Onde está o dinheiro? Brasil, Indonésia e Congo unem forças para aumentar o dinheiro para a proteção da floresta tropical

  • Representantes dos três gigantes florestais do mundo – Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo – assinaram um acordo de cooperação em Jacarta pedindo mais fundos para ajudar a proteger metade das florestas tropicais do mundo.
  • A declaração segue a perda de 2,3 milhões de hectares (5,7 milhões de acres) de floresta primária nos três países em 2021, principalmente devido ao aumento das taxas de desmatamento no Brasil, responsável por quase 50% do desmatamento global no ano passado, segundo dados do Observação Florestal Mundial.
  • Os críticos dizem que a declaração conjunta carece de ação e compromisso reais. Outros dizem que é um passo na direção certa e que a cooperação internacional é urgente para proteger as florestas tropicais do mundo.
  • Na COP27, Lula da Silva, presidente eleito do Brasil, pediu aos países ricos que paguem sua promessa de US$ 100 bilhões em 2009 para ajudar os países menos desenvolvidos a enfrentar a mudança climática e prometeu reverter as tendências de desmatamento em seu próximo mandato.

Os três gigantes florestais do mundo, Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo (RDC), assinaram uma declaração conjunta pedindo a negociação de novos mecanismos de pagamento para preservar as florestas tropicais que ajudam a regular o clima mundial e abrigam milhões de plantas e animais. .

O anúncio marca o início de uma aliança estratégica, batizada de OPEP das Florestas Tropicais, que visa fazer lobby junto aos países mais ricos por fundos em troca da proteção das florestas tropicais que ajudam a proteger nosso planeta do aquecimento global e das emissões descontroladas. Espera-se que um bloqueio da Amazon se siga, segundo a ministra colombiana Susana Muhammad.

O documento afirma que os três países “trabalharão na negociação de um novo mecanismo de financiamento sustentável” e que “financiamento multilateral previsível, adequado e de fácil acesso” é fundamental para a conservação e manejo sustentável das florestas.

No ano passado, os três países perderam 2,3 milhões de hectares (5,7 milhões de acres) de floresta tropical primária, em grande parte liderados pelo Brasil, que desmatou três vezes mais florestas do que o vice-campeão, a República Democrática do Congo, e foi responsável por mais de 40% do desmatamento global em 2021, de acordo com dados pelo Global Forest Watch.

Ambiente analistas Uma reversão radical na tendência destrutiva do Brasil é esperada com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que prometeu reverter o desmatamento recorde na Amazônia sob Jair Bolsonaro, o agitador de direita que ele derrotou por pouco nas eleições nacionais em outubro.

Pilhas de madeira da floresta tropical. A demanda global por madeira por uma população humana crescente está impulsionando o desmatamento na Amazônia, que por sua vez está impulsionando a intensificação das mudanças climáticas. Imagem de Rhett A. Butler/Mongabay

A declaração conjunta foi organizada em parte pelo atual ministério do meio ambiente de Bolsonaro, liderado por Joaquim Leite, que trabalha com os lobbies do agronegócio mais poderosos do Brasil há mais de duas décadas. Mas as administrações opostas do Brasil podem encontrar um terreno comum na pressão por esquemas internacionais de pagamento por serviços ecossistêmicos.

Depois de declarar que “o Brasil estava de volta” ao cenário mundial das negociações climáticas na COP27 em Sharm el-Sheikh, Lula repetiu os apelos por dinheiro para apoiar ações urgentes.

“Vamos buscar mecanismos de financiamento para frear o avanço do aquecimento global”, disse Lula na conferência do clima no Egito em 16 de novembro. “Os países ricos disseram que arrecadariam US$ 100 bilhões na COP15 em Copenhague para ajudar os países menos desenvolvidos a lidar com a mudança climática”, acrescentou, mas não seguiu adiante.

Um Resumo de Carbono análise estimou que os Estados Unidos da América ficaram US$ 32 bilhões aquém de sua “parte justa” dessa meta, prometendo apenas US$ 8 bilhões de 2009 a 2020. A secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohammed Estimativa que os países em desenvolvimento precisariam de US$ 300 bilhões por ano para adaptação até 2030.

“As três maiores bacias de florestas tropicais do mundo agora terão que receber uma compensação proporcional pelos serviços prestados à humanidade”, escreveu Eve Bazaiba, vice-primeira-ministra da RDC e uma das três signatárias da declaração. cheep.

A Iniciativa Florestal da África Central (CAFI) é uma das únicas fontes ativas de financiamento para a Bacia do Congo, por exemplo, oferecendo US$ 500 milhões para os 10 anos entre 2021 e 2031. “Isso não é suficiente”, Blaise Mudodosi, coordenador da RDC Actions pour la Promotion et Protection des Peuples et Espèces Menacés (APEM), disse à Mongabay. “Compartilhamos o interesse em proteger as florestas e somos mais fortes se negociarmos juntos. Quando a Bacia Amazônica, a Bacia da Indonésia e a Bacia do Congo falarem com a mesma voz, isso teria mais impacto do que cada país negociando sozinho.”

Lula 2.0: mais cenoura, menos pau?

