Restaurar o ecossistema do Brasil beneficia as pessoas e o planeta

Comunicado de imprensa da The Nature Conservancy.

Um estudo inédito no Journal of the British Ecological Society Pessoas e Natureza mostra o potencial de gerar até 2,5 milhões de empregos diretamente por meio da cadeia produtiva da restauração de ecossistemas, se o Brasil cumprir sua meta de restaurar 12 milhões de hectares de terras degradadas até 2030.

Um trabalhador de restauração em um dos viveiros de espécies nativas do Brasil. Crédito: Cláudio Soares.

Coordenado pelos pesquisadores Pedro Brancalion, professor da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), e Rafael Chaves, especialista em meio ambiente da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, este novo estudo mostra que a restauração florestal está ativa no Brasil tem potencial para gerar 0,42 empregos por hectare. Isso significa que para cada 2 hectares de terra degradada (equivalente a dois campos de futebol) recuperados, um novo emprego será gerado.

Como parte da Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas, o Brasil concordou com um compromisso climático de restaurar 12 milhões de hectares de terras degradadas até 2030. Chamado de Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), esse plano ambicioso estabelece cenários que irão veja entre 20 e 50% de restauração ativa em trechos degradados da paisagem brasileira. Nesses cenários, o potencial de geração de empregos por meio da restauração de ecossistemas varia de 1 a 2,5 milhões de novos empregos.

“A restauração de ecossistemas é uma atividade econômica emergente com potencial para gerar milhões de empregos e renda”

Além dos ganhos ambientais, essa reversão da degradação ambiental pode gerar múltiplos benefícios sociais e econômicos, como a geração de oportunidades de emprego e renda por meio da cadeia produtiva da restauração. É o que mostra um estudo inédito realizado pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, a Aliança para a Restauração da Amazônia e a Coalizão Brasileira pelo Clima, Florestas e Agricultura, com apoio de importantes instituições da agenda de restauração brasileira, como The Nature Conservancy (TNC) Brasil e o World Resources Institute (WRI) Brasil.

Segundo o ambientalista Rafael Chaves, a restauração de ecossistemas beneficia a sociedade em várias áreas. Embora os ganhos ambientais tendam a receber maior reconhecimento, o estudo destaca os benefícios sociais e econômicos e seu impacto na qualidade de vida de indivíduos e comunidades. “Diferentemente dos benefícios de médio e longo prazo da restauração, os empregos são gerados desde o início do processo de restauração, por meio da coleta de sementes, produção de mudas, plantio, manutenção e monitoramento”, explica o ex-presidente do ENVELOPE.

Difusão regional do trabalho de restauração de ecossistemas do Brasil

O estudo aprofundou a distribuição espacial dos projetos de restauração no Brasil. Os autores mostraram que a maioria das iniciativas de restauração está concentrada na região Sudeste do Brasil (61%), com 30% no estado de São Paulo. Além disso, a maioria dos empregos são gerados parcial ou totalmente no bioma Mata Atlântica (85%), pioneiro em atividades de restauração no Brasil.

Esses dados destacam a necessidade de desenvolver uma cadeia produtiva de restauração florestal em outras regiões e biomas brasileiros. Para o professor Pedro Brancalion, a importância deste estudo está na identificação de áreas para restauração em maior escala, evidenciando oportunidades de melhoria das políticas públicas relacionadas aos incentivos dos proprietários. Um projeto de restauração de ecossistema tão ambicioso não apenas terá um tremendo impacto na mitigação e adaptação às mudanças climáticas nos níveis local, regional e global, mas este artigo destaca as oportunidades de transformar os esforços de restauração em uma atividade econômica de grande escala. toda a sociedade.

Sociedade Ecológica Britânica: Matas Atlânticas cercam um lago no estado de São Paulo, Brasil.
A Mata Atlântica circunda um lago no estado de São Paulo, Brasil. Crédito: Giselda Durigan.

