Policiais do MT são investigados pelo assassinato de 4 indígenas bolivianos que caçavam na fronteira | Mato grosso

Na suposta troca de tiros, nenhum policial foi atingido e nenhuma droga foi apreendida.

Armas encontradas com indígenas que morreram na fronteira – Foto: Gefron / MT

No entanto, as autoridades bolivianas e os quatro familiares das vítimas prestaram declarações à imprensa boliviana em que exigiam esclarecimentos à polícia brasileira sobre o episódio.

As famílias afirmaram que os corpos das vítimas apresentavam sinais de tortura. Uma delegação saiu de Mato Grosso e foi para San Matías nesta quarta-feira (2), onde conversou com autoridades do país e ouviu as famílias.

Três dias após as mortes, parentes protestaram em San Matías. Eles tinham cartazes pedindo justiça e carregavam bandeiras do país.

Eles tinham cartazes clamando por justiça e carregavam bandeiras do país – Foto: Divulgação

Os indígenas Arcindo Sumbre García, Paulo Pedraza Chore, Yonas Pedraza Tosube e Ezequiel Pedraza Tosube López voltavam de uma caçada, carregando carne seca de javali nas mochilas, quando foram cercados pela polícia e assustados.

A Ouvidoria da Polícia também fez parte da delegação e informou que aguarda o resultado dos exames realizados nos corpos das vítimas para identificar a causa da morte, além de se informar sobre a possibilidade de tortura.

Os policiais relataram o episódio como uma aproximação de tiros.

A polícia informou que os indígenas, cidadãos bolivianos, eram traficantes e resistiram à abordagem. A comunidade Chiquitana afirma que os homens estavam caçando para levar comida para suas famílias.

A imprensa boliviana divulgou fotos de animais caçados pelos chiquitanos – Foto: El Deber

Os indígenas teriam sido baleados e levados com vida para o hospital de Cáceres, mas não resistiram e morreram.

“É necessário esclarecer as condições em que os bolivianos foram assassinados para responder aos familiares”, disse o Ouvidor da Polícia de Mato Grosso, Lúcio Andrade.

A delegação teve representantes vinculados aos direitos humanos e à Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT).

Os indígenas da etnia Chiquitana ocupam um território que se distribui nos dois países, nos municípios de Cáceres, no Mato Grosso, e San Matías, no lado boliviano.

Na época, Gefron disse que os policiais patrulhavam o campo quando viram vários homens armados em uma região arborizada. Os agentes de segurança pediram que parassem, mas os suspeitos responderam e dispararam.

Com os mortos, a polícia encontrou três revólveres e uma pistola, além de várias munições.

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