Os astrônomos capturam imagens raras do nascimento de sistemas planetários.

Espaço-tempo

Imagens reconstruídas dos 15 discos protoplanetários observados pela equipe de astrônomos (Jacques Kluska et al.)

Uma equipe internacional de astrônomos liderada por Jacques Kluska da Universidade KU Leuven, na Bélgica, divulgou nesta semana imagens inéditas de discos planetários em formação. Imagens infravermelhas revelam um nível impressionante de detalhes e podem contribuir para a compreensão de como nascem os sistemas planetários ao redor das estrelas.

No entanto, obter essas imagens não é uma tarefa fácil. Em vez de simplesmente obter uma foto, os astrônomos combinaram o sinal recebido por vários telescópios ao mesmo tempo, simulando o telescópio gigante de cerca de 100 metros. O sinal foi combinado usando o instrumento Pionier no Observatório Europeu do Sul.

Essa técnica, conhecida como interferometria, também tem sido usada em trabalhos como determinar as órbitas das estrelas ao redor do buraco negro supermassivo em nossa galáxia e até mesmo na famosa imagem do buraco negro divulgada em 2019. Com ela, os cientistas podem observar até 100 vezes mais detalhes do que o telescópio espacial Hubble. Nesse caso, eles podiam até observar a geometria do disco a uma fração da distância da Terra ao Sol, revelando novas pistas sobre as propriedades desse material nas regiões mais próximas da estrela.

Este trabalho ainda tinha um obstáculo adicional, à medida que os planetas se formam em torno das estrelas, que podem ser muito brilhantes em imagens. Portanto, os pesquisadores foram forçados a usar modelos matemáticos sofisticados para remover a luz da estrela central, deixando apenas a emissão do disco de gás e poeira ao seu redor. É esse material que irá gerar os planetas nos próximos milhões de anos.

Com os dados em mãos, os astrônomos conseguiram observar novos detalhes na formação de planetas e descobriram que esse material não se distribui simetricamente em torno da estrela. Isso significa que os anéis de poeira que compõem os planetas não agem de maneira comportamental, mas estão sujeitos a fortes efeitos de turbulência e vórtices. Segundo os autores, esses efeitos são responsáveis ​​pelo acúmulo de material e pelo crescimento do planeta a partir da aglomeração de poeira no disco.

A equipe agora planeja usar a técnica de interferometria em diferentes partes do infravermelho para determinar com mais precisão as propriedades físicas do disco, como temperatura e composição química. Isso poderia ajudar os astrônomos a entender como os planetas nascem e como a Terra surgiu do disco ao redor do Sol.

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