Pelo menos 44 mortos e 56 desaparecidos devido a chuvas no Brasil

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Brasília (AFP) – Chuvas torrenciais no nordeste do Brasil deixaram pelo menos 44 pessoas mortas e dezenas de desaparecidos, disse o governo no domingo, enquanto equipes de resgate aproveitavam uma calmaria nas chuvas para procurar sobreviventes.

“Registramos 44 mortos, 56 desaparecidos, 25 feridos, 3.957 desabrigados e 533 desabrigados”, disse o ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, em entrevista coletiva em Recife, capital do estado de Pernambuco.

O desastre é o mais recente de uma série recente de deslizamentos de terra e inundações mortais provocados pelo clima extremo no Brasil.

O número de mortos aumentou em 34 desde sábado, com pelo menos 28 mortos em deslizamentos de terra, já que fortes chuvas causaram transbordamento de rios e torrentes de lama varreram tudo em seu caminho.

As autoridades alertaram que a chuva forte estava prevista para continuar no domingo, mas a tempestade diminuiu pela manhã.

À medida que o tempo melhorou, cerca de 1.200 pessoas retomaram os esforços de busca e resgate, disseram autoridades estaduais, mas Ferreira pediu cautela.

“Embora tenha parado de chover agora, prevemos chuva forte para os próximos dias”, disse ele.

“Então, a primeira coisa é manter as medidas de autoproteção.”

Entre a noite de sexta e a manhã de sábado, o volume de chuvas chegou a 70% do previsto para todo o mês de maio em alguns pontos do Recife.

‘Tragédia’

Imagens divulgadas na mídia local mostraram equipes de resgate e voluntários limpando montes de escombros no Jardim Monteverde, na divisa entre Recife e o município de Jaboatão dos Guararapes, onde 19 pessoas morreram na manhã de sábado em um deslizamento de terra que destruiu casas mal construídas.

Luiz Estevão Aguiar, que mora em outro município, perdeu 11 parentes no desastre, disse à TV Globo.

“Minha irmã, meu cunhado, 11 pessoas da minha família morreram. Foi difícil… eu não esperava isso”, disse ela entre lágrimas.

Dezenove pessoas morreram em um deslizamento de terra que atingiu o Jardim Monte Verde, em Recife, estado de Pernambuco, Brasil, em meio a dias de chuva torrencial Diego NIGRO CONSELHO MUNICIPAL DO RECIFE/AFP

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro disse no domingo que viajaria para Recife na segunda-feira após a “tragédia”.

No ano passado, centenas de brasileiros morreram em enchentes e deslizamentos de terra causados ​​por chuvas torrenciais.

Em fevereiro, mais de 230 pessoas foram mortas na cidade de Petrópolis, capital de verão do então império brasileiro no século 19, no estado do Rio de Janeiro.

No início do mês passado, mais 14 pessoas foram mortas por enchentes e deslizamentos de terra no estado.

Especialistas dizem que as chuvas da estação chuvosa no Brasil estão sendo aumentadas pelo La Niña, o resfriamento cíclico do Oceano Pacífico e pelas mudanças climáticas.

Como uma atmosfera mais quente retém mais água, o aquecimento global aumenta o risco e a intensidade de inundações de eventos extremos de chuva.

Os riscos de chuvas fortes são aumentados pela topografia e má construção em favelas construídas em áreas íngremes.

De acordo com o meteorologista Estael Sias, da agência MetSul, as fortes chuvas que atingem Pernambuco e, em menor escala, outros quatro estados nordestinos, são produto de um fenômeno sazonal típico chamado “ondas de leste”.

Ele explicou que são áreas de “perturbação atmosférica” ​​que se deslocam da África para o litoral nordeste do Brasil.

“Em outras áreas do Atlântico, essa instabilidade forma furacões, mas no nordeste do Brasil tem potencial para muita chuva e até trovoadas”, disse.

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