Turquia revoga permissão para ‘navio de amianto’ do Brasil

O ministro do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Murat Kurum, revogou a permissão para o navio viajar para a Turquia após forte oposição de partidos da oposição, sindicatos e organizações ambientais.

Uma manifestação em massa contra o descomissionamento do porta-aviões brasileiro Nae São Paulo foi realizada no distrito de Aliaga, em Izmir, na Turquia, na quinta-feira, 4 de agosto de 2022. [Berkcan Zengin/GocherImagery/Universal Images Group via Getty Images]

A Turquia cedeu à pressão de ativistas ambientais na sexta-feira e revogou a permissão de uma empresa local para desmantelar um porta-aviões brasileiro apelidado de “navio de amianto”.

O NAE Sau Paulo, da marinha brasileira, deveria ser desativado perto da cidade de Izmir, na costa do mar Egeu, na Turquia, nas próximas semanas, sob um contrato concedido a um estaleiro local em 2021.

A Turquia tornou-se um destino obrigatório para marinhas e empresas mercantes de todo o mundo para enviar seus navios antigos para sucata e peças.

Mas ativistas ambientais da Turquia e partidos da oposição alegaram que o navio iria contaminar a terra e a água locais com toneladas de amianto usadas para isolar o navio de 260 metros de comprimento.

A quantidade exata de material perigoso a bordo do navio permaneceu em disputa.

O ministro do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Murat Kurum, disse que estava rescindindo a permissão para o navio viajar para a Turquia porque não havia passado por uma segunda auditoria obrigatória de seu conteúdo.

“Foi decidido cancelar a aprovação da notificação condicional para o NAE São Paulo”, disse Kurum em comunicado.

“O navio não poderá entrar em águas territoriais turcas.”

Sites de tráfego marítimo mostraram que o navio estava atracado no Rio de Janeiro.

“Nós paramos o veneno!” O grupo de campanha ambiental da Turquia Doganin Cocuklari (Filhos da Natureza) twittou momentos após o anúncio.

O destino do navio tornou-se um teste para os ativistas do compromisso do presidente Recep Tayyip Erdogan com o meio ambiente antes das eleições gerais do próximo ano.

A Turquia se tornou o mais recente membro do grupo G20 das principais nações a ratificar o acordo climático de Paris em 2021, seis anos depois da maioria dos países.

Erdogan prometeu seu compromisso com as questões ambientais depois que incêndios florestais e inundações mataram cerca de 100 pessoas ao longo da costa da Turquia entre julho e agosto do ano passado.

O projeto Climate Action Tracker diz que os esforços de Ancara para cumprir as metas do acordo de Paris permanecem “criticamente insuficientes”.

Pesquisas mostram que as mudanças climáticas estão se tornando uma das duas principais questões para milhões de jovens turcos que poderão votar pela primeira vez em 2023.

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