“Senti que estava no consultório”, diz paciente sobre telemedicina – 17/05/2020

"Senti que estava no consultório", diz paciente sobre telemedicina - 17/05/2020

Quando a psicóloga Larissa Silva foi ao ginecologista em 7 de fevereiro, o Brasil ainda não havia registrado nenhum caso de covid-19, embora o assunto já estivesse muito presente nas notícias do mundo. No final de março, quando eu precisava apresentar os exames e retornar ao médico, o cenário já havia mudado completamente.

A maioria das empresas adotou o escritório em casa. A telemedicina começou a receber comunicações de entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério da Saúde, com a subsequente aprovação do Congresso Nacional, durante a duração da luta contra a pandemia no país. Recentemente o presidente Jair Bolsonaro sancionou o serviço.

Essas ações foram suficientes para o segmento de telemedicina explodir no país. O serviço ganhou espaço no SUS, com a contratação de uma empresa para atender exclusivamente pacientes de 19 anos, em plataformas privadas, como:

  • Conexa Saúde, com um aumento de uma semana de 100.000 para 1 milhão de vidas dos clientes dos parceiros que representa
  • Health Concierge, com um aumento de 1000% na demanda após ajustes em seu sistema de orientação remota
  • Dr. Consulta, onde o número de centrais de atendimento dobra a cada três ou quatro dias
  • A operadora América do Sul, que aumentou o atendimento médico na tela, restringia-se anteriormente a determinados pacientes e registrou um aumento de 15 vezes em março em relação aos meses anteriores.

Larissa retornou ao médico por videoconferência, após o envio dos resultados dos testes anteriores.

A consulta foi excelente, não senti diferença entre a conferência presencial e a videoconferência. Como não havia necessidade de exame físico, a consulta em vídeo me serviu muito bem.

O psicólogo considerou a economia de tempo um benefício adicional, considerando o tráfego quase sempre caótico em São Paulo.

A aposentada Giselia Rodrigues, 71, em tratamento para enfisema pulmonar desde o início do ano, também adotou a telemedicina para dar continuidade ao atendimento médico.

Falei com ele normalmente e não faz muita diferença. A grande questão é que você não precisa perder horas do seu dia para ser visto. Se pudesse, não iria mais aos escritórios, faria tudo online. Comparado com outros médicos que eu já visitei, o experimento foi bem-sucedido

Para ela, a telemedicina pode ser uma solução “ótima” para situações que podem ser resolvidas no próprio serviço. “Conversar diretamente com o médico e receber uma prescrição de medicamentos é uma ótima opção. Agora, não há muito a melhorar, porque para fazer testes, por exemplo, teremos que viajar”.

Médicos entrevistados por Inclinação Revele algumas preocupações com cuidado, principalmente em casos que exijam exames físicos mais detalhados e diagnósticos mais difíceis.

É o caso da clínica geral Ana Elisa Carvalho Cruz, que precisava informar sua paciente sobre a existência de um tumor no pâncreas.

Foi extremamente difícil fazer esse diagnóstico “remotamente”. Parece que a empatia que conseguimos demonstrar diante do paciente desaparece diante da tela ou do telefone, por mais que tentemos mostrar toda a solidariedade que sentimos naquele momento.

A médica, que inicialmente evitou o uso da telemedicina por considerá-la uma prática “estranha”, disse que precisava se adaptar para lidar com as queixas dos pacientes. “Ainda acho que não é o ideal, porque boa parte dos comportamentos depende do exame físico detalhado, mas é o que melhor atende às demandas do momento”, contextualiza.

Para o médico esportivo Rubén Chávez, a atenção aos exames físicos também é um tema muito presente.

“Funciona bem para a anamnese [entrevista do médico ao paciente]. Agora, para descobrir se as queixas de um paciente estão relacionadas à apendicite, um exame físico deve ser realizado. Eu tive uma queixa de um paciente com dor no ombro e ele não me deu 100% de orientação porque eu não tinha esse contato físico. E, dependendo do caso, devemos indicar a visita ao escritório “, explica.

Do ponto de vista da aceitação, os médicos relatam que a solução foi bem adotada pelos pacientes. Ana Elisa ficou especialmente surpresa com os idosos.

“Talvez porque estejam em isolamento mais pronunciado, longe de seus filhos e netos, e porque geralmente tenham uma maior necessidade de cuidados”, diz ele. Segundo ela, a telemedicina ajudou a tornar a consulta mais informal, leve e amigável.

Telemedicina pós-pandemia?

Em um cenário pós-pandêmico, com a regulamentação da telemedicina por lei definitiva, os profissionais analisam que suas atividades médicas devem seguir um caminho de trabalho que inclua atendimento presencial e virtual.

“É uma experiência nova e estou gostando. Pensar no futuro, poder fazer consultas em vídeo de volta seria uma estratégia interessante para esse tipo de situação”, explica o médico esportivo Rubén Chávez.

Ana Elisa concorda. “Caberia muito bem nos casos que já são conhecidos, mas precisam de um monitoramento mais cuidadoso, como os efeitos colaterais de um medicamento recentemente introduzido. Pode ser importante evitar visitas desnecessárias ao escritório ou à sala de emergência, por exemplo”, acrescenta.

Entre os especialistas ouvidos pelo relatório, a expectativa é que a telemedicina ganhe mais relevância com os residentes que estão longe de grandes centros e capitais.

Segundo Ricardo Mucci, diretor do setor público da Cisco Brasil, empresa que disponibilizou sua ferramenta de teleconferência Webex para combater o Covid-19 para as secretarias de saúde, alguns secretários já colocaram a adoção em algo definitivo.

“Nos estados com um interior um pouco mais humilde, a telemedicina será forte porque pessoas que às vezes têm algum tipo de dificuldade ou problema financeiro não poderão viajar para a capital para receber assistência especializada”, diz ele.

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