Prêmio Nobel de Literatura sem diversidade: apenas três negros e 15 mulheres ganharam o prêmio em 119 anos

RIO – Desde sua criação, em 1901, o Prêmio Nobel de Literatura já contou com 116 escritores de todo o mundo, mas a falta de diversidade continua sendo uma das marcas do prêmio. Até o momento, apenas 15 mulheres receberam o prêmio, sendo Toni Morrison (1931-2019) a única autora negra contemplada por 27 anos. A desigualdade também se reflete na origem dos nomes escolhidos: 77,5% deles são europeus.

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A primeira mulher a receber o Prêmio Nobel de Literatura foi a sueca Selma Lagerlöf, em 1909. Cinco anos depois de ser premiada, a autora de “A saga Gösta Berling” (não publicada no Brasil) também se tornaria a primeira mulher a entrar à Academia Sueca, responsável pela escolha dos vencedores.

Porém, o seleto grupo só voltaria a recompensar uma mulher em 1926. A escolhida foi a italiana Grazia Deledda, “por seus escritos de inspiração idealista, que abordam os problemas humanos em geral com profundidade e simpatia”, conforme justifica o site da prêmio.

A maior parte dos prêmios femininos concentra-se nas últimas três décadas: desde 1990, nove mulheres ganharam o Prêmio Nobel de Literatura. Antes da americana Toni Morrison, em 1993, apenas dois negros haviam sido contemplados.

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O primeiro foi o nigeriano Wole Soyinka. O autor de “O Leão e a Joia” (editado no Brasil pela Geração) também foi o primeiro africano a ganhar o prêmio, em 1986. Seis anos depois, foi a vez do escritor Derek Walcott, nascido na ilha de Santa Lúcia, em América Central. O poeta, que escreveu o épico “Omeros” (Companhia das Letras) como uma espécie de “Odisseia caribenha”, foi premiado pela sua “obra poética de grande luminosidade, sustentada por uma visão histórica, fruto de um compromisso multicultural”, segundo com o site do prêmio.

Na avaliação da escritora e colunista GLOBO Ana Paula Lisboa, a desigualdade no Prêmio Nobel de Literatura reflete os elites estruturais da sociedade:

– Numa sociedade racista, classista, homofóbica, misógina, na qual cabem todas as opressões, todas cabem também na literatura. Qual é o corpo que representa a imagem do escritor? Ele ainda se define no masculino, como alguém que mora no norte do mundo, branco, de meia-idade, com doutorado.

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90 dos 116 vencedores eram europeus

A disparidade geográfica também está presente na história do Prêmio Nobel de Literatura. Dos 116 vencedores, 90 eram europeus, incluindo aqueles com dupla nacionalidade, como JMG Le Clézio, vencedor em 2008 e cidadão da França e da República das Maurícias, em África.

Além disso, apenas quatro outros escritores africanos receberam o prêmio. Os Estados Unidos acumularam 12 prêmios até agora.

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O primeiro asiático a ganhar o prêmio foi o indiano Rabindranath Tangore, em 1913, quando a Índia ainda fazia parte do Império Britânico. Depois dele, demoraria 31 anos para outro nome ser cogitado fora do eixo Europa-Estados Unidos: em 1945, a chilena Gabriela Mistral tornou-se a primeira autora latino-americana a ganhar o Prêmio Nobel.

Além de Mistral, outros cinco escritores latino-americanos já conquistaram o prêmio. A Austrália venceu apenas uma vez, em 1973, com Patrick White. Entre os seis asiáticos, há dois japoneses (Yasunari Kawabata, vencedor da edição de 1968, e Kenzaburō Ōe, premiado em 1994) e um chinês (Mo Yan, 2012).

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