Terremotos no Nordeste podem indicar atividade sísmica intensa – Notícias

Os terremotos mais recentes na Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte podem ser o início de um período de intensa atividade sísmica na região. Embora os especialistas apontem ser impossível fazer previsões desse tipo em sismologia, os dados indicam que períodos de relativa tranquilidade sismológica se alternam com momentos de muitos terremotos, que podem durar décadas.

Em menos de 24 horas, dois grandes terremotos foram registrados na Bahia, além de cerca de 20 pequenos tremores em regiões próximas. O mais forte ocorreu na manhã deste domingo (30), com magnitude 4,6, e atingiu principalmente a região do Vale do Jiquiriçá, mas foi sentido em 43 municípios da região da Bahia e até Salvador. A segunda ocorreu na noite do mesmo dia, com magnitude 2,7, e foi sentida na cidade de Amargosa, muito próxima do primeiro evento.

A causa mais provável desses eventos, segundo os especialistas, é a reativação de falhas geológicas que acumulam tensões, o que gera a necessidade de liberação da energia acumulada, resultando em um deslocamento da Terra.

A atividade sísmica na Bahia é apenas uma das 13 primárias catalogadas pelo Centro de Sismologia da USP nos últimos sete dias, em todo o mundo. Oito desses eventos aconteceram na América do Sul, três deles no Brasil. O terremoto no Vale do Jiquiriçá foi o mais forte a atingir o Brasil recentemente, mas não o único.

Na última quinta-feira (27), uma série de quatro terremotos de cerca de 1,8 atingiu a cidade de Caruaru (PE), seguidos de um terremoto no sábado (29), de 2,2, em Pedra Preta (RN), segundo sismólogos da USP .

“É impossível prever como evoluirá a atividade sísmica atual, ou seja, se só teremos atividade sísmica com poucos eventos ou se terá início uma atividade sísmica intensa, como em 1967”, disse o Prof. Dr. Joaquim Ferreira, pesquisador do Labsis / UFRN ( Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte), no blog do instituto.

Segundo sismólogos da UFRN, as atividades sísmicas na região continuam, mas ainda é preciso consolidar os dados para tentar prever se haverá intensificação das atividades na região por períodos mais longos.

Segundo o LabSis, o primeiro tremor registrado nesta região foi de magnitude estimada em 3,5 em 1899. Nos anos seguintes, até a década de 1920, ocorreram intensas atividades sísmicas na região da Bahia, que posteriormente cederam.

“Como é impossível fazer previsões em sismologia, não é possível saber se esses eventos ficarão restritos ao entorno de Amargosa ou darão início a um novo ciclo de intensa atividade sísmica nesta região da Bahia”, diz o blog oficial do Labsis.

Os terremotos no nordeste ocorrem ao mesmo tempo que a chamada dorsal oceânica também está em intensa atividade. As dorsais meso-oceânicas são cadeias de montanhas subaquáticas, resultado da lenta remoção das placas tectônicas.

Um dos maiores tremores dessa cordilheira, no domingo (30), entre o litoral brasileiro e africano, atingiu a magnitude de 6,5, cerca de 600 km a nordeste de Fernando de Noronha. Nos últimos 30 dias ocorreram 11 tremores fortes nessas costas, segundo dados do Labsis / UFRN.

VEJA TAMBÉM: Novo terremoto atinge a Bahia, assusta os moradores

You May Also Like

About the Author: Adriana Costa Esteves

"Estudioso incurável da TV. Solucionador profissional de problemas. Desbravador de bacon. Não foi possível digitar com luvas de boxe."

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *