrando em sua sexta década, Mendes gosta de se manter ocupado e continuar colaborando com outros músicos. “Estou sempre procurando algo diferente para fazer”, disse Mendes. “Eu gosto de aventura. Faça algo com alguém que eu nunca pensei que faria.”

Tudo se resume, disse Scheinfeld, à música de Mendes fazer as pessoas se sentirem bem. Por isso, acrescenta, chamou o filme de “A chave da alegria”.

“E descreve Sergio como uma pessoa”, disse Scheinfeld. “Ele é uma pessoa otimista que ama a vida, viajar, conhecer outras culturas. Ele aborda a vida e a música com alegria.”

Ainda assim, para Mendes, trata-se de serendipidade.

“Você olha para outros grandes músicos que não tiveram isso na vida, morreram muito jovens ou se drogaram”, disse Mendes. “Você pode ser muito talentoso, mas mesmo assim nada acontece.”

Na opinião de Mendes, não existe fórmula para o sucesso. “É fortuito.” Seu destino é seu destino.

“Quando olho para trás”, conclui Mendes, “tive muita sorte”.

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