O presidente eleito Lula da Silva prometeu priorizar o combate ao desmatamento em seu governo, dizendo que “a destruição ficará no passado”, mas pode enfrentar oposição de governos locais alinhados a Bolsonaro na região amazônica.

Um estudo do Observatório do Clima, uma organização de vigilância da ação climática, encontrado que Bolsonaro garantiu apoio eleitoral maciço nos 256 municípios responsáveis ​​por cerca de 75% do desmatamento na Amazônia, o que representa mais de um terço da perda florestal global.

Funcionários do IBAMA com madeira apreendida cortam em um local de extração ilegal de madeira dentro de uma reserva indígena no estado brasileiro de Roraima. Durante o mandato de Jair Bolsonaro, a Amazônia brasileira registrou taxas vertiginosas de desmatamento, e estudos recentes alertam que, sem ação, a região amazônica pode atingir seu ponto crítico em breve. Imagem cortesia do IBAMA.

O segredo do sucesso de Lula, disseram especialistas ao Mongabay, pode estar em aproveitar os incentivos econômicos para a conservação na região, em vez de retomar as punições severas e generalizadas para infratores ambientais que reduziram as taxas de desmatamento há uma década.

“Se voltar ao normal, com restrições de comando e controle e prisão de pessoas, vai haver uma revolta na Amazônia”, diz Daniel Nepstad, diretor-executivo do Earth Innovation Institute, que Estimativa que os estados amazônicos do Brasil poderiam receber entre US$ 13 e US$ 48 bilhões em créditos de carbono até 2030 se as emissões caíssem em 90%.

“Estamos em um ponto de virada. Por fim, em breve poderemos estar falando de bilhões de dólares por ano em financiamento para florestas tropicais, em vez de milhões”, acrescentou.

Ainda não está claro como o Brasil sob Lula irá proceder com a nova aliança. Tasso Azevedo, um dos arquitetos do Fundo Amazônia, amplamente considerado como um dos modelos de financiamento climático mais bem-sucedidos do mundo, disse que a declaração conjunta entre Indonésia, República Democrática do Congo e Brasil ainda precisa ser apoiada por ações. “Poderia representar um passo à frente se este fosse um pacto com compromissos de todos os três países”, disse ele à Mongabay. A partir de agora, diz Azevedo, “não há substância”.

Sem floresta, sem dinheiro. Sem dinheiro, sem floresta.

As taxas de desmatamento aumentaram no Brasil e na República Democrática do Congo no ano passado, seguidas de perto por outras nações com florestas tropicais importantes, como a Bolívia. “Globalmente, o indicador de desmatamento não está no caminho certo”, afirmou a Avaliação da Declaração Florestal de 2022 Publicados o mês passado. “A cada ano que passa sem progresso suficiente, torna-se cada vez mais difícil atingir as metas florestais globais até 2030.”

Com base na avaliação de 2022, a Indonésia reduziu o desmatamento pelo quinto ano consecutivo, com uma queda adicional de 25% em 2021, mas ainda desmatou uma área maior que a cidade de Londres.

A Associação dos Povos Indígenas do Brasil diz que a falta de recursos das comunidades indígenas, apesar das promessas ambiciosas dos líderes mundiais, as deixa vulneráveis. “Por mais um ano, os povos indígenas continuam sendo afetados diretamente pela crise climática, mas sem acesso direto a mecanismos financeiros para fortalecer suas ações para combatê-la”, escreveu o grupo em comunicado. declaração.

Lula se reúne com lideranças indígenas.
O presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, prometeu parar o desmatamento no país. Imagem cortesia de Ricardo Stuckert.

Dos US$ 1,7 bilhão prometidos na COP26 no ano passado, apenas 7% foram para organizações indígenas, de acordo com um relatório pela Fundação Ford.

Para Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente brasileira que assessora o governo de transição de Lula, o apoio financeiro não deve ser uma condição difícil para a conservação.

“Não vamos trabalhar com a lógica chantagista do Bolsonaro, indo para os países ricos e dizendo que só vamos cuidar das nossas florestas e dos povos indígenas se eles nos pagarem para isso”, afirmou. ditado A repórter do Mongabay, Jaqueline Sordi, no início deste mês, acrescentou que o Brasil se comprometeu a fornecer recursos para países de baixa renda desde 2007.

Saatchi Sassan, cientista sênior do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que também dirige a ONG CTrees, com sede na Califórnia, e liderou projetos de pesquisa na Indonésia e no Brasil, diz que a declaração conjunta também pode aumentar a proteção da floresta por meio de pesquisa e ciência compartilhadas.

Segundo ele, Brasil e Indonésia podem compartilhar seus conhecimentos técnicos sobre monitoramento de atividades de uso da terra em grandes regiões com a República Democrática do Congo, que ainda está se recuperando. “A implicação é boa porque eles usarão técnicas semelhantes para monitorar suas florestas, e a República Democrática do Congo está alcançando”, disse ele à Mongabay. “Isso realmente vai aproximar esses três principais países.”

imagem do banner: A taxa de desmatamento da Indonésia diminuiu nos últimos anos, mas são necessários mais esforços para proteger as florestas tropicais do país. Imagem por Rhett A. Butler.

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