Saúde do DF faz 150 consultas psicológicas por dia e médicos relatam cansaço

Nostalgia, solidão, medo e cansaço. O cotidiano dos profissionais de saúde tornou-se muito mais intenso com o nova pandemia de coronavírus. A árdua rotina de trabalho, o afastamento dos familiares e o elevado número de óbitos presenciados pelas equipes tornam alarmante o nível de cansaço mental desses trabalhadores.

Nisto Setembro amarelo, mês dedicado à mobilização para a prevenção do suicídio, campanhas dirigidas a a necessidade da população de cuidar da saúde mental. Durante a pandemia, ficou ainda maior.

Para médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares em particular, o momento de tanto estresse é sem precedentes. Na capital federal chefe de enfermagem em Hospital Asa Norte (Hran), Cleide Crisóstomo, 47, é uma das profissionais que está na linha de frente na luta contra COVID-19 e diz que nunca esperava “passar por algo assim”.

“UMA A equipe está sempre muito estressada emocionalmente. É muito cansativo ”, diz ele.

Cleide é enfermeira há três anos e técnica de enfermagem há mais de 20 anos no Hran, unidade de referência no tratamento do novo coronavírus na Cidade do México. Em maio, ele contraiu a doença e contraiu pneumonia. “Senti muito o isolamento. Minha família me deu muita força, mas nada se compara à presença de gente lá ”, afirma.

Por ser a responsável pela liderança, Cleide tem uma responsabilidade ainda maior, precisando transmitir confiança não só aos pacientes, mas a todo o grupo que coordena. “Tenho que estar bem para dar segurança à minha equipe, porque esse equilíbrio entre nós conta muito para ficar firme”, afirma.

É muito difícil, mas tenho muita fé em Deus e é aí que procuro minha esperança. Penso que temos a missão do tamanho que podemos lidar

Cleide Crisóstomo, chefe de enfermagem de Hran

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Experiência solitária

Anestesista há dois anos, Lucas Valente, 30, está em Hran há sete meses. Devido à exposição diária, o médico acabou contratando Covid-19. No entanto, estar isolado das pessoas que você ama não foi algo que você fez apenas enquanto estava doente. “Mesmo que eu não esteja transmitindo [o vírus] pelas vias aéreas, posso tocar alguma superfície e acabar passando para alguém. Então, continuo com as restrições ”, revela.

“O trabalho diário é pesado, mas costumamos ir para casa, conversar com a família e decolar. Com a pandemia, parei de ver minha família, de encontrar minha noiva e praticamente viva para trabalhar ”, conta.

Como anestesiologista, Lucas tem contato direto com pacientes da Covid-19 em estado grave e muitas vezes acaba lidando com cenas de sofrimento. “Uma das nossas principais funções é compor uma equipe de resposta rápida à intubação, porque o anestesiologista é o mais experiente nisso”, explica.

“Quanto mais tempo leva para intubar, mais polui o meio ambiente e o paciente pode ser desoxigenado muito rapidamente. Portanto, é uma tensão o tempo todo. E quando você enfrenta alguém com insuficiência respiratória, quem vê o desespero, atinge de uma forma que não dá para explicar ”, diz.

Para Lucas, esta foi “uma das experiências mais solitárias” que ele já teve. “Você imagina passar por situações difíceis com alguém que te pega pela mão, mas nesse caso não tem jeito. Por isso explicamos às pessoas o quão grave pode ser, porque não queremos que ninguém fique nesta situação de estar doente e absolutamente só ”, enfatiza.

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Pesquisa de serviços psicossociais

De janeiro a agosto de 2020, a rede pública de saúde do DF realizou 32.520 atendimentos psicossociais. Ou seja, cerca de 150 por dia. Apesar da necessidade de reforçar a atenção à saúde mental durante a pandemia, neste ano os brasileiros procuraram menos serviços dessa natureza.

Entre janeiro e agosto de 2019, Centros de atenção psicossocial (Caps) Foram realizadas 56.042 ligações: 23.522 a mais que neste ano. Isso representa uma queda de 42% na demanda por esses serviços em 2020 no DF.

Ao analisar o Diretor de Serviços de Saúde Mental em Departamento de Saúde, Elaine Bida, um dos fatores que podem ter causado essa queda é o isolamento da casa. Por precisarem ficar em casa, muitos podem ter deixado de manter ou iniciar o acompanhamento psicossocial, apesar de terem atendimento virtual.

“Mas também pode ser algo nos registros. Às vezes o paciente é atendido na UBS e esses números não chegam ao número geral ”, avalia.

No caso dos profissionais de saúde, aponta que a busca por atendimento psicológico é tão importante quanto a necessidade de outros cidadãos. “O medo do futuro gera muita angústia e o trabalho não pode ser um fator prejudicial à saúde”, destaca.

Para acompanhar essa situação, a equipe de Saúde Mental realiza reuniões quinzenais com os chefes dos serviços da carteira para acompanhar a psicologia dos servidores. “Antes, quando tínhamos problemas, havia válvulas de escape, uma vida social. Hoje, muitos são os pontos que geram uma predisposição para o desenvolvimento de problemas psiquiátricos. Por isso trabalhamos muito com eles ”, afirma.

Procure ajuda

Por conta da pandemia, as ações da campanha Setembro Amarelo do Ministério da Saúde estão sendo realizadas online este ano. Clicando aqui, você pode verificar a programação completa.

Você está passando por um período difícil? ELE Centro de Melhoria de Vida (CVV) Eu posso ajudar. A organização atua como apoio emocional, de forma voluntária e gratuita, a todas as pessoas que desejam e precisam falar, em total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas por dia.

Arte / Metrópole

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