Papa cria novos cardeais que podem escolher sucessor

Após este fim de semana, o Papa Francisco terá escolhido 83 dos 132 cardeais atualmente qualificados para eleger um novo papa.

Isso é quase dois terços do total e precisamente a porcentagem necessária para que qualquer nome proposto seja aprovado.

Nos últimos meses, o papa foi forçado a depender de uma cadeira de rodas devido a dores no joelho, que ele disse ser inoperável.

Ele também sofre de ciática, uma doença nervosa crônica que causa dor no quadril.

INDICAÇÕES FUTURAS?

Novos cardeais são sempre examinados pelos observadores do Vaticano em busca de pistas sobre a direção futura da Igreja e seus 1,3 bilhão de fiéis.

Especialistas alertam, no entanto, que os cardeais nomeados por um papa não necessariamente escolhem sucessores à sua semelhança.

O pontífice argentino completou este ano uma grande reformulação do poderoso corpo governante do Vaticano, a Cúria Romana, que torna a conquista de novos convertidos uma prioridade.

De acordo com sua abordagem de tornar a Igreja mais inclusiva, transparente e responsiva às necessidades dos pobres e marginalizados, o Papa Francisco escolheu dois africanos e cinco asiáticos, incluindo dois cardeais da Índia.

O especialista em Vaticano Bernard Lecomte disse à AFP que as escolhas do papa são “representativas da Igreja hoje, com um grande lugar para o hemisfério sul”, onde vivem 80% dos católicos do mundo.

Virgilio Do Carmo Da Silva, Arcebispo de Díli, se tornará o primeiro cardeal do minúsculo Timor Leste, uma nação majoritariamente católica no Sudeste Asiático, no sábado.

O papa também se sentiu à vontade para ignorar os arcebispos das principais cidades para escolher aqueles em assentos menos poderosos, como Robert McElroy, o bispo de 68 anos de San Diego, Califórnia.

McElroy apoiou os católicos gays e criticou os movimentos para negar a comunhão a políticos dos EUA, como o presidente Joe Biden, que apoia o aborto.

O papa também criará o cardeal mais jovem do mundo, o missionário italiano Giorgio Marengo, 48, que trabalha na Mongólia.

A nova geração de cardeais também inclui Peter Okpaleke, da Nigéria, bispo de Ekwulobia, e Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, Brasil.

O bispo emérito de Ghent Lucas Van Looy, de 80 anos, foi nomeado, mas pediu para ser dispensado após críticas ao seu tratamento de abuso sexual infantil por padres na Bélgica.

A cerimônia de sábado no Vaticano será seguida pela tradicional “visita de cortesia”, na qual o público em geral é convidado a saudar os novos cardeais.

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