Robô faz uma maratona de vídeos médicos e aprende a dar pontos cirúrgicos – 21/06/2020

Robô faz uma maratona de vídeos médicos e aprende a dar pontos cirúrgicos - 21/06/2020

Na cirurgia, você confiaria a um robô a tarefa de fechar os pontos de corte em seu corpo? Se você depende da equipe do Dr. Ajay Tanwani, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos, não estamos tão longe do momento em que uma máquina fará uma sutura.

Tanwani e sua equipe desenvolveram um sistema chamado Motion2Vec, criado para aprender a suturar, observando cirurgias realizadas por médicos reais. É um sistema semi-supervisionado de aprendizado de inteligência artificial capaz de imitar a inserção, extração e transferência de movimentos humanos de um ser humano ao fechar um local cirúrgico.

Hoje, a precisão do robô para fazer suturas é de 85,5%, com uma média de 0,94 cm de erro. Sim, ainda há muito pouco para ajudar uma equipe médica com a cirurgia. Mas, é bom lembrar que o sistema precisava de apenas 78 vídeos de médicos realizando o procedimento para aprender a técnica.

“O YouTube recebe 500 horas de material novo a cada minuto. É um depósito incrível. Qualquer humano pode ver quase qualquer um desses vídeos e entendê-lo, mas um robô não pode fazê-lo, apenas o vê como uma sequência de pixels”. Ken Goldberg, diretor do laboratório da UC Berkeley e membro da equipe Tanwani, disse ao Engadget.

“Portanto, o objetivo deste trabalho é tentar entender esses pixels. Ou seja, assistir ao vídeo, analisá-lo e ser capaz de segmentá-lo em sequências que significam algo”, acrescentou.

O robô da UC Berkeley usou uma rede neural siamesa para aprender a suturar. A idéia desse algoritmo é classificar o grau de similaridade entre duas entradas de informações.

No caso do Motion2Vec, a equipe usa a rede para comparar o vídeo de um médico humano fazendo uma sutura com o vídeo de um braço mecânico tentando repetir os mesmos movimentos. No final, a rede neural deve aprender com os erros e começar a imitar melhor os seres humanos.

É a mesma lógica dos serviços de reconhecimento de imagem de inteligência artificial que compara as imagens das câmeras de vigilância com a foto da carteira de motorista de uma determinada pessoa.

Tanwani sabe que levará alguns anos até que um robô possa participar de cirurgias humanas quase de forma autônoma. Segundo ele, a ideia é que esse tipo de equipamento ajude o cirurgião em tarefas menos complicadas.

“Acreditamos que isso ajudaria os cirurgiões produtivamente a concentrar seu tempo em tarefas mais complicadas e a usar a tecnologia para ajudá-los a cuidar de sua rotina diária”, disse Tanwani.

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