PL de notícias falsas impedirá 1 em cada 5 brasileiros de usar redes sociais

Crédito: Caio Rocha / Framephoto / Conteúdo Estadão

O Senado está prestes a votar no PL 2630/20, que busca combater as notícias falsas. Menos de 24 horas antes da votação, o relator apresentou uma texto substituto que, se aprovado, recorre à internet.

O artigo 7 do texto publicado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) exigirá a apresentação de um documento de identidade e um número de telefone celular para uso de todos os brasileiros. redes sociais e Formulários Mensagem instantânea. Ou seja: sem identificação e telefone celular, você não pode mais ter uma conta em aplicativos populares, como Facebook, Whatsapp, Twitter, Tinder e Instagram.

O texto está redigido da seguinte forma: “Art. 7 O registro de contas em redes sociais e serviços de mensagens privadas exigirá que o usuário tenha um documento de identidade válido, número de Telefone celular Registrado no Brasil e, no caso de número de celular estrangeiro, passaporte. “

A medida é, antes de tudo, discriminatório porque cria uma barreira para a inclusão digital no país. IBGEUm em cada cinco brasileiros não tem telefone celular. Ao criar esse requisito, o PL 2630 acabou de excluir esses brasileiros do uso preciso dos aplicativos mais populares. Eles são os mais pobres que não serão capazes de enviar mensagens ou manter contato com familiares e amigos nas redes sociais.

Se a Internet é cada vez mais essencial para o exercício da cidadania, o PL institucionaliza um gargalo tecnológico que apenas reforça a constatação de que alguns brasileiros podem exercer mais cidadania que outros.

Além disso, o requisito de identidade e telefone celular para criar uma conta de mídia social e aplicativos de mensagens é uma medida ineficaz combater atos ilegais. Uma parte importante de fraudes e golpes na Internet ocorre porque os dados pessoais foram obtidos por criminosos que usam essas informações para (adivinhem?) Abrir contas, emprestar, entre outras atividades, sem que o verdadeiro proprietário dos dados tenha qualquer idéia. Em seguida, a fatura chega.

Para piorar a situação, exigindo que as mídias sociais e os aplicativos de mensagens instantâneas retenham esses dados, o PL parece desconhecer a realidade brasileira de incidentes de segurança e vazamento de dados. Portanto, a medida também é inseguro. Quanto mais plataformas precisarem solicitar e armazenar informações, como nome da pessoa, identidade e número de telefone celular, mais fácil será para criminosos e golpistas em geral, que já receberão essas informações estruturadas em qualquer vazamento de dados no futuro.

Vale lembrar que Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13709/18) segue na direção oposta, visando à minimização dos dados, com apenas o necessário para o funcionamento das aplicações. Quanto mais dados você armazenar, maior será o dano no caso de vazamentos e outros incidentes de segurança.

O texto do PL ainda chama a atenção por incorporar no texto da lei um recurso tecnológico que existe hoje, mas que pode estar desatualizado amanhã: o SMS. Segundo o PL, para validar a identidade do usuário, “os provedores de redes sociais e serviços de mensagens privadas devem enviar códigos de verificação por SMS para o número de telefone celular informado”. (art. 7, § 1) Uma lei de tecnologia não deve ser vinculada em um formato específico se não desejar expirar.

Finalmente, se você pratica a abstinência de redes sociais e aplicativos de mensagens e acredita que se livrará da entrega de seus dados, é importante destacar que, de acordo com o PL, o “aplicativo de Internet que oferece funcionalidades também está incluído na definição de redes” social “para publicar conteúdo dos usuários e interação entre eles, sem controle editorial prévio”.

Ou seja, também incluiria sites de comércio eletrônico que permitam comentários em publicações de outras pessoas, como Mercado Livre e Amazon, por exemplo. Simplesmente permita que os usuários publiquem comentários sobre produtos e permita que outras pessoas classifiquem esses comentários.

Não faltam motivos para o Senado abandonar essa idéia de exigir informações de identidade e telefone celular para usar redes sociais e aplicativos de mensagens. Nem falamos sobre como isso também incentiva a vigilância online.

Ao tentar tornar a Internet um lugar mais seguro, com todos com um crachá na rede, o PL acaba alimentando mais insegurança por meio de uma medida igualmente ineficaz e discriminatória.

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