Para onde vai a comunicação das organizações religiosas?

A questão acima traz consigo uma certa complexidade. Portanto, não há resposta tão simples e superficial que a satisfaça completamente, ainda mais quando entendemos o conceito de comunicação nas organizações. É algo que vai muito além da produção de vídeos, publicações em redes sociais ou publicação de textos em portais ou blogs.

O processo de comunicação atual exige novos conhecimentos sobre o comportamento humano. Isso é especialmente verdadeiro para suas tendências de consumo. Há uma necessidade de buscar uma compreensão mais clara de como a tecnologia ajuda a direcionar as decisões de consumo de conteúdo.

Públicos-alvo e plataformas online

Como o público reage ao que vê, ouve e lê? Precisamos entender o perfil de consumo da comunicação digital, especificamente em um contexto de ambientes com plataformas online controladas por grandes corporações. Muitos deles têm interesses muito claros para atingir.

O pesquisador de comunicação Daniel Reis Silva analisou como as pessoas hoje são influenciadas no consumo de conteúdo pela lógica das plataformas digitais. Ele vê um certo aumento na vulnerabilidade desses públicos devido a essa dinâmica.

O especialista explica que é preciso entender melhor como as pessoas tomam suas decisões nesse ambiente. Abandonando ideias simples sobre audiências empoderadas e onipotentes, o grande desafio para os pesquisadores que lidam com comunicação organizacional e relações públicas no ambiente digital deve ser ampliar a compreensão de como o ecossistema da plataforma impacta e molda assimetrias de poder e vulnerabilidades para as audiências”.[1]

Tendências de consumo digital

Em suma, é necessário entender como as pessoas pensam para poder avaliar como seu consumo digital é produzido, incluindo a avaliação da lógica de negócios por trás dele. Isso é extremamente importante, ainda mais para as igrejas. A comunicação das organizações religiosas deve levar em conta parâmetros como o tempo de exposição digital, os diferentes tipos de conteúdo e a forma como é consumido (multiscreen), entre outros aspectos.

Um relatório recente da Comscore[2] publicou fatos interessantes sobre consumo digital. Estamos falando, no caso do Brasil, de um universo de mais de 131 milhões de pessoas conectadas. E, em média, por usuário por dia, eles passam três horas e trinta e oito minutos online. A avaliação mostrou, por exemplo, que as categorias com maior alcance na preferência dos consumidores em todo o mundo são: serviços (85,4 por cento do total de consumidores), notícias e informações (77,8 por cento), redes sociais (77,7 por cento) e entretenimento (75 por cento). ). . Ao mesmo tempo, o ponto de corte dessa análise indica que o entretenimento representou 43% do engajamento total do consumidor digital em 2021.

Outro conjunto de dados presente no relatório aponta que, no Brasil, os influenciadores digitais foram responsáveis ​​por quase 64% do engajamento total das pessoas em 2021. As marcas organizacionais, por outro lado, responderam por 36% do engajamento total.

Isso significa que as pessoas estão mais propensas a interagir com o conteúdo defendido ou serem motivadas pelo discurso e atitude de pessoas que, em maior ou menor grau, aparecem como referências no ambiente digital nos mais diversos campos.

Para onde devem ir as igrejas?

A Comscore fornece a pesquisa completa, e vários outros aspectos do comportamento de consumo digital podem ser identificados lá. No entanto, algumas tendências afetarão a forma como as igrejas e organizações religiosas em geral se comunicam com seu público. Você pode pensar em pelo menos cinco:

  1. O entretenimento cresce no consumo digital: denominações cristãs, como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, estão preocupadas em pregar o evangelho. Uma comunicação mais eficiente considerará a necessidade de que o conteúdo bíblico esteja presente. E isso deve acontecer de forma contextualizada, principalmente com materiais pensados ​​para quem se identifica mais com a plataforma de entretenimento (filmes, quadrinhos, games, etc.).
  2. Os influenciadores são muito relevantes para o público: hoje, não há como subestimar o papel que os influenciadores digitais desempenham na comunicação de uma organização. Eles ajudam a moldar o pensamento sobre religião, fé e teologia por parte de muitos jovens, adolescentes e crianças. É preciso desenvolver estratégias para manter contato produtivo com quem fala a milhões em uma linguagem muito diferente daquela usada pelas marcas tradicionais.
  3. É necessário medir como as pessoas consomem e reagem à informação. A pregação do evangelho, ponto central da missão adventista, por exemplo, deve fazer sentido para as pessoas. Por meio da ação do Espírito Santo, entender constantemente como os stakeholders, ou o público em geral, reagem ao conteúdo não é mais opcional. Isso requer uma avaliação contínua dos indicadores digitais e diálogos diretos com as pessoas, bem como o desenvolvimento de uma grande capacidade de escuta por parte das igrejas, especialmente às crianças, adolescentes e jovens.
  4. A relação com quem busca a igreja no ambiente digital é fundamental. Em tempos de conexões simultâneas em várias telas e plataformas, é fundamental atender as pessoas em tempo real. A igreja precisa ouvir e falar com as pessoas onde elas estão. Ansiedade, dúvidas, pedidos de oração, estudo bíblico, tudo isso merece mais atenção. Faz parte da conversa digital que precisa ser aprofundada. Nenhum contato deve ser esquecido.
  5. Linguagem acessível a todos e que transmite autenticidade, coerência e transparência. A principal premissa da comunicação é que a mensagem seja relevante para o público. A linguagem acessível de uma igreja ou de qualquer outra organização significa transmitir algo compreensível e não necessariamente proceder a uma simplificação que enfraqueça o conteúdo da mensagem. Não é possível esgotar os conceitos de autenticidade, coerência e transparência neste artigo, mas são ativos importantes para quem quer ser considerado digno de credibilidade.

[1]SILVA, Rei Daniel. Audiências, plataformas e algoritmos: tensões e vulnerabilidades na sociedade contemporânea. In: DREYER, Bianca, RAPOSO, João e TERRA, Carolina. Comunicação organizacional – práticas digitais, desafios e perspectivas, Summus Editorial, 2021: São Paulo.

[2]https://www.comscore.com/por/Insights/Apresentacoes-e-documentos/2022/Mudancas-no-consumo-digital-2022

Este artigo foi publicado originalmente em Site de notícias da Divisão Sul-Americana

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