Usado para ajudar R $ 600, o aplicativo Caixa irrita e demanda muito do celular – 06/05/2020

Usado para ajudar R $ 600, o aplicativo Caixa irrita e demanda muito do celular - 06/05/2020

Os usuários relataram dificuldades na Caixa Tem, um aplicativo necessário para retirar os R $ 600 da ajuda de emergência da Caixa Econômica Federal, para quem não pode trabalhar na epidemia de coronavírus. Especialistas dizem ainda que o processo exclui parte da população, além de apontar problemas de transparência e privacidade.

O registro pode ser feito no aplicativo Caixa Auxílio Emergencial, navegador de internet ou telefonema. Não houve grandes problemas nesta primeira fase. Eles começaram a acontecer com um segundo aplicativo, a Caixa Tem, que gera o código para sacar dinheiro.

Na Internet, existem vários relatos de problemas ao acessar o aplicativo, gerando o código para saques ou transações financeiras. O relatório foi ouvido por clientes de uma agência bancária da Caixa em São Paulo, que também relataram dificuldades.

Na Play Store, existem várias críticas que reclamam da Caixa Tem. Um deles, escrito por Dalila Santos, diz que ele passou “o dia inteiro, exatamente vinte horas tentando entrar e totalmente sem sucesso”.

Outra revisão, de Alessandra Miranda, diz: “Leva muito tempo para carregar a espera virtual, então a pessoa passa horas tentando fazer a identificação e não pode. Ou seja, sem identificação não há como transferir, não há como retirar, não não há absolutamente nenhuma maneira de fazer isso “.

Lucas Rocha, 26 anos, tentou gerar o código através da Caixa Tem em dois telefones: um modelo Positivo mais antigo e um modelo Samsung que ele comprou no ano passado. Em ambos, o aplicativo trava em uma tela de transição, com a mensagem em espera. “Eu tentei de madrugada, mas também não funcionou”, diz ele. Ele foi um daqueles que precisavam ir a uma agência física para resolvê-lo.

Ailton Batista, 35, estava na mesma fila que Rocha. Ele diz que fez o procedimento nos telefones celulares dele e de sua esposa, Motorola e Samsung, mas o aplicativo trava. “Coloquei CEP, CPF e número de telefone, conforme solicitado, e depois digo que meu número não existe”.

Duas outras questões observadas são a falta de universalidade do aplicativo: ele funciona em andróides modernos, mas supostamente trava nos iPhones; e permissões em excesso para recursos de telefone celular, como fotos, microfones e listas de redes wi-fi.

Para quem recebeu o dinheiro no Digital Social Savings, um tipo simplificado de poupança da Caixa, o acesso ao dinheiro só é possível através de um telefone celular com conexão à Internet.

Segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional de Amostragem Contínua em Domicílios), 93,2% dos domicílios no Brasil possuem um dispositivo móvel, não necessariamente um smartphone, 80,2% têm acesso à internet móvel e 75,9% à internet fixa. Os dados foram publicados na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Qualquer pessoa sem acesso à Internet precisaria solicitar a uma pessoa que possua um smartphone com acesso à Internet que faça o passo a passo e relate o código gerado. Para cada CPF, é gerado um código de registro que dura até duas horas. Se o processo passar esse tempo, ele deverá ser repetido.

Por fim, segundo a assessoria de imprensa da Caixa, os cidadãos sem acesso ao aplicativo poderão procurar uma agência bancária.

Elitismo?

Marco Konopacki, pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade e The Governance Lab (New York University), fez várias críticas à aplicação Caixa Tem no Twitter. Para ele, o aplicativo é um gargalo, pois é a única maneira de quem não tem conta para sacar dinheiro.

Além disso, há uma limitação incerta sobre quais telefones celulares eles funcionam. As especificações do aplicativo na Play Store e na App Store não indicam em quais versões do Android ou iOS ele funciona.

“Parece haver uma sobrecarga devido ao alto volume de acessos simultâneos. As falhas no registro podem ser causadas por limitações de infraestrutura ou erros no software de registro criado pela Caixa”, acredita Konopacki.

O pesquisador também se surpreende com as muitas permissões para os recursos do telefone celular e acha que isso tem a ver com o idioma usado para criar o aplicativo. “Quando o desenvolvedor faz o upload do aplicativo para a loja, ele faz um contrato que indica quais recursos ele deseja acessar. Esses recursos estão associados aos idiomas usados ​​para criar o aplicativo”, especula.

Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, diz que boas práticas de segurança digital recomendam que o desenvolvedor publique os requisitos mínimos de compatibilidade operacional, como a versão do sistema operacional Android ou iOS. “Se a informação não estiver disponível, ela deve ser corrigida rapidamente”, diz ele.

Tavares acredita que os problemas se devem à pressa de desenvolver e disponibilizar o aplicativo. Também cita os riscos de roubo de dados de cidadãos por sites ou aplicativos falsos, que passam por canais bancários oficiais. “Identificamos sites que tentaram acessar a Caixa, clonamos páginas de ajuda de emergência, tentamos praticar golpes”, diz ele.

Para Diogo Moyses, coordenador do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o governo deve criar outros meios para que as pessoas acessem a Ajuda de Emergência.

Condicionar o recebimento de benefícios ao acesso à Internet e outras limitações está, na prática, criando barreiras ao recebimento de assistência para os mais necessitados.
Diogo Moyses (Idec)

Outro lado

Procurado, a Caixa não respondeu às configurações mínimas do aplicativo Caixa Tem, mas disse que era leve e rodava em qualquer modelo de smartphone. Para aqueles que não são clientes da Caixa, o pagamento será feito em uma conta de depósito ou poupança mantida pelo beneficiário.

Mas cerca de 700.000 pessoas que solicitaram ajuda de emergência para serem depositadas em outras contas bancárias não recebi. Como solução, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, informou que serão criadas contas bancárias digitais para elas. Para mover dinheiro, transfira ou retire, A Caixa Tem é solicitada novamente.

Se o cidadão não tiver uma conta em outro banco, a ajuda será direcionada para a conta Digital Social Savings, que é usada apenas através do código gerado pela Caixa Tem. Se a pessoa não tiver acesso ao aplicativo, no último caso, poderá procurar uma agência da Caixa. O banco não respondeu se pretende criar outros meios para gerar o código de retirada.

Em relação às autorizações para acessar as funções dos smartphones, em relação ao microfone, o banco afirma que a Caixa Tem foi projetada para ter uma usabilidade semelhante à das redes sociais, na qual a interação com os serviços ocorre em através de conversas.

You May Also Like

About the Author: Adriana Costa Esteves

"Estudioso incurável da TV. Solucionador profissional de problemas. Desbravador de bacon. Não foi possível digitar com luvas de boxe."

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *