Opinião Olá, presidente Biden. A América Latina tem uma mensagem para você.

No México, o presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador também tende a explorar o vínculo afetivo com seus seguidores para incitá-los contra seus críticos e desacreditar a imprensa.

Líderes populistas carismáticos como López Obrador e Bolsonaro, como, é claro, Trump, são baseados em uma política de afeto. Eles retiram a razão do debate público, reduzindo-a a pura reação emocional, intolerância e lealdades radicais. Por trás dessa estratégia está um esforço mal dissimulado para instigar a polarização. Seu objetivo é desacreditar os fatos e destruir a ideia de verdade para evitar um consenso coletivo sobre a realidade e tornar o poder ainda mais inescrutável. Por exemplo, López Obrador atacou a independência de instituições autônomas que protegem a transparência no México, como a anunciada eliminação do Instituto Nacional de Transparência, Acesso à Informação e Proteção de Dados Pessoais.

Nos Estados Unidos, as autoridades eleitorais não sucumbiram às ameaças de Trump, o Congresso resistiu ao ataque autoritário e a democracia, pelo menos por agora, vive para ver outro dia. Sr. Trump, descrito pelos americanos como um dos piores presidentes da história do país, deixou a Casa Branca pela porta dos fundos, marcando o fim de seu repulsivo reality show e, com sorte, o início de sua queda no esquecimento.

No entanto, a sombra que lançou sobre a democracia nos Estados Unidos é um sinal de alerta para países com instituições mais fracas e congressos mais obsequiosos, como Brasil, México e El Salvador, onde a fórmula do populismo nacionalista mantém seu apelo: uma mistura de desgosto com a corrupção no país. as classes políticas e empresariais, a estagnação econômica e social e o sentimento anti-imigrante.

Com o colapso da democracia, maiorias decepcionadas continuam sucumbindo ao feitiço populista, elegendo líderes que invariavelmente prometem acabar com a “liderança podre e corrupta”, como Chávez prometeu, ou “erradicar o regime corrupto”, como prometeu López. Obrador disse que iria, ou, nas famosas palavras de Trump, “drenar o pântano”. E eles não são os únicos, é claro. Não faltam aspirantes a caudilhos na América Latina.

Para promover a democracia ao sul do Rio Grande, o Sr. Biden deve primeiro dar o exemplo, restabelecendo uma democracia funcional em casa. Fechar a lacuna de oportunidade é um passo importante para lidar com as crescentes lacunas sociais e raciais nos Estados Unidos. Além da necessidade crítica de fortalecer as instituições, outro passo importante para dar o exemplo em uma região dilacerada pela polarização seria a restauração dos valores cívicos, promovendo a responsabilidade social de cima para baixo no discurso público.

Isso é o que Biden disse que quer fazer, o que é bom, porque o mundo está assistindo. Ele apresentou uma proposta de reforma da imigração que legalizaria milhões de migrantes, principalmente latino-americanos, muitos dos quais trabalham em alguns dos setores mais exigentes e essenciais da economia. Ele também disse que alocará ajuda econômica significativa a El Salvador, Guatemala e Honduras para evitar que os mais vulneráveis ​​tenham que emigrar de seus países; conceder Status de Proteção Temporária aos venezuelanos que fugiram da ditadura de Nicolás Maduro; e promover ampla colaboração sobre mudança climática.

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