Ricardo Salles, o polêmico ministro do Meio Ambiente do Brasil, renuncia em meio a uma investigação sobre extração ilegal de madeira na Amazônia

O mandato de Salles como ministro desde 2019 foi marcado por altos índices de desmatamento na floresta amazônica e uma série de investigações sobre supostas irregularidades, levando à crescente pressão pública para renunciar.

“Entendo que o Brasil, ao longo deste ano e no próximo, em termos de inserção internacional e também na agenda nacional, precisa ter uma união muito forte de interesses, vontades e esforços”, disse Salles em entrevista coletiva nesta quarta-feira. “E para que isso fosse feito da melhor forma, apresentei meu pedido de renúncia ao presidente, que foi atendido”.

Este mês, o Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação sobre as alegações de que Salles obstruiu uma investigação da polícia federal sobre a extração ilegal de madeira na Amazônia. A ordem judicial veio depois que o ex-chefe da Polícia Federal no estado do Amazonas, Alexandre Saraiva, ajuizou ação contra Salles alegando que ele interrompeu a investigação que resultou na maior apreensão de madeira ilegal do Brasil.

Salles está sendo investigado para defesa administrativa, obstruindo a fiscalização ambiental e obstruindo a investigação de crime envolvendo organização criminosa.

A polícia federal do país também está investigando Salles sob alegações de que ele usou sua posição para enfraquecer as fiscalizações sobre as exportações de madeira pelo Ibama, o órgão ambiental do país.

Salles nega qualquer irregularidade.

Salles e o presidente Jair Bolsonaro entraram em confronto crítica feroz por suas políticas ambientais. Por um tempo, o Brasil foi considerado um modelo para o mundo em certos indicadores ambientais, com desmatamento e emissões de carbono diminuindo na década de 2000 e início de 2010. Mas essas tendências foram revertidas com Bolsonaro, e tanto o desmatamento quanto as emissões aumentaram desde que ele assumiu em 2019.
Menos de um mês antes de Salles assumir o cargo em 2019, ele foi condenado por alterar mapas ambientais para beneficiar empresas de mineração durante sua gestão como secretário do Meio Ambiente de São Paulo em 2016.

Desde a nomeação de Salles, o governo federal eliminou várias responsabilidades do Ministério do Meio Ambiente.

E quando a Covid-19 se espalhou no ano passado, Salles fez um registro infame em abril aconselhando o Bolsonaro a aproveitar a pandemia para enfraquecer as regulamentações ambientais.

“É preciso ter um esforço do nosso lado aqui, enquanto estamos neste momento de tranquilidade em termos de cobertura da imprensa, porque só falamos da Covid, e deixamos o rebanho correr e mudar todas as regras e simplificar os padrões,” Salles disse na gravação.

Em setembro, o governo Eu tentei revogar regulamentos-chave que protegem os manguezais tropicais do país do desenvolvimento comercial, uma medida que Salles defendeu, dizendo que a legislação protetora “sufoca completamente o setor econômico”.

Após a renúncia de Salles na quarta-feira, o presidente Bolsonaro nomeou Joaquim Álvaro Pereira Leite como o novo ministro do Meio Ambiente do Brasil. Leite foi membro da Sociedade Rural Brasileira e atua como secretário do Ministério do Meio Ambiente em sua Secretaria de Serviços Ambientais e Amazonas desde setembro de 2020.

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