Um novo mundo surge após a pandemia? Veja 5 direções que podemos seguir

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A pandemia de coronavírus traz transformações para o mundo govtech (Freepik)

Na teoria do caos, o efeito borboleta procura descrever como pequenas mudanças em uma dimensão podem reverberar intensamente em outro domínio. Tudo está conectado e, a partir dessa crença, vem sua linguagem principal: o bater das asas de uma borboleta pode causar um tornado no outro lado do mundo.

Se aplicarmos a mesma lógica ao momento presente, qual será o poder das transformações causadas pela pandemia de coronavírus? Um fenômeno mundial, que transformou a dinâmica de praticamente todos os países e que muitos especialistas descreveram como o principal evento desde a Segunda Guerra Mundial, vai muito além do simples bater das asas de uma borboleta, sem dúvida.

Nos últimos dias, tenho refletido sobre a onda de mudanças que ainda está por vir e escrito sobre isso em meus redes sociais. E é no mundo da tecnologia que essas tendências devem estar mais presentes. É verdade que eles devem aparecer com diferentes intensidades, atingindo proporções diferentes. Eles podem significar o desenvolvimento de novas tecnologias; adoção intensiva de aplicativos existentes; ou, ainda mais, o uso cada vez mais presente de certas soluções em nossa vida cotidiana.

Se é verdade que nem tudo será radicalmente transformado, também podemos dizer que nada será o mesmo de antes, especialmente em tecnologia aplicada ao governo.

Eu compartilho 5 tendências para o universo. govtech causado pela crise.

  1. Revoluções em saúde: o papel das tecnologias em saúde e da telemedicina

Sem dúvida, a área da saúde é uma das principais áreas afetadas pela pandemia de coronavírus. Existem evidências disso, pois o momento exige estratégias que possam aumentar a capacidade, a velocidade e a qualidade da assistência, em um esforço para “achatar” a curva de poluição e também impedir o colapso do sistema de saúde.

Esse esforço inclui o desenvolvimento de tratamentos para os sintomas da doença, bem como a vacina tão necessária. Mas, além dos medicamentos, duas tendências principais se destacam: o uso da telemedicina e o trabalho das tecnologias em saúde.

A telemedicina é um tipo de serviço que permite consulta remota. Com a ajuda de uma câmera, de telefone celular ou computador: um paciente pode relatar seus sintomas, enquanto o profissional de saúde indica o melhor tratamento a ser adotado.

A prática ainda não havia sido regulamentada no Brasil, mas a pandemia de coronavírus e a necessidade de garantir atendimento, evitando o aglomerado de pessoas em hospitais ou escritórios, aceleraram o processo. Para tanto, a Lei 13.989 foi aprovada em 15 de abril, reconhecendo a possibilidade de assistência remota durante a pandemia e, em princípio, somente durante a pandemia.

A telemedicina foi oferecida com base no trabalho de Healthtechs, startups que trabalham com tecnologia da saúde. Além dessa modalidade, as startups oferecem várias outras soluções: monitoramento epidemiológico, assistência psicológica, gerenciamento de equipes médicas, assistência através de chatbot e cursos para gestores e profissionais de saúde. Eu falei sobre eles aqui y aqui.

Em outros países, soluções ainda mais disruptivas estão sendo desenvolvidas para o diagnóstico, tratamento e gerenciamento de políticas de saúde. Em IsraelPor exemplo, as startups são os protagonistas desse esforço tecnológico. Um BATM desenvolveu testes rápidos para detecção de vírus, com resultados que podem demorar até 50 minutos. Da mesma forma, o Diagnostics.ai você está trabalhando para desenvolver um teste de PCR usando inteligência artificial. Um Biobeat, por sua vez, contribuiu para o monitoramento dos sinais vitais dos pacientes através de uma vestível – um dispositivo semelhante a um relógio que rastreia a pressão arterial, pulso e temperatura.

A pandemia de coronavírus provou ser um laboratório real para novas tecnologias de saúde em larga escala. É importante que todos prestemos atenção à implementação dessas soluções e que possamos melhorar as iniciativas, principalmente considerando a necessidade de garantir a segurança dos usuários e a eficácia dos tratamentos.

  1. Robôs e inteligência artificial: tecnologias emergentes não serão mais o futuro

Há muito tempo vimos como robôs Eles deixaram o universo dos filmes de ficção para estar presente no dia a dia das pessoas. Alguns deles são mais comuns e quase imperceptíveis, como chatbots, robôs usados ​​para comunicação em sites ou aplicações dos mais diversos serviços, de bancos a serviços públicos. Com a epidemia de coronavírus, esse processo se intensificou: os robôs e a inteligência artificial que lhes permite funcionar estão trabalhando na linha de frente, especialmente nos serviços de saúde.

No Brasil, a tecnologia está cada vez mais presente. No Hospital das Clínicas, em São Paulo, robôs Os serviços de telepresença foram utilizados para avaliar os pacientes. O objetivo é expandir a capacidade de atendimento e reduzir o risco de contaminação por profissionais de saúde.

O Ministério da Saúde também usou a tecnologia de bot alinhada à inteligência artificial para procurar ativamente casos de coronavírus. Desde o início de abril, fotos do telefone que permitem avaliar sintomas e também compartilhar informações para prevenção. Espera-se que as tomadas pelo número 136 atinjam mais de 120 milhões de brasileiros, gerando um grande volume de dados – e inteligência – para apoiar ações de saúde.

Em São Paulo, a inteligência artificial também foi aplicada. O governo do estado firmou parceria com empresas de telefonia móvel e, em conjunto com o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), acompanha em tempo real o movimento da população de São Paulo. Uma iniciativa semelhante foi desenvolvida pela startup Inloco, que criou o “Mapa Brasileiro de Covid-19”, um indicador que permite monitorar a eficácia das medidas em andamento de isolamento social.

Os robôs e a inteligência artificial têm sido cada vez mais utilizados e são vistos como aliados importantes na luta contra o coronavírus, para fornecer previsibilidade, facilidade de manutenção e segurança para todos.

  1. Nova era da informação? A pandemia pode ajudar a reduzir o fenômeno de notícias falsas

Esta é a primeira pandemia experimentada com a presença maciça de fontes de comunicação. Ou através de formas mais tradicionais, como transmissão de televisão ou jornais, ou com a ajuda de redes sociaisTemos acesso a uma quantidade imensa e diversificada de informações, ininterrupta, todos os dias.

Também estamos enfrentando a primeira pandemia na era da notícias falsas – a troca deliberada de informações falsas, sem fundamento ou distorcidas. E eles proliferaram em grupos de WhatsApp, Instagram ou Facebook. São notícias sobre curas milagrosas, teorias da conspiração ou conteúdo de ódio. Atingindo milhões de pessoas, notícias falsas Eles são outra ameaça que deve ser combatida exatamente quando estamos lidando com o coronavírus.

Em meio a esse fenômeno perverso, vimos, pelo menos aqui no Brasil, algumas notícias que nos incentivam. Pesquisas nacionais produzidas pela Folha de dados y Ibope Saliente como a população recorreu à mídia tradicional para obter informações confiáveis ​​sobre a crise. Segundo pesquisa do Ibope, 88% consideram confiáveis ​​as notícias apresentadas pela televisão aberta, enquanto sites e portais de notícias correspondem a 86%.

No entanto, um indicador é bastante peculiar: embora o WhatsApp tenha sido identificado como confiável por apenas 27% dos entrevistados, 40% da amostra o utiliza como fonte. Em outras palavras, é possível concluir que muitas pessoas usam as informações sem serem confiáveis. A grande questão que faço desta observação é: por que mais e mais pessoas compartilham informações falsas e potencialmente perigosas cujos impactos são conhecidos?

A semana passada, Eu disse sobre a importância da pandemia de coronavírus na comunicação e no fenômeno da notícias falsas. É muito cedo para dizer que veremos transformações disruptivas nesse campo, mas a semente já foi plantada. E o uso de tecnologias pode ser essencial para combater a disseminação de notícias falsas, ao mesmo tempo em que expande boas práticas de compartilhamento de informações transparentes entre diferentes grupos da sociedade. A crise que vivemos deixou sua mensagem: as pessoas querem confiar em fontes confiáveis ​​e estas, por sua vez, precisam desenvolver novas maneiras de se comunicar e interagir com a população.

  1. Transparência e privacidade: a proteção de dados pessoais será mais importante do que nunca

(Pixabay)

A pandemia de coronavírus reafirmou a importância dos dados. Sem eles, seria impossível controlar a doença, fazer projeções sobre o seu crescimento ou até elaborar estratégias eficazes para o isolamento social.

A centralidade e o poder dos dados também expõem a linha tênue entre seu uso efetivo e o risco de expor as informações das pessoas. Afinal, nunca é demais ressaltar: quando governos ao redor do mundo, incluindo o Brasil, implementam com sucesso sistemas de monitoramento, eles o fazem apenas graças a dados de pessoas reais que têm direito a seus próprios. privacidade y segurança.

Mesmo antes da pandemia de coronavírus, a segurança dos dados era central nas agendas de transformação digital de vários países. Alguns meses atrás eu discuti aqui no blog a importância do tópico. Eu mostrei que existem novas empresas dedicadas a garantir a segurança e a privacidade das pessoas, além de várias empresas e governos que estão longe de respeitá-la, além das diferentes leis que estão surgindo para garantir o controle do nosso “eu digital”.

No Brasil, a aplicação das sanções previstas na Lei Geral de Proteção de Dados, também conhecida como LGPD, foi adiado em agosto de 2021, devido à crise causada pelo coronavírus; Originalmente, entraria em vigor a partir do mesmo mês deste ano. A suspensão provisória deste importante instrumento legal coexiste com as crescentes iniciativas para monitorar o deslocamento de pessoas no contexto de isolamento social.

A segurança e a privacidade dos dados pessoais são de extrema importância. Os resultados de sua aplicação a ações bem-sucedidas de controle de coronavírus não podem ocultar ou minimizar o grau em que essas condições são um direito fundamental dos indivíduos. Portanto, garantir que as leis sejam seguidas, que as organizações adaptem suas práticas e que as condições para monitorar sua aplicação sejam garantidas devem ser ações urgentes e prioritárias.

  1. Internet e computadores: porque não haverá transformação digital sem conexão

A crise demonstrou a importância de estar conectado. Aplicativos como o WhatsApp e suas funções de chamada de vídeo foram essenciais para manter contato com amigos e familiares durante o período de isolamento social. Mas também expõe o quão frágil é a nossa conectividade internet.

Isso é especialmente verdadeiro se considerarmos o uso da Internet nos serviços de saúde, uma vez que a maioria das soluções desenvolvidas para enfrentar a crise depende não apenas do uso de computadores, telefones celulares ou tablets, mas também da conectividade da Internet.

Trabalhando por 20 anos com gestão pública e por 4 anos à frente de BrazilLABEu tenho visto de perto os desafios que os municípios enfrentam em todo o país. Em inúmeras visitas a estabelecimentos públicos, do UBS ao CRAS, testemunhei quão precária é a infraestrutura tecnológica.

O dados do Cetic-BR em instituições de saúde confirmam esse diagnóstico: em 2018, das 40.500 Unidades Básicas de Saúde (UBS) analisadas, 20% (mais de 8.000 estabelecimentos públicos) não tinham acesso a um computador ou à Internet. Além disso, apenas 12% das informações clínicas e de registro de pacientes são encontradas na mídia eletrônica, enquanto 35% permanecem apenas na mídia física, ou seja, registros médicos em papel com pouca possibilidade de analisar as informações, algo que é muito valioso quando falamos de políticas públicas de saúde Ao considerar informações sobre conectividade, o cenário é ainda pior: 44% das instituições de saúde pública têm velocidades de download de dados de até 10 mpbs; apenas 13% têm velocidades superiores a 10 e até 100 mpbs.

Garantir a conectividade com a Internet é uma condição prévia para a transformação digital no setor público. A pandemia de coronavírus demonstrou quão fundamental é esse elemento e como ainda precisamos avançar para estabelecer formas mais avançadas de conexão, por exemplo, a modalidade 5G. É preciso reconhecer que, sem a infraestrutura necessária, não poderemos aproveitar todo o potencial das soluções atuais, nem avançaremos para aplicativos mais robustos e disruptivos no setor público.

Muito trabalho ainda precisa ser feito

A pandemia de coronavírus trouxe impactos profundos, alertas, oportunidades de experimentação e, acima de tudo, tendências positivas para o mundo da tecnologia. Mas essas tendências são o que são: possibilidades que podem ou não ser cultivadas. Seu desenvolvimento dependerá, acima de tudo, de nossa capacidade de tirar proveito do cenário para implementar mudanças de longo prazo e duradouras.

Ele deve passar pela garantia da infraestrutura, pela criação e aplicação de leis que possam fornecer segurança para todos e também por nossa capacidade de registrar e avaliar o aprendizado. E, acima de tudo: dependerá de nossa capacidade de valorizar ações tecnológicas. Leia: garanta investimentos em projetos, instituições e startups dedicadas à produção de soluções baseadas em tecnologia para as mais diversas áreas.

Alguns exemplos estão começando a surgir, como o MIT Solve, um programa dedicado à identificação e fortalecimento de ações de combate ao coronavírus; o desafio proposto por XPrize procurando soluções para combater a doença ou o programa desenvolvido pela Comissão Europeia para financiar startups na área de inovação e tecnologia.

Mas é necessário ir além. Temos que desenvolver ações constantemente, e não apenas durante eventos de emergência. Eles devem levar em conta as realidades nacionais e regionais. Incorporar o risco trazido pela inovação. A mudança está apenas começando e ainda temos um longo e trabalhoso caminho pela frente.

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About the Author: Adriana Costa

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