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Paris, 23 de julho de 2020 (AFP) – O fóssil de um espécime de uma espécie extinta de crocodilo africano revelou semelhanças com os répteis americanos modernos, apoiando a teoria de uma possível travessia do Oceano Atlântico há 5 milhões de anos. Esta é a conclusão de um estudo publicado nesta quinta-feira (23).

Os autores do trabalho, publicado na revista Nature Scientific Reports, especulam que os jacarés atuais nos Estados Unidos são descendentes de uma única fêmea desta espécie africana antiga. Fertilizado, teria sido transportado pelas correntes oceânicas para o continente americano.

Um crânio de crocodilo “C. checchiai” de 7 milhões de anos foi descoberto em 1939 em As Sahabi, na Líbia, e foi mantido em boas condições no museu da Universidade de Ciências da Terra em Sapienza.

Recentemente, o crânio de quase 50 centímetros de comprimento foi escaneado e as imagens tridimensionais revelaram segredos de sua anatomia: “C. checchiai” tinha uma protuberância na mandíbula, dando-lhe um perfil convexo.

Essa característica não é encontrada em nenhuma espécie de crocodilo de outras partes da África, mas em quatro espécies que hoje vivem na América e também em uma espécie extinta que habitava o território da atual Venezuela. Essa estrutura esquelética comum sugere uma evolução compartilhada entre espécies fósseis e crocodilos americanos.

Análises morfológicas e moleculares complementares apóiam a tese, concluindo que esse ancestral africano pode ser encontrado na base da árvore filogenética – representação das relações evolutivas entre várias espécies ou outras entidades – dos crocodilos. Ele pode ser o elo que faltava entre as linhagens africanas e americanas.

Para explicar como essas ramificações foram misturadas, as pesquisas sugerem que grandes répteis podem ter migrado da África para a América e depois se espalhado pelo continente, na era do Mioceno, entre 11 e 5 milhões de anos atrás.

Na época, o Atlântico já era uma grande barreira em termos de distribuição geográfica dos organismos, disse à AFP o autor principal do estudo, Massimo Delfino. Segundo o pesquisador da Universidade de Turim, no entanto, a existência de várias correntes oceânicas provavelmente facilitou a dispersão dos animais.

O extinto “C. checchiai” também está próximo de uma espécie australiana atual, “capaz de percorrer quase 500 quilômetros em um mês simplesmente flutuando e transportada pelas correntes, como mostram imagens de satélite”.

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