“Os resultados positivos que podem surgir da cadeia produtiva da restauração dependem de compromissos de financiamento de longo prazo, distribuídos igualmente entre regiões e biomas brasileiros. Além disso, cabe destacar que a restauração de ecossistemas é uma atividade econômica emergente com potencial para gerar milhões de empregos e renda, principalmente para organizações e comunidades locais”, explica o agrônomo.

“A restauração é uma oportunidade de gerar empregos e renda de qualidade para a população e comunidades locais”

Essa opinião é compartilhada pelos especialistas em restauração da TNC Brasil, que contribuíram para a coleta de dados e análise dos resultados. Julio Tymus acrescenta que as oportunidades de trabalho podem gerar investimentos adicionais para implementar e manter a restauração a longo prazo.

“Investir na restauração de ecossistemas traz inúmeros benefícios ambientais, econômicos e sociais, mas para garantir o sucesso são necessários planejamento e desenvolvimento de estratégias de curto, médio e longo prazo, bem como políticas públicas e incentivos para aumentar a escala e o impacto da restauração. a restauração”, explica Tymus.

O estudo também mostrou o impacto da pandemia de Covid-19 na cadeia de suprimentos de restaurantes. De acordo com os dados e resultados, no início de 2020 foram criados 4.713 postos de trabalho temporários e 3.510 postos de trabalho permanentes através da cadeia de abastecimento da restauração. Aproximadamente 60% desses empregos foram gerados por organizações especializadas em restauração, principalmente organizações sem fins lucrativos (48%) e o setor privado (37%). Sin embargo, casi el 20% de esos empleos se perdieron durante la pandemia en 2020. Inversiones adicionales, políticas públicas e incentivos para la restauración de ecosistemas son grandes oportunidades para minimizar el impacto del COVID-19 mediante la creación de miles de empleos en el curto prazo.

British Ecological Society: Implementação de um projeto de restauração no Brasil.
Implementação de um projeto de restauração de ecossistemas no Brasil. Crédito: Gislene Ganade.

O inquérito online foi realizado em 2020, com a participação de 356 instituições envolvidas na cadeia de abastecimento da restauração e distribuídas por todo o país. Essa pesquisa também apoiou o desenvolvimento de uma Vitrine de Restauração, um portal que reúne organizações que trabalham com restauração no Brasil e facilita o contato com os interessados ​​em restauração. A Vitrine de Restauração está disponível para acesso público no site Sobre, que também inclui um resumo da política (em português), os principais destaques do estudo aplicáveis ​​no contexto nacional e o artigo Potencial de restauração de ecossistemas para a geração de empregos no Brasil.

A Escala dos Projetos de Restauração de Ecossistemas do Brasil

Como parte da estratégia para superar barreiras e ampliar a restauração no Brasil, várias redes e movimentos de restauração foram estabelecidos nos últimos 10 anos para suprir lacunas de conhecimento e possibilitar o compartilhamento de experiências e conhecimentos. Um bom exemplo é o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica (Pacto), um movimento multissetorial formado por mais de 300 membros com o objetivo de restaurar 15 milhões de hectares de terras e florestas degradadas até 2050.

Ludmila Pugliese, coautora do estudo e coordenadora do Pacto, destaca o elemento essencial de integrar e articular os esforços de diferentes organizações para aumentar a escala e o impacto das iniciativas de restauração e cumprir os compromissos climáticos do Brasil. “O estudo mostra que a restauração é uma oportunidade de gerar empregos e renda de qualidade para a população e comunidades locais, trazendo benefícios sociais, ambientais e econômicos para o Brasil.”

Além do Pacto, outras iniciativas regionais, como a Aliança pela Restauração da Amazônia, a Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), a Rede Sul de Restauração Ecológica e a Rede Trinacional e Restauração da Mata Atlântica , em sinergia com a Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE) em nível nacional., surgiu no Brasil com o objetivo de articular os envolvidos, integrar iniciativas e ganhar escala na restauração de ecossistemas.

Você pode ler o artigo completo da pesquisa gratuitamente aqui:

https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/pan3.10370

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About the Author: Adriana Costa

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