Tecnologia converte sinais cerebrais em palavras com precisão de até 97% 04/04/2020

Tecnologia converte sinais cerebrais em palavras com precisão de até 97% 04/04/2020

Uma IA (inteligência artificial) que lê mentes pode parecer algo de um filme de ficção científica muito louco, mas não é. Ainda não possui precisão perfeita, é claro, mas pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, revelam que estamos mais perto disso do que imaginávamos.

Postado em revista científica Nature Neuroscience, o estudo revela que uma IA pode traduzir nossa atividade cerebral em uma frase escrita sem emitir uma voz. O método é um pouco complexo: a IA precisou aprender a decodificar o registro de impulsos elétricos capturados por eletrodos implantados no cérebro.

Para isso, os pesquisadores analisaram pacientes com epilepsia que usavam os implantes para controlar convulsões, que repetiram várias frases (em inglês) em voz alta, enquanto os eletrodos registravam sua atividade cerebral.

Foram analisados ​​os padrões de atividade cerebral que correspondem a certas características da fala, como o uso de vogais, consoantes e até o movimento que eles faziam com a boca em cada palavra.

O sistema então decodificou essas representações corticais e as usou para “ler mentes” sem dizer nada.

Erros e sucessos

Na melhor das hipóteses, o sistema produziu uma taxa de erro de palavra de apenas 3% ao traduzir os sinais do cérebro em texto – ou seja, 97% de precisão. Um exemplo foi a frase “O museu contrata músicos todas as noites”, na qual o sistema o identificou como “O museu contrata músicos todas as manhãs caras”.

Uma coisa a ter em mente é a limitação das palavras registradas no sistema de inteligência artificial, em que os erros acabaram se transformando em significados muito diferentes.

Em outros casos, o resultado acabou sendo grotesco, como “Ele usava um macacão de lã quente”, que acabou sendo traduzido como “O oásis era uma miragem”.

O futuro da IA

O resultado do estudo foi bastante significativo, pois esse sistema pode constituir uma nova referência para decodificar a atividade cerebral baseada na IA. Isso ocorre porque, quando tudo corre bem, o sistema possui uma precisão semelhante à transcrição profissional da fala humana, que possui uma taxa de erro de palavra de 5% (WER).

Mas a comparação ainda é um pouco desigual, pois os dispositivos de transcrição lidam com dezenas de milhares de palavras, enquanto esse sistema aprendeu apenas cerca de 250 palavras que foram usadas em um conjunto limitado de frases curtas.

O sistema ainda tem muito a melhorar, mas a equipe está otimista de que um dia será usado para ajudar pessoas que não podem mais falar e precisam de uma nova maneira de se comunicar com o mundo.

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About the Author: Adriana Costa Esteves

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